A anestesia em animais silvestres é desafiadora devido à grande diversidade de espécies e à escassez de informações sobre doses e protocolos. Por isso, relatos como este são importantes para ampliar o conhecimento na área. Um gato-mourisco macho, vítima de atropelamento e com ferida aberta do membro pélvico esquerdo em região inguinal, foi atendido no Hospital Veterinário Adílio Santos de Azevedo. O animal estava agressivo, impossibilitando o exame clínico. Para contenção, realizou-se sedação por via intramuscular com Telazol ® (tiletamina + zolazepam), as primeiras doses insuficientes, sendo necessária dose de 5 mg/kg, que então permitiu a aproximação da equipe e avaliação do animal. Após decidida intervenção cirúrgica para limpeza e sutura da ferida, a indução anestésica foi realizada com propofol (4 mg/kg) por via intravenosa, seguido de bloqueio epidural lombossacral com lidocaína 2% com vasoconstritor (0,22 ml/kg). A manutenção anestésica foi feita com isoflurano. Durante o procedimento, os parâmetros vitais permaneceram estáveis e a cirurgia durou cerca de 2 horas, ocorrendo sem intercorrências. Conclui-se que os repiques iniciais de Telazol ® , insuficientes para sedação, se deram provavelmente devido ao alto grau de estresse do animal. O relato demonstra que o uso de Telazol ® para contenção, seguido de propofol e isoflurano para anestesia pode ser uma alternativa segura e eficaz em felídeos silvestres.
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