Introdução: A oferta de serviços especializados para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda se apresenta como um desafio no Brasil, evidenciando lacunas no acesso a intervenções baseadas em evidências. Diante desse cenário, torna-se fundamental o desenvolvimento de estratégias inovadoras que promovam o cuidado integral e o desenvolvimento biopsicossocial dessas crianças. Nesse contexto, a clínica-escola com atuação integrada entre saúde e educação configura-se como uma alternativa potente para qualificar a assistência e ampliar o acesso a intervenções especializadas, em consonância com a Política Nacional de Educação Inclusiva.
Relato de experiência: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido em uma clínica-escola voltada ao atendimento de crianças com TEA, com idades entre 4 e 12 anos, vinculadas à rede pública municipal de educação de Campina Grande, Paraíba. O serviço é estruturado por uma equipe multiprofissional, com ênfase na atuação da psicologia no manejo comportamental e no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, articulada com áreas como fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, psicopedagogia, nutrição, psicomotricidade e assistência social. A prática se organiza de forma integrada e transdisciplinar, centrada nas necessidades individuais da criança. A abordagem predominante é a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), favorecendo o desenvolvimento de repertórios comunicativos, sociais e adaptativos. A articulação intersetorial entre saúde e educação potencializa os desfechos terapêuticos, contribuindo significativamente para o processo de aprendizagem e inclusão escolar. Ademais, observa-se que intervenções precoces e intensivas estão associadas a melhores resultados no desenvolvimento global, além de fortalecer o suporte às famílias.
Conclusão: A experiência demonstra que o modelo interdisciplinar no SUS constitui uma estratégia eficaz e resolutiva no cuidado de crianças com TEA, destacando a clínica-escola como um dispositivo inovador capaz de promover desenvolvimento, autonomia e integração intersetorial. Tais achados reforçam a importância da ampliação de práticas integradas como política pública de saúde.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica