PERFIL MICROBIANO DE INFECÇÕES OCULARES NÃO TRACOMATOSAS EM CRIANÇAS DE COMUNIDADES INDÍGENAS DO TOCANTINS

  • Autor
  • jeany daniely siqueira cardoso da rocha
  • Co-autores
  • Joana da Felicidade Ribeiro Favacho , Daniela Cristina Soares Vieira , Herald Souza dos Reis , Joao Gabriel Souza Alves da Silva , Luciano Chaves Franco Filho
  • Resumo
  • As infecções bacterianas oculares são frequentes entre povos indígenas da região  Norte, que enfrentam vulnerabilidades relacionadas ao acesso limitado a serviços de saúde,  condições de higiene precárias e barreiras socioculturais. A exposição contínua a ambientes  insalubres e dificuldade de diagnósticos favorecem a propagação dessas infecções, tornando  essencial compreender seus impactos e desafios específicos nessas comunidades tradicionais.  Avaliar a ocorrência de infecções bacterianas oculares não tracomatosas em crianças  pertencentes a duas comunidades indígenas (Formoso e Tocantínea) localizadas no estado do  Tocantins. As amostras foram obtidas em colaboração com o Instituto  Evandro Chagas durante o Inquérito Nacional de Validação da Eliminação do Tracoma como  problema de Saúde Pública. Foram analisados 12 swabs oculares de crianças indígenas que  apresentavam sinais clínicos de infecção e apresentaram resultado negativo de qPCR para  Chlamydia trachomatis. A partir das amostras coletadas, foi extraído DNA bacteriano, que  posteriormente foi sequenciado utilizando a plataforma MinION (Barcodes 1 a 12). Os dados  brutos foram analisados utilizando o pipeline de metagenômica do software EPI2ME v5.2.2. As  análises de HeatMap e a análise de componentes principais (PCA) foram realizadas utilizando a  linguagem de programação Python, com as bibliotecas scikit-learn PCA, Pandas e Matplotlib.  Dos 12 barcodes analisados, as famílias bacterianas mais abundantes foram  Enterobacteriaceae, Staphylococcaceae, Streptomycetaceae e Vibrionaceae. Entre as espécies  identificadas Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Photobacterium leiognathi foram as mais  frequentes. Observou-se que E. coli, espécie reconhecidamente patogênica mesmo em pequenas  quantidades, apresentou altos níveis nos barcodes 1 e 12. S. aureus, que pode compor a microbiota  de algumas pessoas, mas se torna patogênica em altas concentrações, foi detectada em níveis  elevados no barcode 3, juntamente com P. leiognathi. Esta última não é considerada patogênica  e nem integrante da microbiota humana, sendo geralmente associada a contaminação por água, o  que sugere exposição ambiental nas crianças avaliadas. Também foram encontradas uma grande  quantidade de leituras com correspondência com a espécie Streptomyces sp. NBC_01167,  principalmente nos barcodes 3 e 4, entretanto não existem informações publicadas sobre a  característica desse isolado, somente que faz parte das coleções biológicas do Nordisk  Foundation Center for Biosustainability. A análise de PCA evidenciou uma diferenciação clara  na estrutura da comunidade microbiana nos barcodes 1, 3 e 12, enquanto as demais apresentaram  padrões semelhantes, agrupando-se de forma mais próxima na análise. A análise  revelou que a maioria das crianças apresentou um perfil microbiano compatível com a microbiota  ocular normal, o que foi reforçado pela PCA, na qual esses barcodes agruparam-se de forma  próxima, indicando quadros possivelmente saudáveis com sinais clínicos residuais de infecções  prévias, provavelmente por tracoma. Em contraste, os barcodes 1, 3 e 12 formaram agrupamentos  separados no PCA e apresentaram maior abundância de bactérias patogênicas, sugerindo quadros infecciosos ativos. Esses achados destacam a importância do monitoramento microbiológico e da  melhoria das condições de higiene e assistência e saúde para prevenir e identificar precocemente  infecções oculares em comunidades indígenas.

  • Palavras-chave
  • Crianças indígenas; Microbiota ocular; Região Norte; Sequenciamento MinION.
  • Modalidade
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  • Microbiologia
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