Introdução: Do ponto de vista clínico-nutricional, a realimentação oral precoce é considerada um dos pilares das estratégias de recuperação pós-operatória que aceleram a recuperação de pacientes submetidos a cirurgias colorretais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo comparar o impacto da realimentação oral precoce com o jejum pós-operatório tradicional, além de avaliar o risco nutricional em pacientes oncológicos que passaram por cirurgia colorretal. Métodos: Tratou-se de um ensaio clínico randomizado, fase 3, paralelo e de superioridade, conduzido na enfermaria de Cirurgia Geral de um Hospital Universitário em Maceió/AL, entre junho de 2023 e maio de 2024. A pesquisa envolveu pacientes no período pré-operatório de cirurgia colorretal com anastomose, sendo randomizados em dois grupos: um seguindo a realimentação convencional (RC) e o outro, a realimentação oral precoce (ROP). Adotou-se um valor de p ? 0,05 para a rejeição da hipótese nula. Resultados/Discussão: Foram incluídos 43 pacientes no estudo (20 alocados no grupo RC e 23 no grupo ROP), com média de idade de 57,0 anos (± 13,3), tendo predominância do sexo feminino (60,5%). No que diz respeito ao risco nutricional, metade da amostra já apresentava risco na admissão (40,5% vs. 59,5%; p > 0,05), e 45,2% foram classificados como desnutridos. Quanto à caracterização das variáveis nutricionais analisadas na linha de base do estudo não apresentaram diferenças significativas entre os grupos (p > 0,05). Observou-se, no 30º dia pós-operatório, uma tendência de associação entre o grupo RC e a desnutrição (p = 0,08). Conclusão: Tanto o risco nutricional quanto a desnutrição podem estar relacionados a desfechos desfavoráveis, como piora na qualidade de vida e comprometimento do estado geral e do bem-estar dos pacientes. Embora existam evidências que demonstram benefícios da realimentação oral precoce sobre parâmetros nutricionais, ainda é pequena a parcela de adesão a esse protocolo entre pacientes submetidos a cirurgias colorretais. Deste modo, acredita-se que os resultados deste estudo possam reforçar as evidências já existentes, incentivando uma maior incorporação a protocolos terapêuticos que promovam uma recuperação pós-operatória mais rápida para esses pacientes.
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Karla Patrícia Pinto da Silva Azeredo