Introdução: Uma grande problemática enfrentada pela sociedade está no uso abusivo de telas na primeira e segunda infância, justamente por ser esse o período crucial em que se concentra a maior parte do desenvolvimento neurológico e social da criança. Diante desse cenário, torna-se crucial entender por que o uso de telas na infância é alvo de uma avaliação constante e criteriosa. Uma boa análise permite identificar sinais de dependência e atrasos no desenvolvimento, possibilitando intervenções que priorizem o equilíbrio entre o mundo digital e as necessidades biológicas e sociais da criança. Objetivos: Levantar os estudos disponíveis na literatura nacional que abordam instrumentos de rastreamento ou avaliação do uso de telas em crianças. Métodos: Revisão integrativa realizada nas bases Google Acadêmico, Periódicos CAPES e SciELO. Utilizaram-se os descritores e termos "telas", "instrumentos", "uso de telas na infância" e "funções executivas", associados pelo operador AND. Os critérios de inclusão selecionaram artigos em português (2020-2025) que descrevessem ou validassem instrumentos de avaliação do uso de telas em crianças. Resultados: Foram identificados 60 artigos, dos quais 26,6% (n=16) apresentaram instrumentos de rastreamento do uso de telas. A amostra final revelou uma predominância de questionários de autorrelato parental (preenchidos por pais/mães) e diários de mídia de 24 horas. Destacam-se ferramentas estruturadas como o ScreenQ e o Media Assessment Questionnaire (MAQ), além de questionários sociodemográficos com seções específicas para telas. A maioria dos estudos diferenciou o "tempo de tela passivo" (assistir desenhos/vídeos) do "tempo de tela ativo" (uso interativo de computadores, tablets e consoles). Observou-se que grande parte das publicações não especifica o nome do instrumento utilizado, limitando-se a descrições genéricas de questionários online ou breves relatos de uso. Conclusão: A revisão evidencia uma escassez de instrumentos padronizados e validados para mensurar o uso de telas na infância no Brasil, com predominância de questionários de autorrelato parental não especificados. Conclui-se que há uma necessidade urgente de maior rigor na descrição das ferramentas utilizadas em pesquisas clínicas e educacionais, bem como o desenvolvimento de instrumentos que contemplem não apenas o tempo de exposição, mas a natureza da interação da criança com os dispositivos.
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Diogo Macedo Feijó
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