Introdução: Os transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista, apresentam início precoce e impacto significativo no
desenvolvimento infantil. Na Atenção Primária à Saúde (APS), ainda há atraso na identificação desses casos, frequentemente relacionado à ausência de rastreio sistematizado e à fragmentação do cuidado. Relato de experiência: A experiência foi desenvolvida em Unidade Básica de Saúde no município de Picuí-PB, com reorganização das consultas de puericultura, passando a ser mensal até os dois anos de vida, atentando-se à vigilância do desenvolvimento infantil. Implementou-se acompanhamento longitudinal sistematizado, com atuação multiprofissional integrada, incluindo consultas compartilhadas entre médica, enfermeira, odontóloga e equipe eMulti (fisioterapia, educação física e nutrição). As consultas passaram a valorizar não apenas parâmetros antropométricos, mas também a avaliação dos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor, com orientações às famílias sobre estímulos adequados ao desenvolvimento infantil, assim como partilha de dúvidas e avaliação do estado emocional das crianças. Além disso, houve a qualificação do registro no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) e incorporação do M-CHAT como instrumento de rastreio para TEA, feito aos 18 e 24 meses. Observou-se maior sistematização da avaliação do desenvolvimento, aumento na identificação de sinais de alerta, maior precocidade nos encaminhamentos e construção de vínculo entre os pais e responsáveis, além do fortalecimento da comunicação entre os profissionais. Conclusão: A integração entre puericultura estruturada, equipe multiprofissional, uso do prontuário eletrônico e aplicação de instrumentos de rastreio qualifica o cuidado na APS e favorece a identificação precoce de transtornos do neurodesenvolvimento, contribuindo para intervenções oportunas e melhores desfechos na saúde infantil.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica