Introdução: O geoisolamento das comunidades ribeirinhas da Amazônia representa um desafio para a implementação de estratégias eficazes de atenção à saúde. A precária infraestrutura de transporte e comunicação limita o acesso a serviços médicos, gerando desfechos clínicos desfavoráveis e desigualdades assistenciais. Nesse cenário, o uso de tecnologias digitais, como o telemonitoramento, surge como alternativa promissora ao possibilitar acompanhamento remoto e continuidade do cuidado. Esta revisão sistemática analisa a eficácia e os desafios do telemonitoramento em populações ribeirinhas, com foco na adaptação de soluções digitais às especificidades regionais. Objetivos: Revisar sistematicamente as evidências sobre a implementação e os resultados do telemonitoramento em comunidades ribeirinhas da Amazônia, identificando benefícios clínicos, desafios operacionais e estratégias de adaptação tecnológica. Metodologia: Realizou-se revisão sistematizada conforme diretrizes PRISMA nas bases SciELO e UpToDate, entre março e agosto de 2024. Utilizaram-se os descritores: telemedicina, telemonitoramento, atenção primária à saúde, Amazônia, áreas remotas e ribeirinhos. Foram incluídos estudos publicados entre 2013 e 2024, em português, inglês ou espanhol, que abordassem tecnologias digitais aplicadas à prevenção e acompanhamento remoto em comunidades ribeirinhas ou regiões amazônicas. Após triagem, 10 artigos atenderam aos critérios de elegibilidade e foram analisados quanto ao tipo de tecnologia, resultados clínicos e barreiras de implementação. Resultados: A análise mostrou que o telemonitoramento em comunidades ribeirinhas proporcionou avanços na gestão de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, além de ampliar o acesso à atenção primária. O uso da telemedicina e de plataformas digitais contribuiu para melhor acompanhamento clínico, redução de deslocamentos e fortalecimento do vínculo entre profissionais e pacientes. Experiências em diferentes localidades da Amazônia evidenciaram que, durante o período pandêmico, a telessaúde se consolidou como ferramenta essencial de continuidade do cuidado e ampliação da cobertura assistencial. Apesar dos benefícios, persistem desafios, como limitações de conectividade, baixa familiaridade com recursos digitais e necessidade de capacitação das equipes. Esses entraves reforçam a importância de estratégias adaptativas e sustentáveis, adequadas às realidades locais, para incorporação efetiva das tecnologias digitais às políticas públicas de saúde amazônicas. Conclusão: O telemonitoramento constitui ferramenta promissora para aprimorar a atenção primária à saúde em comunidades ribeirinhas amazônicas, favorecendo o acesso e a continuidade do cuidado. Contudo, seu êxito depende da superação de obstáculos estruturais, tecnológicos e educacionais. A adoção de estratégias que considerem as especificidades locais é essencial para garantir eficácia e adesão comunitária das iniciativas de telemonitoramento nessas populações.
É com grande satisfação que apresentamos os Anais do I Congresso Paraense de Saúde Preventiva, um marco pioneiro no cenário da saúde no Pará e uma iniciativa que reafirma o compromisso da Sociedade Médico Cirúrgica do Pará (SMCP) com a construção de um futuro mais saudável, sustentável e baseado em evidências científicas.
Este volume reúne os resumos aceitos e apresentados no congresso, disponibilizados em formato digital para ampliar o acesso ao conhecimento e valorizar a produção acadêmica e profissional dos participantes. Trata-se de um mosaico de ideias, pesquisas, experiências e reflexões que expressam a pluralidade e a riqueza da saúde preventiva em suas diversas dimensões — clínica, social, ambiental, tecnológica e educacional.
Os trabalhos aqui publicados representam não apenas o esforço individual de seus autores, mas também o ambiente fértil de diálogo que o congresso proporcionou. Cada resumo reflete a busca por soluções inovadoras, práticas sustentáveis e estratégias de promoção da qualidade de vida, alinhadas ao tema central desta edição.
Ao disponibilizarmos estes Anais no ambiente digital, reforçamos nossa missão de democratizar o acesso à informação, estimular a pesquisa local e incentivar a participação de estudantes, profissionais e instituições na construção de uma agenda integrada de prevenção e cuidado.
Agradecemos a todos os pesquisadores, orientadores, avaliadores e membros da comissão científica pela dedicação e pelo compromisso com a excelência. Que este documento sirva como registro histórico e, ao mesmo tempo, como inspiração para novas investigações, projetos e parcerias.
Que os Anais do I Congresso Paraense de Saúde Preventiva contribuam para fortalecer uma cultura de conhecimento, inovação e responsabilidade coletiva — bases essenciais para uma saúde verdadeiramente transformadora.
Belém, dezembro de 2025
Sociedade Médico Cirúrgica do Pará – SMCP
Comissão Organizadora
I Congresso de Saúde Preventiva
Comissão Científica