As meningites bacteriana e viral consistem na inflamação das meninges, diferindo os modos de transmissão, sendo predominantemente respiratória para bactérias e fecal-oral para a maioria dos vírus. No cenário brasileiro, os principais agentes etiológicos são a Neisseria meningitidis e os Enterovírus. A relevância epidemiológica do agravo na Região Norte é corroborada pelo aumento de notificações, passando de 459 casos em 2023 para 534 em 2024, e pelo caráter endêmico para doenças infectocontagiosas, incluindo meningite. A pesquisa objetiva analisar o padrão temporal da ocorrência de meningite bacteriana e viral na Região Norte do Brasil, no período de 2020 a 2024, buscando identificar tendências e possíveis padrões sazonais. Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo e retrospectivo, com abordagem quantitativa, baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), via DATASUS/Tabnet. O recorte temporal compreendeu o período de 2020 a 2024 na Região Norte do Brasil. Foram analisadas as variáveis: número de notificações, perfil clínico- demográfico e etiologia. O processamento dos dados focou na correlação entre sazonalidade e caráter etiológico, investigando especificamente o padrão de aumento das notificações de meningite bacteriana no período de dezembro a maio, comparado à distribuição da meningite viral durante o ano. A análise utilizou estatística descritiva simples, com exposição dos dados através da frequência absoluta, relativa e as taxas de incidência mensais ao longo do ano. No período de 2020 a 2024, foram notificados 2.399 casos de meningite na Região Norte do Brasil, dentre esses, a infecção bacteriana foi responsável por 42,68% (1.024) dos casos, 21,05% (505) foram ocasionados por infecção viral e 36,27% (870) causados por outros agentes etiológicos. Acerca da distribuição sazonal da patologia, denota-se que 58,3% dos casos de meningite bacteriana foram notificados entre dezembro e maio, com picos infecciosos nos meses de janeiro e abril. Ademais, a transmissão viral mostrou-se uniforme nas análises anuais dentro do período observado, com desvio-padrão amostral (DP) de 7,6, diferentemente dos casos de infecção bacteriana, cuja análise refletiu em DP de 19,03, dados que corroboram a hipótese de sazonalidade da meningite bacteriana. Observa-se também uma flutuação considerável nos aumentos percentuais anuais no intervalo de 2020 a 2023, cuja variância amostral (Var) foi de 420. Associado ao perfil demográfico, nota-se predominância de notificação por meningite na população parda, que abarca 84,96% do contágio total. Conclui-se que a distribuição etiológica da meningite apresenta comportamentos distintos quanto à sazonalidade. Identificou-se um padrão sazonal evidente da meningite bacteriana, com maior concentração de casos entre dezembro e maio e máximas entre janeiro e abril, o que corresponde ao regime de chuvas intensas na Região Norte. Conquanto, a meningite viral manteve-se uniforme no intervalo analisado, exibindo padrão não sazonal. As oscilações nas notificações entre 2020 e 2023 provavelmente refletem o impacto pandêmico da Covid-19, caracterizada por subnotificação de outras doenças infecciosas. O aumento observado em 2024 reforça a relevância epidemiológica do agravo na região. Esses achados fortalecem a compreensão da interação entre fatores climáticos e doenças infecciosas e podem subsidiar estratégias de vigilância e ações preventivas direcionadas aos períodos críticos.
Comissão Organizadora
Encontro do BAIP
CARLOS HUMBERTO DA SILVA FAVACHO FILHO
Comissão Científica