A criptosporidiose bovina é uma zoonose de impacto mundial que causa diarreia neonatal, atraso no desenvolvimento e perdas econômicas significativas, especialmente na agricultura familiar. O presente estudo objetivou caracterizar o perfil sociodemográfico e as práticas sanitárias de produtores rurais no Sertão Paraibano, os parâmetros zootécnicos das propriedades, além de implementar e avaliar o impacto de uma intervenção educativa na prevenção da doença. A pesquisa foi realizada em 21 propriedades de bovinocultura leiteira e mista nos municípios de Sousa e Nazarezinho (PB). A metodologia dividiu-se em diagnóstico pré-intervenção, ação educativa in loco (palestras e entrega de material informativo) e avaliação pós-intervenção. O diagnóstico inicial revelou um cenário de alta vulnerabilidade, caracterizado por produtores de baixa escolaridade e renda, onde 100% (21/21) das propriedades apresentavam casos de diarreia em bezerros e forneciam água de fonte não tratada aos animais. Apenas 4,8% (1/21) conheciam a forma de transmissão da doença, predominando o uso empírico de antimicrobianos (66,7%; 14/21) no lugar da prevenção. Após a intervenção, a compreensão sobre a transmissão fecal-oral subiu para 81,0% (17/21). Houve expressiva adoção de medidas profiláticas de baixo custo, destacando-se o isolamento de animais doentes (71,4%; 15/21) e a maior higienização de cochos e bebedouros (42,9%; 9/21). Como resultado prático dessa mudança comportamental, 76,2% (16/21) dos tratadores relataram a redução dos quadros de diarreia neonatal, validando a eficácia da extensão rural como estratégia de Saúde Única.
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