O deslocamento venezuelano é o mais recente movimento migratório ao Brasil. Porém, a busca por melhores condições laborais nem sempre é promissora, com relatos de, até mesmo, trabalho análogo à escravidão. Desse modo, justificando-se pela necessidade de visibilizar a situação, este resumo objetivou apresentar a vivência de um migrante venezuelano no Brasil, destacando percepções de trabalhos precarizados e, até mesmo, análogos à escravidão. Este estudo de caso demonstra isto ao apresentar a história de Jose, migrante autodenominado pardo de 31 anos que relatou como se davam as relações de trabalho após cruzar a fronteira com o Brasil. A entrevista semiestruturada foi interpretada pela Análise de Conteúdo, conforme preconizado por Bardin (2011), com categorias a posteriori. Pelos relatos de Jose, coloca-se como categorias exploradas: diferenciação no tratamento concedido a estrangeiros, tratamentos verbais desrespeitosos e xenofobia, e trabalho análogo à escravidão. Não obstante, Jose ainda coloca a percepção da criação de um mercado de comércio de trabalhadores venezuelanos, percebendo-se que sua experiência no interior do norte do Brasil resultou em condições degradantes, retenção salarial, afazer e jornada exaustivas. A vivência de Jose, semelhante a outras, denota a urgência da discussão acerca migração e as relações laborais, escrachadamente precárias, quando não análogas à escravidão. Há agenda de pesquisa para temática da escravidão contemporânea em migrantes.
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Victor Barros
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