Introdução: O bullying caracteriza-se por agressões intencionais, repetitivas e sistemáticas entre pares, o que inclui agressões físicas, verbais ou relacionais. Pode ser considerado um tipo de violência, sendo importante fator de risco para a saúde física e mental de crianças e adolescentes. Objetivo: Buscar na literatura evidências do impacto do bullying na estrutura e no funcionamento cerebral de crianças e adolescentes. Método: Trata-se de uma revisão de literatura realizada no período de fevereiro a abril de 2026. Foram consultadas as bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde - BVS, utilizando os descritores DeCS (“bullying”, “cérebro”, “criança” e “adolescente”) e PubMed utilizando descritores MeSH (“bullying”, “brain”, “child” e “adolescent”), combinados pelo operador booleano "AND". Foram incluídos artigos originais e revisões de literatura, publicados em língua inglesa e portuguesa dos últimos 5 anos (2021-2026), bem como, excluídos estudos não disponíveis em sua versão completa. Resultados: O levantamento bibliográfico localizou 270 estudos, e após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, restaram 19 na amostra. Os achados evidenciaram que o bullying foi significativamente associado a um crescimento volumétrico acelerado em regiões subcorticais e límbicas, incluindo o putâmen, a amígdala, o hipocampo e o córtex cingulado anterior. Estudos com ressonância magnética mostraram maiores estimulações das regiões implicadas na regulação emocional (ínsula, córtex cingulado anterior), no processamento visual (córtex occipital lateral, giro fusiforme) e na cognição social (polo temporal, giro angular). Níveis elevados de estresse decorrentes do bullying também foram associados à desregulação cortical. O estresse psicológico desta violência, inicialmente ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), alterando os níveis de glicocorticoides, e aumentando a concentração de cortisol circulante. Essa ativação, por sua vez, pode desencadear respostas neurocognitivas ligadas à memória, humor, comportamento e funções executivas. Conclusão: O bullying está associado a alterações morfológicas e funcionais no cérebro de crianças e adolescentes, com impacto predominante sobre estruturas do sistema límbico.
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Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica