Introdução: A educação física na escola como aliada no processo de inclusão e desenvolvimento de alunos com transtornos neurológicos, contribui de forma significativa na melhora dos aspectos psicomotores. Pessoas neurodivergentes ou atípicas, referem-se, a condições neurológicas diferentes da maioria dos indivíduos típicos ou neurotípicos. Inserem-se no cenário deste relato, o Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), e o Transtorno Opositor Desafiador (TOD). A inclusão compreende o processo de participação do aluno de forma plena na escola, por isso, tornou-se um desafio construir estratégias capazes de desenvolver a aprendizagem de alunos com essas especificidades. Relato de Experiência: O cenário foi uma escola pública quilombola de tempo integral, que atende do Infantil II ao 5º ano do Ensino Fundamental. A instituição atende 90 alunos com idades entre 2 e 10 anos, na zona rural do município de Pacajus, região metropolitana de Fortaleza no estado do Ceará. Desses, 10% (9 alunos) já possuem diagnósticos, além de outros em investigação que são atendidos pelo AEE (Atendimento Educacional Especializado). O autor é professor de educação física efetivo da rede municipal de ensino e atua nessa escola desde 2024. São ofertados 5 aulas semanais de 60 minutos no ginásio, com recursos materiais adequados e suporte do profissional de apoio: uma de educação física e quatro de atividades esportivas. Compreende-se que as vivências com esse público se distanciam do abstrato e se aproximam do concreto, possibilitando a criança conhecer e adquirir consciência e autonomia corporal. Foram observadas melhorias do déficit motor, aprimoramento da coordenação motora fina e global, aumento de força, lateralidade, estruturação do espaço-temporal, e equilíbrio. Além disso, houve mudanças significativas na rotina, redução de estereotipias e hipotonia, diminuição da rigidez cognitiva nas tarefas escolares (espera e assimilação), aumento da comunicação verbal e não verbal, alívio da sobrecarga (ansiedade) e diminuição das crises sensoriais. Conclusão: A educação física contribui significativamente para a inclusão e aprendizagem por meio do movimento, promovendo o desenvolvimento motor, mudanças de hábitos na rotina escolar, e diminuição de comportamentos interferentes. É necessário que a educação física se consolide no ambiente escolar como uma ferramenta potencializadora e eficaz na evolução de crianças atípicas.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica