A intoxicação por agrotóxicos constitui uma importante causa de atendimentos emergenciais na clínica de pequenos animais, especialmente em regiões agrícolas do semiárido brasileiro. O presente trabalho teve como objetivo relatar um caso de intoxicação por pesticidas associado a alterações oftálmicas em um cão no Seridó Oriental do Rio Grande do Norte. A metodologia consistiu em um relato de caso clínico de um cão da raça Labrador Retriever, com histórico de exposição ambiental a agrotóxicos utilizados em cultivo de tomate. O diagnóstico foi estabelecido com base na anamnese, exame clínico, manifestações neurológicas e oftálmicas, além da exclusão de outras enfermidades oculares primárias. O animal apresentou apatia, hipersalivação, alterações neurológicas, midríase bilateral, redução da resposta pupilar à luz e secreção ocular. O tratamento instituído incluiu medidas de descontaminação, terapia de suporte e tratamento sintomático, resultando em evolução clínica satisfatória e regressão parcial das alterações oftálmicas. Os resultados demonstram a possível associação entre exposição ao imidacloprido, inseticida neonicotinoide, e ao mancozebe, fungicida ditiocarbamato, com manifestações sistêmicas e oculares em cães. Conclui-se que a identificação precoce dos sinais clínicos e a adoção rápida de medidas terapêuticas são fundamentais para o prognóstico favorável, além de destacar a necessidade de maior investigação sobre os efeitos oftálmicos decorrentes da intoxicação por agrotóxicos em animais domésticos.
Palavras-chave: Imidacloprido; Mancozebe; Alterações oftálmicas.
Comissão Organizadora
Congresso Paraibano de Medicina Veterinária
Comissão Científica