O estudo de carrapatos é fundamental para a Saúde Única, especialmente por sua relevância como vetores de patógenos, com destaque para o gênero Amblyomma. Compreender a presença, distribuição e abundância das espécies de Amblyomma em ambientes compartilhados entre humanos e animais possibilita identificar áreas de risco, orientar ações de vigilância e contribuir para estratégias de prevenção, especialmente de riquetsioses como a febre maculosa. Este trabalho pretendeu registrar a ocorrência de carrapatos no campus de Belém da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). No campus, são mantidas espécies domésticas, como equinos, ruminantes, cães, gatos e aves, inseridos em atividades acadêmicas, e ocorrem espécies silvestres associadas às áreas circunvizinhas, principalmente capivaras. As coletas foram feitas em novembro de 2025, em quatro áreas do campus por meio do arraste de flanela (70cm × 160cm), em dois períodos do dia (entre 8h e 10:30h e entre 16:30h às 17:00h). Os pontos de coleta eram próximos aos biotérios (bubalinocultura, canil e gatil) e de prédios destinados a aulas e atividades administrativas (prédios do curso de Medicina Veterinária, Zootecnia e Engenharia de Pesca). Em cada ponto, foram percorridos transectos paralelos de 60 metros a uma velocidade média de 1m/s, com inspeções da flanela a cada 20 metros, mantendo-se uma permanência mínima de cinco minutos em cada área de coleta. Os carrapatos aderidos ao tecido foram removidos com pinça, acondicionados em frascos com álcool 70% para posterior exame por microscopia óptica no Laboratório de Parasitologia Veterinária. Os resultados indicaram dois pontos positivos (pontos 1 e 4) entre quatro avaliados. Foram coletados 1.569 espécimes (8 adultos, 42 ninfas e 1.519 larvas), identificados como Amblyomma. A média de carrapatos entre os quatro pontos foi de 392,25 indivíduos ±783,89. No ponto 4 (próximo ao prédio de Engenharia da Pesca), a coleta teve que ser interrompida após dois minutos devido à intensa infestação. A contagem das larvas resultante deste ponto foi feita por estimativa, com base na área total da flanela (56m2), devido ao grande número de indivíduos. A predominância de larvas (cerca de 90% das formas observadas), corrobora outros trabalhos que sugerem o maior número de formas jovens no período de transição entre as estações seca e chuvosa, favorecidas por condições de sombreamento e umidade. Os pontos 2 e 3, onde não foi coletado nenhum carrapato, correspondem a áreas abertas, com pouca sombra e vegetação rasteira. A presença intensa de carrapatos no ponto 4 demonstra o padrão agregado de parasitismo, geralmente associado à presença de espécies hospedeiras de predileção, como as capivaras. A população de capivaras no campus tem mostrado evidente aumento nos últimos anos, provavelmente atraídas por áreas inundadas, disponibilidade de alimento e impacto no habitat natural circundante. Os achados preliminares deste trabalho são suficientes para evidenciar a necessidade de monitoramento contínuo das populações de carrapatos e de capivaras, bem como ações educativas, visando reduzir o risco de contato entre a comunidade acadêmica e carrapatos vetores.
Comissão Organizadora
Encontro do BAIP
CARLOS HUMBERTO DA SILVA FAVACHO FILHO
Comissão Científica