Introdução O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, afetando aproximadamente 5% das crianças em idade escolar. Além dos prejuízos comportamentais e cognitivos, crianças com TDAH frequentemente apresentam dificuldades no funcionamento emocional, incluindo reconhecimento, expressão e regulação das emoções. Objetivo Analisar a relação entre regulação emocional em crianças com TDAH, considerando o papel das funções executivas e das intervenções socioemocionais. Método Trata-se de uma revisão narrativa da literatura sobre a relação entre regulação emocional e funções executivas no TDAH na infância. Foram analisados cinco artigos científicos teóricos e empíricos selecionados por sua relevância temática. Resultados A literatura indica que déficits nas funções executivas — especialmente memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva — estão associados à desregulação emocional em crianças com TDAH. Estudos apontam que esses indivíduos apresentam maior instabilidade emocional e dificuldades na modulação da expressão emocional, especialmente em situações de maior demanda cognitiva. Evidências sugerem ainda que melhor desempenho em memória de trabalho está relacionado a níveis mais adequados de regulação emocional e redução dos sintomas do transtorno, com impacto indireto na diminuição da desatenção e impulsividade. Além disso, déficits no controle inibitório podem contribuir para comportamentos agressivos, relação essa frequentemente mediada pela desregulação emocional. Conclusão Os achados indicam que a regulação emocional em crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade está associada ao desempenho das funções executivas, especialmente memória de trabalho e controle inibitório. Déficits nessas habilidades contribuem para maior desregulação emocional e impactos negativos no comportamento e nas relações sociais. Intervenções socioemocionais mostram efeitos positivos na melhora da regulação emocional, reforçando sua importância no desenvolvimento infantil dessa população.
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Diogo Macedo Feijó
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