O Schrankiana Travassos, 1925 compreende nematoides gastrintestinais encontrados em
anuros sul-americanos, especialmente espécies do gênero Leptodactylus Fitzinger, 1826 [1].
Essas espécies são morfologicamente semelhantes, o que frequentemente pode levar a
confusão e erros de identificação. Recentemente, Félix et al. [2], na redescrição de
Schrankiana formosula (Freitas, 1959) Félix, 2024, utilizando dados morfológicos e
moleculares, destacaram a importância de métodos detalhados para a identificação das
espécies [2]. Assim, este estudo tem como objetivo caracterizar a ultraestrutura de
Schrankiana brasili Travassos, 1927, parasita de Leptodactylus pentadactylus (Laurenti,
1768) da Floresta Nacional de Caxiuanã, estado do Pará, Brasil. Coletamos, anestesiamos e
necropsiamos anuros para a busca de helmintos (SISBIO: no 48102-2). Após a coleta, os
nematoides foram mortos e preservados em etanol a 70%. Para a análise em microscopia
eletrônica de varredura (MEV), alguns espécimes foram pós-fixados em tetróxido de ósmio
a 1%, desidratados em série de etanol, secos ao ponto crítico com CO2, montados em
suportes metálicos, metalizados com ouro-paládio e observados em um microscópio
eletrônico Vega3 no Laboratório de Biologia Estrutural, Instituto de Ciências Biológicas –
UFPA. Schrankiana brasili difere de seus congêneres pelo maior tamanho corporal e
comprimento do esôfago. Utilizando MEV, confirmamos outros caracteres diagnósticos:
cutícula com finas estriações transversais, asas laterais presentes em ambos os sexos,
abertura oral triangular com três lábios distintos (lábio dorsal com um par de papilas, lábios
subventrais cada um com uma papila grande e um anfid, todos com uma flange cuticular
projetada sobre a abertura oral), vulva não proeminente localizada anteriormente ao ânus,
cauda cônica em ambos os sexos, e o arranjo das papilas caudais dos machos como segue:
três pares de papilas pré-cloacais, três pares acima do lábio cloacal, uma papila ímpar, um
par adcloacal e quatro pares de papilas pós-cloacais. A análise ultraestrutural forneceu
novos dados importantes para a identificação da espécie, contribuindo para a delimitação
diagnóstica de S. brasili e ampliando o conhecimento sobre a diversidade de espécies do
gênero na região Amazônica. Este é o primeiro estudo a apresentar a caracterização
ultraestrutural da espécie.
Comissão Organizadora
Encontro do BAIP
CARLOS HUMBERTO DA SILVA FAVACHO FILHO
Comissão Científica