A cinomose, causada pelo Morbillivirus, é uma enfermidade infectocontagiosa de alta morbidade que provoca imunossupressão severa, predispondo a coinfecções como a toxoplasmose. O presente trabalho relata um caso de coinfecção sistêmica em um cão, fêmea, sem raça definida, necropsiado no Hospital Veterinário Universitário da UFCG, que apresentava episódios convulsivos, espasmos musculares e decúbito lateral. Após resultado positivo para presença de anticorpos contra o vírus da cinomose em teste rápido e devido ao prognóstico desfavorável, realizou-se a eutanásia. À necropsia, identificou-se esplenomegalia com hiperplasia linfoide, hepatomegalia com padrão lobular acentuado e pulmões não colapsados com áreas de consolidação, além de uma lesão focalmente extensa e acastanhada no córtex parietal encefálico. O exame histopatológico revelou meningoencefalite linfoplasmocítica com áreas de malácia, associada a numerosos taquizoítos de Toxoplasma gondii no neurópilo e em órgãos viscerais, enquanto a presença de corpúsculos de inclusão virais em células epiteliais da bexiga confirmou a etiologia da cinomose. O caso destaca a interação entre o vírus e o protozoário, concluindo que a imunossupressão viral é um fator crítico que potencializa a disseminação de agentes oportunistas. O desfecho reforça a importância da histopatologia como ferramenta indispensável para o diagnóstico definitivo de coinfecções complexas, especialmente em animais de rua com quadros neurológicos graves.
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