A pandemia de COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, configurou-se como um dos maiores desafios de saúde pública devido ao seu grande impacto clínico e socioeconômico. A doença apresenta manifestações clínicas variadas, desde infecções assintomáticas até casos graves e óbitos. Uma vez infectado, a variabilidade da resposta imunológica apresentada por cada indivíduo é um dos principais fatores responsáveis pela diferenciação nos sintomas. As citocinas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias atuam como reguladoras desse processo, mas a produção excessiva pode se tornar prejudicial ao organismo do hospedeiro. A tempestade de citocinas ocorre por meio da desregulação da resposta imune contribuindo para a gravidade da COVID-19, causando danos teciduais e inflamação sistêmica. A interleucina 2 (IL-2) é uma citocina pró-inflamatória que desempenha papel fundamental na regulação dos linfócitos. Polimorfismos na sua região promotora podem influenciar na resposta imunológica contra infecções virais, por meio das interações entre os fatores genéticos e a gravidade da doença. Sendo assim, este estudo visa determinar os genótipos do SNP rs2069762 (-330 T/G) na região promotora do gene IL-2 em indivíduos sintomáticos diagnosticados com SARS-CoV-2 na região metropolitana de Belém e associar ao quadro clínico. Foram incluídas 94 amostras de sangue total de indivíduos sintomáticos diagnosticados com SARS-CoV-2 por RT-qPCR, atendidos em dois postos de assistência médica na região metropolitana de Belém, entre maio de 2021 e setembro de 2022. Dados clínicos e sociodemográficos foram obtidos por fichas de preenchimento, e a caracterização genotípica do SNP foi conduzida por qPCR. As análises estatísticas foram realizadas no software BioEstat 5.3, com avaliação das frequências alélicas, genotípicas e do equilíbrio de Hardy-Weinberg, além da aplicação do teste do Qui-quadrado para comparação entre genótipos, manifestações clínicas e comorbidades. A população estudada apresentou média de idade de 42,31 anos, com maior prevalência do sexo feminino. A escolaridade predominante foi ensino médio e superior completos. A maioria estava vacinada com pelo menos duas doses contra COVID-19 (61,7%). Das 94 amostras analisadas, seis não apresentaram amplificação durante a qPCR, reduzindo o total de resultados válidos para 88. O genótipo TT foi o mais frequente (51,1%), seguido por TG (38,6%) e GG (10,2%). As frequências alélicas foram 70,4% para T e 29,5% para G, (p=0,499). A avaliação clínica mostrou predomínio de sintomas leves a moderados, sendo a tosse, dor de garganta e dor de cabeça as mais frequentes entre as 16 manifestações clínicas incluídas nesta pesquisa. Quanto às comorbidades, hipertensão, diabetes e doença pulmonar crônica foram as mais frequentes entre as cinco principais relatadas pelos participantes. Não foram observadas diferenças estatísticas significativas das principais sintomatologias e das comorbidades entre genótipos. Os resultados do polimorfismo rs2069762 no gene IL-2 mostraram distribuição da população em equilíbrio de Hardy-Weinberg, sem associação significativa entre genótipos com os sintomas da COVID-19 e comorbidades na população estudada. A complexidade da resposta imunológica à COVID-19 sugere que múltiplos fatores genéticos e ambientais devem ser considerados, para que investigações adicionais sejam realizadas para esclarecer o papel desse e de outros polimorfismos no gene IL-2 na influência da manifestação clínica da doença.
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Encontro do BAIP
CARLOS HUMBERTO DA SILVA FAVACHO FILHO
Comissão Científica