Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por alterações na comunicação, interação social e padrões comportamentais restritos ou repetitivos. O Sistema Endocanabinoide (SEC) regula processos fisiológicos e neurobiológicos, contribuindo para a homeostase. É composto por endocanabinoides (como a anandamida), receptores CB1 (no sistema nervoso central) e CB2 (no sistema imunológico e tecidos periféricos). Substâncias exógenas, como Cannabis, interagem com esse sistema, destacando-se o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC). O CBD possui propriedades anticonvulsivantes e moduladoras do sono, enquanto o THC está associado a efeitos psicoativos. Esses compostos têm sido investigados no uso terapêutico do TEA. Objetivo: Analisar, com base na literatura científica, os mecanismos de ação do canabidiol e seus efeitos terapêuticos nos sintomas associados ao TEA. Método: Trata-se de uma revisão integrativa realizada nas bases SciELO, PubMed e Scopus, utilizando descritores relacionados ao TEA, canabidiol e sistema endocanabinoide, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos estudos primários publicados entre 2020 e 2026, em português e inglês. Após critérios de inclusão e exclusão, a amostra final foi composta por 7 estudos. Resultados: Os achados indicam que o CBD apresenta potencial terapêutico no TEA, especialmente em aspectos comportamentais e pró-sociais. Observou-se modulação da conectividade cerebral, com aumento da atividade em regiões como o vermis cerebelar e o giro fusiforme, associadas ao processamento social e emocional. Em modelos animais, houve melhora na interação social, embora efeitos sobre comportamentos repetitivos sejam inconsistentes. O CBD atua em vias como o SEC, equilíbrio excitação-inibição neuronal e processos inflamatórios, além de efeitos neuroprotetores. A eficácia pode variar conforme formulação, dosagem e características individuais. Conclusão: O canabidiol demonstra potencial promissor no manejo de sintomas do TEA, especialmente na sociabilidade e regulação emocional. Entretanto, os resultados ainda são heterogêneos, principalmente em relação a sintomas nucleares. Limitações como amostras reduzidas e falta de padronização metodológica indicam a necessidade de ensaios clínicos rigorosos. Assim, embora o CBD seja alternativa terapêutica relevante, sua aplicação clínica depende do fortalecimento das evidências quanto à eficácia e segurança a longo prazo.
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Diogo Macedo Feijó
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