Neoplasias de cavidade oral e nasal em cães apresentam comportamento invasivo e diagnóstico desafiador, especialmente em lesões pouco diferenciadas. A distinção entre neoplasias mesenquimais malignas e melanoma amelanótico possui implicações diretas no tratamento. Relata-se o caso de um canino, macho, da raça Shih Tzu, 12 anos e 5 meses, com aumento de volume em cavidade oral, estendendo-se para cavidade nasal e seios paranasais, associado à lise óssea e destruição do septo nasal, caracterizando padrão infiltrativo agressivo. Na citologia por punção aspirativa, o laudo foi sugestivo de neoplasia mesenquimal, evidenciando citoplasma basofílico indistinto, núcleos com cromatina frouxa e nucléolo evidente, associados a pleomorfismo moderado. Contudo, o exame histopatológico, realizado por biópsia via rinotomia, revelou neoplasia de células redondas pouco diferenciada, densamente celular, não encapsulada e infiltrativa, tendo o melanoma amelanótico como principal diagnóstico diferencial. O presente caso evidencia as limitações intrínsecas da citologia na designação da origem tumoral em neoplasias pouco diferenciadas, em função da similaridade morfológica entre distintas linhagens celulares e da dificuldade em identificar critérios arquitetônicos e citológicos sutis. Entretanto, o exame histopatológico possibilita a análise integrada da arquitetura tecidual, do padrão de crescimento e de parâmetros morfofuncionais de malignidade, constituindo abordagem diagnóstica indispensável para a determinação precisa da linhagem neoplásica. A precisão do diagnóstico é essencial para guiar a conduta terapêutica, evitar interpretações equivocadas e otimizar o prognóstico, ressaltando que decisões não devem se basear exclusivamente em achados citológicos, mas na correlação entre diferentes métodos diagnósticos.
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