DOENÇA DE CHAGAS: TRANSMISSÃO ORAL x VETORIAL

  • Autor
  • Gilson Fagner de Assis Almeida e Silva
  • Co-autores
  • Jessica Bruna Gomes Teixeira , Rossela Damasceno Caldeira
  • Resumo
  • Carlos Chagas descreveu a Doença de Chagas há mais de 100 anos, e sabe-se que é uma doença endêmica causada por um protozoário do gênero Trypanosoma, cuja espécie é o Trypanosoma cruzi. Tradicionalmente a doença sempre foi associada à transmissão vetorial domiciliar na zona rural, porém, ao longo do tempo, esse processo sofreu modificações epidemiológicas significativas, onde a via oral emergiu como a principal forma de transmissão no Brasil, em especial na região norte, deslocando o cenário para áreas urbanas e associando-se a cadeias de produção alimentar. Dados oficiais do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo DataSUS, apresentam um panorama da prevalência e das características epidemiológicas dos casos agudos de doença de Chagas por transmissão oral no Brasil, na qual foi feita uma análise descritiva e retrospectiva destes dados, com foco na variável "forma de transmissão", no período de 2007 a 2024. Os resultados demonstraram que, a partir da década de 2000 a transmissão oral passou a responder pela maioria absoluta dos casos agudos notificados. Representando, atualmente, cerca de 98% das transmissões identificadas, e evidenciando assim, que os surtos por via oral não estão mais restritos a áreas rurais endêmicas, mas também, em áreas urbanas de outras regiões, devido à distribuição comercial de alimentos, dentre os quais destacam-se o açaí, o caldo de cana, a bacaba, o guaraná entre outros. Esses dados do DataSUS/SINAN refletem uma crítica mudança epidemiológica, onde a transmissão oral representa, hoje, o maior desafio para o controle da fase aguda da Doença de Chagas no Brasil. A vigilância deve migrar de um foco exclusivo no controle vetorial domiciliar para um fortalecimento da vigilância sanitária de alimentos, especialmente os de consumo “in natura” e de processamento artesanal. A subnotificação ainda é um entrave. Este cenário exige uma maior integração entre as vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental, com: implementação e fiscalização de tecnologias de processamento (como a pasteurização/branqueamento) para

    inativar o T. cruzi em alimentos de risco, como o açaí; orientações à população e aos produtores sobre os riscos e a necessidade de tratamento adequado dos alimentos e alertar a rede de saúde, inclusive em áreas urbanas, para o diagnóstico rápido da fase aguda, considerando a via oral.

  • Palavras-chave
  • Doença de Chagas; Transmissão oral; Transmissão vetorial
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Parasitologia, Biologia e Controle de Vetores
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