Introdução: Leishmaniose tegumentar americana (LTA) é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoário do gênero Leishmania, cuja transmissão vetorial se faz por flebotomíneos do gênero Lutzomyia (BRASIL, 2019a). Primariamente, é uma infecção zoonótica, afetando outros animais que não o ser humano, o qual pode ser envolvido secundariamente, e que se manifesta classicamente sob a forma cutânea e mucosa (ou mucocutânea), com apresentação de diferentes manifestações clínicas (BRASIL, 2013, 2019a,) No Brasil, possui registro em todas as unidades federadas, sendo umas das afecções dermatológicas que merece mais atenção, devido à sua magnitude, assim como pelo risco de ocorrência de deformidades que pode produzir no ser humano, e também pelo envolvimento psicológico, com reflexos no campo social e econômico, uma vez que, na maioria dos casos, pode ser considerada uma doença ocupacional (BRASIL, 2013; JÚNIOR, 2019). A partir da década de 90, o Ministério da Saúde notificou uma média anual de 32 mil novos casos de LTA e analisando-se os dados pertinentes em 2003, verificou-se que somente a Região Norte notificou aproximadamente 45% dos casos, predominando os estados do Pará, Amazonas e Rondônia (BRASIL, 2006). Neste cenário logrou-se descrever a casuística de LTA no município de Medicilândia, mesorregião do estado do Pará. Objetivo: identificar os aspectos clínico-epidemiológicos e sociodemográficos de leishmaniose tegumentar americana no município de Medicilândia-PA. Metodologia: realizou-se estudo descritivo quantitativo do banco de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN, por município de residência, no período de 2007 a 2017, sendo os dados tabulados com auxílio do software TABWIN do Ministério da Saúde, Epi Info versão 7.2.3.1 (Centro de Controle e Prevenção de Doenças – CDC, Atlanta, Estados Unidos) e em planilhas do Microsoft Office Excel para produção de gráficos e tabelas para posterior análise estatística simples. Resultados e Discussão: observou-se que o município apresenta-se no 1º lugar em número de LTA no estado com 1.838 casos (4,63%), com a seguinte distribuição anual: 2007 (256 casos); 2008 (217); 2009 (213); 2010 (98); 2011 (147); 2012 (232); 2013 (90); 2014 (131); 2015 (160); 2016 (67) e 2017 (227); a média de coeficiente de prevalência no período estudado foi de 6,29/1.000 habitantes. Observou-se 3 picos da doença: 2007 (13,93%) 2012 (12,62%) e 2017 (12,35%). Picos de transmissões foram observados a cada cinco anos, apresentando tendência de aumento do número de casos, a partir do ano de 1985, quando se solidifica a implantação das ações de vigilância e controle da LTA no país (BRASIL, 2013). Em relação aos meses de maior ocorrência no município destacou-se entre janeiro e abril (60,12%) e média de 153,17 casos mensal. Segundo Bastos e Pachêco (2005) os meses de maior frequência de chuvas na microrregião onde encontra-se Medicilândia vão de janeiro a abril. Resalta-se ainda que o período que antecede às chuvas ou imediatamente após é mais favorável ao aumento da densidade vetorial (BRASIL, 2013). Houve predomínio de casos na zona rural (86,67%), acometendo mais o sexo masculino (70,35%), com casos em gestantes (1 no 1º trimestre, 1 no 2º trimestre e 9 com idade gestacional desconhecida) ; principalmente em adultos (62,84%), seguido de adolescentes (16,49%), crianças e idoso (4,95%) e escolaridade de 1ª a 4ª série incompleta do ensino fundamental (30,69%). Embora as informações sobre a ocupação frequentemente estejam ignoradas/branco (51,69%), observou-se que 18,72% dos casos corresponderam a trabalhadores volantes da agricultura (18,72%), seguido de produtor agrícola polivalente (12,13%) e estudantes (10,77%), sendo que a doença na maioria não estava relacionada ao trabalho (52,50%). Estudos indicam que a doença atinge principalmente indivíduos do sexo masculino, jovens e adultos, em fase produtiva, o que caracteriza a ocorrência ocupacional nas frentes de trabalho, associada ao desflorestamento, penetração em áreas de florestas virgens e, em áreas endêmicas, pode haver percentuais expressivos de crianças acometidas pela doença (BRASIL, 2013). Predominou-se a forma clínica cutânea da doença (99,46%), dos quais 99,62% apresentaram presença de lesões. Em relação ao diagnóstico, frequentemente foi por critério laboratorial (97,28%), positivadas por intermédio de exame parasitológico direto (96,95%), geralmente representados por casos autóctones do município de residência (98,97%), com infecções de LTA usualmente de casos novos (94,34%) e recidivantes (5,66%). Ademais, observou-se 5 casos de coinfecção com HIV. A droga de tratamento inicial foi antimonial pentavalente (99,67%), a qual é considerada droga de primeira escolha, com exceção dos pacientes coinfectados com HIV e gestantes (BRASIL, 2019), entretanto observou-se que esses casos de exceção foram tratados com antimonial pentavalente em Medicilândia, ou houve erro de preenchimento das notificações. Frequentemente os casos evoluíram para cura (99,62%) com 1 óbito por outras causas. A leishmaniose cutânea é uma doença benigna e, na maioria dos casos, resolve-se após alguns meses, mesmo sem tratamento, bem como considera-se que algumas pessoas possam se infectar sem desenvolver doença (BRASIL, 2013). No tocante ao encerramento oportuno, 91,40% dos casos encontravam-se dentro do prazo. Ressaltando-se que todo caso de LTA deve ser encerrado de forma oportuna, conforme evolução clínica do paciente, preferencialmente, não se deixando ultrapassar o período máximo de 180 dias após a noti?cação (BRASIL, 2019a). Considerações finais: a LTA em Medicilândia ocorre com frequência em habitantes do sexo masculino residentes na zona rural, cujas ocupações não são registradas habitualmente no SINAN, bem como não está associada ao trabalho. Os acometidos em sua maioria são representados por autoctonias de casos novos de infecção e poucas recidivas, geralmente de forma cutânea da doença, confirmados por exames parasitológicos e tratados com antimonial pentavalente, inclusive os que deveriam ser medicados com Anfoterecina B, como nos casos de coinfectados por HIV e gestantes detectados no estudo, a menos que estes resultados sejam decorrente de erro de preenchimento de ficha de notificação. Embora a maioria dos casos tenham evoluído à cura, nem todo caso foi fechado oportunamente. Ressaltando-se que os casos têm acompanhado o ciclo de maior pluviosidade em Medicilândia, ou seja, de janeiro a abril, bem como evidenciou-se picos períodos da doença a cada 5 anos, fato comumente destacado na literatura brasileira. Ademais, Medicilândia ocupa o 1º lugar em casos de LTA no estado do Pará, o que deve ser motivo de investigação e avaliação, pois o panorama dos dados da doença no SINAN demostra condição de eleva relevância epidemiológica do município.
dinâmica socioambienta da região Amazônica dá a ela um perfil epidemiológico próprio. Pensando nisso, ocorrerá nos dias 28 e 29 de novembro, a Segunda Jornada Cientifica LIDIPA - As Doenças infecto-parasitárias Emergentes no Contexto da Saúde Pública Amazônica.
O estado do Pará é referência para o Brasil e para o mundo em estudos, pesquisas e ensino nesta área. Daí a necessidade desta II JORNADA, com diversos doutores, especialistas, professores e alunos para abordarmos essas temáticas tão importantes e atuais da nossa região, como a CHIKUNGUNYA, FEBRE AMARELA, MALÁRIA, DOENÇAS DE CHAGAS, HPV, ZIKA VÍRUS E DENGUE entre outras doenças que afetam a população Amazônida.
A jornada é uma iniciativa da Liga interdisciplinar de doenças infecto parasitárias na Amazônia-LIDIPA criada após a realização do I simpósio de Doenças infecto parasitárias na Amazônia-SDIPA que correu no ano de 2017.
A novidade nesta II edição da JORNADA CIENTIFICA DA LIDIPA onde teremos aSubmissão de Trabalhos com ANAIS, um grande avanço para os membros da liga e para os alunos que gostam desta área poderem apresentar suas produções cientificas e acadêmicas.
Outra novidade é este instrumento(o site do evento)que estaremos utilizando como uma forma de maior organização do nosso evento.
Outra novidade também é a realização das apresentações de trabalhos que contarão com uma roda de conversa após o término de cada eixo temático onde será discutido a realidade do País, Região Amazônica e do Estado em relação as pesquisas desenvolvidas, que com certeza serão de extrema relevância para o contexto de nossa região.
Além de focar nas doenças, a jornada trabalhará o aspecto humano, como a conduta da equipe de saúde e o relacionamento dos profissionais com a comunidade no sentido de prevenção, orientação e atuação ativa.
Desejemos que todos sejam bem-vindos a II JORNADA CIENTÍFICA DA LIDIPA e possamos fazer um belo evento.
Everton Wanzeler
Presidente da LIDIPA
II JORNADA CIENTÍFICA DA LIDIPA NORMAS PARA SUBMISSÃO DE TRABALHOS
A comissão organizadora convida a todos (as) os envolvidos (as) no âmbito do ensino, pesquisa e extensão, a compartilharem seus trabalhos e experiências na II Jornada Cientifica da LIDIPA. Tendo como tema principal “As Doenças Infecto-parasitárias Reemergentes no Contexto da Saúde Pública Amazônica”
I- INFORMAÇÕES GERAIS
A II Jornada Cientifica da LIDIPA espera receber resumos de trabalhos científicos de diferentes origens: artigos, dissertações, teses, pesquisas, relatos e/ou sistematização de experiências, propostas de intervenção e documentários. Os trabalhos inscritos serão analisados pela Comissão Científica e poderão ser selecionados para apresentação em modalidade oral, por meio de rodas de conversa ou távolas. Esta dinâmica é uma iniciativa que valoriza a sustentabilidade, reduzindo a impressão de material gráfico. Além de permitir um maior compartilhamento de conhecimento dos participantes. A inscrição dos trabalhos será feita, exclusivamente, via internet, na página da Jornada ( http://doity.com.br/jornadalidipa ). Será enviado um e-mail de aceite ou recusa do trabalho. Os autores serão informados oportunamente sobre as datas, horários e locais das apresentações. Os autores dos trabalhos aprovados autorizam a Comissão Organizadora a publicar ou divulgar o resumo com a finalidade da socialização da produção científica apresentada no evento, em âmbito nacional e em todos os meios de comunicação, não cabendo qualquer pagamento por direito autoral.
II- NORMAS PARA SUBMISSÃO DE RESUMOS
Serão aceitos no máximo 03 (três) trabalhos por autor principal. Não há limites para trabalhos em coautoria. O autor responsável pela apresentação do trabalho deverá necessariamente inscrever-se na Jornada. Será emitido 01 certificado por trabalho, onde constarão os nomes de todos os autores e coautores. Cada resumo submetido poderá ter no máximo 6 (seis) autores, sendo obrigatório 1 (um) orientador. No ato de submissão todos os campos devem ser preenchidos adequadamente. Não devem ser inseridos gráficos, tabelas ou outros recursos visuais no resumo, apenas o texto. Deverá ser indicado a categoria e o eixo temático predominante de cada resumo. Conforme a classificação abaixo: Categorias:
? Ensino;
? Extensão;
? Pesquisa (Em caso de pesquisa com seres humanos e experimentação animal, inserir número de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa);
? Relato de experiências.
Áreas temáticas:
? Saúde pública;
? Epidemiologia;
? Gestão;
? Ensino;
? Educação em saúde;
? Aplicações clínicas;
? Outra.
Os trabalhos poderão ser enviados em forma de resumo simples ou resumo expandido. O resumo simples deve conter o mínimo de 250 e o máximo de 500 palavras. O resumo expandido deve conter o mínimo de 1.000 e o máximo de 1.200 palavras. Todos os resumos devem ser submetidos no seguinte formato: ? Fonte Times New Roman, tamanho 12, ? Espaçamento 1,5 entre linhas, ? Margens 3 cm margem superior e esquerda e 2 cm margem inferior e direita, ? Arquivos em formato WORD ? Título centralizado em caixa alta em negrito. ? O resumo deve ser redigido em língua portuguesa. ? A submissão deve ser feita em formato ABNT no máximo de cinco referências. Os resumos deverão conter os seguintes elementos estruturais em parágrafo único: ? Título; ? Introdução; ? Objetivo; ? Metodologia ou descrição da experiência; ? Resultados e discussão; ? Considerações finais; ? Referências (3); ? Descritores (no mínimo 3 e no máximo 5).
