AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO DO TEA EM MULHERES: ENTRE OS DESAFIOS METODOLÓGICOS E A INVISIBILIDADE CLÍNICA

  • Autor
  • Bárbara Gabrielly Silva Moreira
  • Co-autores
  • Luiz Carlos Nunes Neto , Ana Carolina de Lima Xavier Oliveira , Alanny Nunes de Santana
  • Resumo
  • Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que, no Brasil, afeta cerca de 2,4 milhões de pessoas. Caracteriza-se por déficits sociais persistentes e por padrões de comportamento restritos e repetitivos, usualmente diagnosticado na primeira infância. Contudo, o diagnóstico tardio tem se tornado objeto de pesquisa, apontando limitações em instrumentos diagnósticos, a predominância do foco em homens e a negligência sobre os comportamentos de camuflagem social frequentemente adotados por mulheres. Objetivo: Investigar os desafios e as limitações na sensibilidade dos instrumentos de rastreio e diagnóstico do TEA em mulheres adultas. Método: Realizou-se uma revisão narrativa da literatura, a partir de estudos que discutem o uso de ferramentas diagnósticas e as especificidades do autismo em mulheres. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, utilizando os descritores “autism spectrum disorder”, “female autism”, “diagnostic tools", considerando o período de publicação de 2020 a 2025. Foram incluídos artigos em inglês e português, com acesso ao texto completo, sobre instrumentos utilizáveis em todas as faixas etárias ou especificamente para adultos. Resultados: Foram encontrados 180 artigos, e após a exclusão de títulos repetidos ou trabalhos sobre outros objetivos, 15 artigos foram selecionados. Os resultados indicam que a principal limitação é a estruturação de instrumentos a partir de amostras majoritariamente masculinas, o que gerou um modelo de referência enviesado que não contempla o fenótipo feminino. Ferramentas amplamente utilizadas, como o Quociente Autístico (AQ), carecem de maior especificidade nas amostras por gênero e de atualização frente ao DSM-5-TR, que alerta para o subdiagnóstico de mulheres. A camuflagem social atua como uma barreira técnica significativa, pois a sutileza dos sinais e o perfil de sofrimento internalizante das mulheres usualmente levam a interpretações clínicas que direcionam o diagnóstico para comorbidades.Conclusão: A sensibilidade dos instrumentos reflete uma incompatibilidade entre os critérios avaliados e a forma como as mulheres vivenciam o TEA. Urge a necessidade de revisões metodológicas e da validação de instrumentos específicos considerando o fenótipo feminino. Somente através de uma prática clínica sensível às especificidades de gênero será possível superar a invisibilidade e garantir o diagnóstico e suporte adequados a essa população.

  • Palavras-chave
  • Transtorno do Espectro Autista, Instrumentos, Diagnóstico em mulheres adultas, Camuflagem social
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Neurociências e Transtornos Neuropsiquiátricos/Transtornos do Neurodesenvolvimento
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