Introdução: O transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento definido no DSM-5 como dificuldade na comunicação e interação social. Nesse contexto, o social camouflaging é uma estratégia usada para mascarar os traços de comunicação e interação característicos do TEA, visando facilitar a adaptação social. Apesar de favorecer a inclusão, evidências sugerem que esse processo está associado a impactos negativos na saúde mental. Objetivo: Esta revisão busca analisar os efeitos do social camouflaging na saúde mental de adultos com transtorno do espectro autista. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada na base de dados PubMed, sem restrições de idioma, incluindo estudos publicados nos últimos 10 anos. A busca foi guiada a partir de descritores relacionados a “social camouflaging”, “autism” e “mental health”. Foram selecionados estudos originais e de revisão que abordam o social camouflaging e seus impactos psicológicos em adultos com TEA. Foram excluídos estudos com população infantil, sem análise de desfechos em saúde mental ou que não possuíam relação direta com o tema. Ao final, 10 estudos totalizaram a amostra final. Resultados: A análise dos estudos indica que o social camouflaging é um mecanismo de adaptação comportamental que visa ampliar a possibilidade de inclusão social de adultos autistas, motivado pela pressão social e a necessidade de evitar rejeição, não por uma escolha individual. No entanto, sua prática está associada a piores desfechos em saúde mental, como o aumento de sintomas de ansiedade e depressão, além de exaustão emocional, estresse crônico e sensação de perda de identidade. Somado a isso, em casos mais graves, o social camouflaging também esteve associado à ideação suicida. Conclusão: Apesar de favorecer a adaptação e inclusão social, o social camouflaging emerge como uma resposta às pressões normativas do ambiente e está associado a impactos negativos relevantes na saúde mental de adultos com TEA. Esses achados reforçam a necessidade de compreender esse fenômeno como reflexo de contextos sociais pouco inclusivos, além de evidenciar a importância de ampliar o conhecimento e a conscientização sobre o autismo em diferentes contextos sociais, a fim de reduzir estigmas e promover estratégias de inclusão que não impliquem na supressão da identidade autista.
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Diogo Macedo Feijó
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