Introdução: A ecolalia é a repetição, semelhante a um eco, da fala previamente ouvida ou proferida e está presente em 75 a 80% dos indivíduos verbais com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A ecolalia pode ser classificada em tardia, imediata ou mitigada e pode ser usada dentro de um contexto comunicativo ou não. Objetivo: Investigar o papel das ecolalias na comunicação funcional de indivíduos com TEA. Método: Trata-se de uma revisão de literatura realizada no período de fevereiro a abril de 2026. Foram consultadas as bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde - BVS, utilizando descritores DeCS, e a PubMed utilizando descritores MeSH. Os termos de busca foram: (transtorno do espectro do autismo) AND (ecolalia), (ecolalia) AND (comunicação), (Autism Spectrum Disorder) AND (Echolalia) e (Echolalia AND Communication). Foram incluídos artigos originais e revisões de literatura publicados em língua inglesa e portuguesa dos últimos 5 anos (2021-2026), e foram excluídos estudos não disponíveis em sua versão completa. Resultados: O levantamento bibliográfico localizou 86 estudos e após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão o número de artigos na amostra final foi 15. Os achados dos estudos incluídos demonstram que apesar da ecolalia ser bastante frequente no comportamento verbal de pessoas com TEA, a literatura demonstra divergências em relação à sua funcionalidade, porém a maioria dos autores a defendem como benéfica, funcional e comunicativa, podendo ser também compensatória ou autoestimulatória. Por outro lado, a ecolalia também é associada a uma piora da qualidade de vida, trazendo menor inclusão do indivíduo em contextos sociais e redução de oportunidades profissionais. Vale ressaltar que, as ecolalias manifestam-se de forma diferente em indivíduos com TEA com pouca ou nenhuma verbalização e em indivíduos com maior fluência verbal. Embora presente em indivíduos com fluência verbal, as ecolalias apresentam-se como uma característica importante da linguagem em indivíduos com pouca ou nenhuma verbalização, sendo uma estratégia comunicativa vantajosa, porém sua utilidade e frequência relativa diminuem à medida que o indivíduo desenvolve ferramentas comunicativas mais eficazes. Conclusão: Apesar das divergências na literatura, a maioria dos achados apresentam a ecolalia como tendo um papel importante na linguagem funcional dos indivíduos com TEA, podendo ser precursora de habilidades comunicativas mais complexas.
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Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica