As mudanças climáticas têm alterado padrões ambientais, especialmente temperatura e umidade. Esse cenário favorece a dinâmica das doenças cutâneas relacionadas a instabilidade climatológica, como diferentes dermatites. A pitiríase versicolor, causada por fungos do gênero Malassezia, é uma condição imunomediada sensível a estressores ambientais, incluindo variações climáticas extremas, ondas de calor, frio intenso e maior exposição a poluentes, que intensificam o estresse oxidativo e a inflamação. Diante disso, torna-se essencial ampliar pesquisas sobre terapias eficazes, seguras e acessíveis para doenças infecciosas e inflamatórias da pele. Assim, este estudo buscou avaliar a qualidade das informações, o cumprimento das normas e a segurança de produtos voltados ao tratamento da pitiríase versicolor disponíveis no comércio on-line, destacando possíveis implicações para a saúde do consumidor. Entre outubro e novembro de 2025, procedeu-se à análise documental sistemática de 18 produtos relacionados ao tratamento tópico da tinea versicolor, comercializados em lojas virtuais. Utilizou-se como caráter de filtragem: nome comercial, tipo de produto, ingrediente ativo principal e sua concentração, registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), indicação etária, detalhamento do modo de uso, advertências de segurança, tempo de ação, propagandas enganosas ou absolutas quanto à eficácia e categoria da loja digital. Dos 18 produtos analisados, 12 apresentaram rotulagem adequada, informações claras e situação regular conforme as normas da ANVISA. Esses produtos, em geral comercializados por farmácias digitais autorizadas, continham princípios ativos reconhecidos por sua eficácia terapêutica, como cetoconazol, fentizol e nitrato de miconazol, todos pertencentes ao grupo de antifúngicos legalizados pelo Ministério da Saúde. Contrastando, 6 produtos exibiram irregularidades relevantes, incluindo rotulagem incompleta, ausência de composição química, falta de registro sanitário e uso de alegações enganosas, como “cura rápida” e “extra forte”, com o intuito de induzir a compra. Muitos desses itens são ofertados como artigos “naturais” ou “artesanais”, porém sem transparência sobre sua formulação. Um caso particularmente crítico envolveu um creme anunciado em uma loja digital de vestuário, descrito como “creme de ervas naturais suave e não irritante”, mas sem exibir composição, modo de ação ou registro no Ministério da Saúde, configurando potencial fraude, adulteração ou falsificação, representando infração sanitária grave. De forma geral, os resultados indicam que, embora haja ampla oferta de produtos regulamentados e seguros, ainda circulam no comércio on-line itens irregulares que representam riscos aos consumidores. A presença de dermocosméticos e fitoterápicos devidamente legalizados demonstra que terapias naturais podem ser seguras e eficazes, entretanto, ainda proliferam-se apelos mercadológicos que exploram o termo “natural” para mascarar formulações sem comprovação ou respaldo sanitário. Assim, os achados evidenciam a urgência de fortalecer mecanismos de controle no comércio digital, garantindo que produtos destinados ao tratamento da pitiríase versicolor sejam regulamentados, seguros e transparentes em sua composição. A ampliação da fiscalização, associada a ações educativas voltadas ao consumidor, mostra-se essencial para mitigar riscos sanitários e promover escolhas informadas. Reconhecendo essas fragilidades e propondo estratégias de enfrentamento, reforça-se o compromisso com a proteção da saúde pública e a construção de um ambiente virtual seguro e responsável para a aquisição de produtos dermatológicos.
Comissão Organizadora
Encontro do BAIP
CARLOS HUMBERTO DA SILVA FAVACHO FILHO
Comissão Científica