III- CRITÉRIOS PARA APROVAÇÃO:
? O resumo deve respeitar as normas de submissão; ?
O tema abordado deve ser relevante para a temática;
? O texto deve ser claro, coerente, apresentando um encadeamento lógico entre os elementos estruturais; Resumos que não cumprirem com as orientações descritas acima não serão aceitos. Recomenda-se detalhada revisão do texto, pois em nenhuma hipótese serão aceitas mudanças no conteúdo do resumo enviado
. IV- NORMAS E ORIENTAÇÕES PARA APRESENTAÇÃO
Todas as apresentações serão orais. Não haverá exposição de Pôster Científico impresso. O autor (a) ou coautor (a) deve levar sua apresentação em um pen drive no dia, hora e local da atividade. A comissão organizadora disponibilizará um modelo de slides para uso dos autores. Orienta-se que, por segurança, o autor (a) tenha a sua apresentação salva em outros dispositivos: HD externo, e-mail, nuvem de arquivos, entre outros. A sala contará com os equipamentos necessários (computador e data-show). Os trabalhos serão apresentados em Rodas de Conversa e/ou Távolas. Sobre a dinâmica da apresentação: Roda de Conversa: • Cada Roda tem duração de 2h e reúne em média 14 trabalhos, podendo variar para mais ou para menos; • O tempo previsto para cada apresentação é de 5 minutos com tolerância de até 8 minutos. Távola: • Cada Távola tem duração de 2h e reúne em média 4 trabalhos, podendo variar para mais ou para menos; • O tempo previsto para cada apresentação é de 15 minutos com tolerância de até 20 minutos.
Ressalta-se que o tempo de apresentação dos trabalhos é reduzido, com vistas a resguardar maior tempo para as discussões dos temas transversais. Isso proporcionará o desenvolvimento de processo de educação permanente in loco. Esperamos que o debate e a troca de experiências seja construtivo e se dê em bases solidárias!
V- CRONOGRAMA Os participantes interessados em submeter trabalhos devem preencher o formulário de submissão com início as 00:00hs do dia 01/10/2019 e com termino até às 23 horas e 59 minutos (horário de Brasília) do dia 10/11/2019.
Belém, 01 de outubro de 2019.
Tais Passos
Diretora Cientifica da LIDIPA
Everton Wanzeler
Presidente da LIDIPA e Coordenador Geral da II Jornada Científica da LIDIPA
Comissão Organizadora
EVERTON LUIS FREITAS WANZELER
Eduardo Pastana Cardosou
HENNÃ CARDOSO DE LIMA
Vinícius da Rocha Fróes
Comissão Científica
EVERTON LUIS FREITAS WANZELER
TRAVESSA SAO FRANCISCO 450 - BATISTA CAMPOS CEP:66023185 BELÉM-PARÁ
TELEFONE:(91)981428377
Corpo Editorial
Comissão Organizadora
EVERTON LUIS FREITAS WANZELER
EMILY SANTOS MARINHO
HENNÃ CARDOSO DE LIMA
GILVANA DE CARVALHO MORAES
FERNANDA ÉRIKA DA SILVA AMARAL
VINICIUS DA ROCHA FROÉS
CLEISE ELLEN FERREIRA PANTOJA
VANESSA KELLY CARDOSO ESTUMANO
SAMARA MACHADO CASTILHO
TAIS DOS PASSOS SAGICA
LUCAS EDUARDO SANTOS,
NATÁLIA DE JESUS SOUZA SILVA,
Comissão Científica
MARGARETH MARIA BRAUN GUIMARÃES IMBIRIBA,
PRISCILA DE NAZARÉ QUARESMA PINHEIRO
ALINE MARIA PEREIRA CRUZ RAMOS
BÁRBARA BRASIL SANTANA
WILLIAM DIAS BORGES
DIANDRA ARAÚJO DA LUZ
ERICA DE TASSIA CARVALHO CARDOSO
Periodicidade
Anual
Idioma
Português – Brasil
Autor Corporativo
EVERTON LUIS FREITAS WANZELER
TRAVESSA SAO FRANCISCO 450 - BATISTA CAMPOS CEP:66023185 BELÉM-PARÁ
EMAIL:evertonwanzeler@hotmail.com
TELEFONE:(91)981428377
https://doity.com.br/anais/sdipa