As deformidades angulares dos membros em pequenos animais são caracterizadas por desvios do eixo mecânico dos ossos longos, frequentemente associados a componentes rotacionais, podendo resultar em alterações biomecânicas e comprometimento locomotor. As alterações são prevalentes durante a fase de crescimento, e associadas a distúrbios fisários, fatores congênitos, traumas ou influências intrauterinas. Objetivou-se relatar um caso destacando a abordagem conservadora de deformidade angular associada à rotação axial em membro pélvico de felino jovem, e suas considerações etiopatogênicas, enfatizando o diagnóstico e evolução clínica. Foi atendido no Hospital Veterinário Universitário Prof. Ivon Macêdo Tabosa, da Universidade Federal de Campina Grande, um felino, fêmea, sem padrão racial definido, com quatro meses de idade, apresentando desvio angular evidente em membro pélvico, sem histórico de trauma. Ao exame clínico, observou-se alteração locomotora sem déficit proprioceptivo, sugerindo comprometimento predominantemente mecânico. Radiografias em projeções ortogonais evidenciaram desalinhamento do eixo ósseo associado à rotação axial, sem fraturas ou luxações. Instituiu-se tratamento conservador por meio de imobilização externa utilizando bandagem de Robert Jones modificada, visando suporte tecidual e estabilização durante o crescimento. Observou-se evolução clínica favorável da paciente, com recuperação funcional progressiva; e a gata apresenta deambulação normal, sem dor ou limitações de locomoção. A ocorrência de casos semelhantes na mesma ninhada sugere possível influência de fatores intrauterinos. Conclui-se que são multifatoriais a etiologia das deformidades angulares dos membros em pequenos animais e uma abordagem conservadora em felinos jovens na fase de crescimento pode ser eficaz na recuperação da locomoção.
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