Formação acadêmica em movimento: práticas curriculares e extensão no curso de educação física da Unifebe

  • Autor
  • Wagner Eduardo Estácio de Paula
  • Co-autores
  • André Luiz de Oliveira Bráz , João Derli de Souza Santos
  • Resumo
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    RESUMO EXPANDIDO

     

    Grupo de Trabalho (GT): GT 04 – Educação Física e Esporte

     

    Modalidade do trabalho: Comunicação oral

     

    Formato de apresentação: Presencial

     

    FORMAÇÃO ACADÊMICA EM MOVIMENTO: PRÁTICAS CURRICULARES E EXTENSÃO NO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNIFEBE

     

    PALAVRAS-CHAVE:  

    Educação Física; Formação profissional; Curricularização da Extensão; Aprendizagem experiencial.

     

     1 INTRODUÇÃO

    A graduação em Educação Física demanda a articulação entre fundamentos teóricos e experiências práticas em contextos reais de ensino, esporte, lazer e saúde. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) determinam que a prática pedagógica deve constituir eixo estruturante dos cursos de graduação, configurando-se como espaço decisivo para o desenvolvimento de competências profissionais, éticas e sociais. Nesse cenário, a Prática como Componente Curricular (PCC) e a Curricularização da Extensão emergem como ferramentas centrais para aproximar o estudante da complexidade da realidade educacional e comunitária, ao mesmo tempo em que reafirmam o compromisso social da universidade.

    A literatura evidencia a relevância de metodologias ativas que valorizem a aprendizagem experiencial (Dewey, 1938), a reflexão em ação (Schön, 2000) e a diversidade de estilos de ensino (Mosston; Ashworth, 2002), promovendo uma formação docente crítica e inovadora. Além disso, a Resolução nº 07/2018 do CNE/CES enfatiza que a extensão universitária deve ser indissociável do ensino e da pesquisa, transformando a relação da universidade com a sociedade.

    Este estudo tem como objetivo descrever e analisar as práticas de PCC e de curricularização da extensão desenvolvidas no curso de Educação Física da UNIFEBE entre 2022 e 2025. Busca-se evidenciar os impactos pedagógicos, sociais e institucionais dessas experiências, bem como discutir sua contribuição para a consolidação de um perfil profissional generalista, reflexivo e socialmente responsável.

     2 REFERENCIAL TEÓRICO

    A Curricularização da Extensão, regulamentada pela Resolução nº 07/2018 do CNE/CES, é compreendida como processo interdisciplinar, político e educativo que integra ensino, pesquisa e extensão em diálogo com a sociedade. Entre seus princípios fundamentais destacam-se: a formação integral do estudante; a promoção da cidadania; o respeito à diversidade cultural; e o compromisso com áreas estratégicas para o desenvolvimento social, como saúde, educação, meio ambiente e direitos humanos.

    A concepção de saúde adotada neste estudo alinha-se ao relatório da 8ª Conferência Nacional de Saúde (1986), que entende saúde como resultado de determinantes sociais, econômicos e ambientais, e não apenas como ausência de doença. Esse conceito amplia as possibilidades de intervenção da Educação Física ao reconhecer que a prática corporal se relaciona diretamente a dimensões físicas, cognitivas, sociais e éticas.

    Nesse sentido, projetos como Trabalhando com os egressos: do início ao sucesso profissional (2025.1) e Motiva-ação nas escolas – Gincana Pedagógica (2025.2) tornam-se representativos da função social da universidade ao aproximarem diferentes públicos e promoverem reflexões críticas sobre formação acadêmica, inserção no mercado e promoção da saúde integral.

    A UNESCO (2021) reforça esse entendimento ao destacar a Educação Física de qualidade como uma estratégia de baixo custo e alto impacto para melhorar a saúde pública, reduzir desigualdades sociais e potencializar a aprendizagem e a resiliência dos jovens. Além disso, a noção de responsabilidade social, entendida como corresponsabilidade de indivíduos e instituições na construção de um mundo mais justo, equitativo e sustentável, sustenta as ações aqui relatadas, uma vez que a integração de egressos, acadêmicos e comunidade reforça a prática educativa como dimensão ética e cidadã.

     3 METODOLOGIA

    O presente trabalho caracteriza-se como um relato de experiência de natureza qualitativa, fundamentado na perspectiva da pesquisa-ação (Demo, 1995; Le Boterf, 1984). Esse enfoque compreende a prática como processo dinâmico de investigação, intervenção e reflexão, no qual docentes, discentes e comunidade são coparticipantes na construção do conhecimento.

    As atividades foram desenvolvidas no período de 2022 a 2025 e envolveram professores, acadêmicos de diferentes fases do curso de Educação Física, escolas públicas municipais e estaduais, entidades esportivas locais, egressos e gestores de organizações parceiras. O processo metodológico ocorreu em etapas interligadas, mas aqui descritas em forma narrativa para explicitar a organicidade das ações.

    Inicialmente, foram realizados planejamentos pedagógicos em conjunto entre docentes e discentes, nos quais se discutiram objetivos, estratégias de ensino e alinhamento das propostas às Diretrizes Curriculares Nacionais e às necessidades da comunidade local. Em seguida, estabeleceram-se contatos institucionais com escolas, gestores de entidades esportivas e lideranças comunitárias, visando garantir parcerias que possibilitassem a realização das atividades extensionistas.

    A execução das práticas deu-se em múltiplos cenários. Em escolas, os acadêmicos desenvolveram oficinas esportivas, recreativas e artísticas, sempre articuladas ao planejamento escolar e às demandas específicas dos estudantes. Em entidades esportivas e eventos comunitários, os acadêmicos atuaram em diagnósticos, atendimentos, organização de atividades e suporte em eventos, exercitando competências de gestão, liderança e comunicação.

    Durante a execução, foram utilizados instrumentos de registro como diários de campo, relatórios reflexivos e produções acadêmicas individuais e coletivas, permitindo a sistematização dos dados e a análise contínua do processo. Além disso, foram realizadas rodas de conversa e reuniões de avaliação entre acadêmicos, professores e comunidade, assegurando um espaço de diálogo crítico sobre os resultados parciais.

    Destacam-se, nesse percurso, dois projetos de grande impacto no ano de 2025. O primeiro, Trabalhando com os Egressos, promoveu palestras, rodas de conversa e diagnósticos em entidades esportivas, oportunizando que os acadêmicos dialogassem com profissionais já inseridos no mercado. O segundo, Motiva-ação nas Escolas, estruturou uma gincana pedagógica em escola pública de Brusque/SC, voltada à promoção da saúde integral e à valorização de hábitos ativos e inclusivos.

    Por fim, os resultados foram socializados em congressos internos, como o ENPEX (Encontro de Pesquisa, Ensino e Extensão da UNIFEBE), e em produções escritas submetidas à Revista Bem-Estar, o que garantiu a divulgação científica e a retroalimentação institucional.

     4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

    As práticas desenvolvidas entre 2022 e 2025 possibilitaram aos acadêmicos vivenciar diferentes realidades sociais, escolares e esportivas, contribuindo para a construção de competências técnicas, pedagógicas e sociais. Em escolas públicas, a realização de oficinas diversificadas estimulou a integração dos acadêmicos com a comunidade escolar, favorecendo o desenvolvimento de competências de planejamento, gestão de sala e avaliação de práticas pedagógicas.

    Nos eventos comunitários e esportivos, como corridas de rua e atividades recreativas abertas ao público, os estudantes puderam aplicar conhecimentos teóricos em situações práticas de grande complexidade. A atuação exigiu responsabilidade, agilidade e clareza de comunicação, demonstrando a importância da Educação Física no fortalecimento da saúde coletiva e no incentivo à adoção de hábitos saudáveis.

    O projeto Trabalhando com os Egressos foi particularmente relevante por promover o encontro entre diferentes gerações de profissionais, permitindo que os acadêmicos refletissem sobre sua futura inserção no mercado de trabalho e sobre os desafios da carreira docente e esportiva. Já o Motiva-ação nas Escolas – Gincana Pedagógica, destacou-se pela dimensão inclusiva e coletiva, mobilizando estudantes da educação básica em torno da promoção da saúde integral e do fortalecimento da cidadania por meio da atividade física.

    Do ponto de vista acadêmico, a integração entre PCC e extensão ampliou a visão crítica dos futuros profissionais, aproximando teoria e prática em um movimento contínuo de reflexão. Institucionalmente, fortaleceu-se o papel da universidade como agente de transformação social, consolidando redes de colaboração com escolas, entidades esportivas e a comunidade local.

     5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

    As experiências relatadas evidenciam que a articulação entre Prática como Componente Curricular e Curricularização da Extensão é decisiva para a consolidação do perfil profissional generalista e crítico em Educação Física. Ao longo de quatro anos, os acadêmicos puderam experimentar dimensões diversas da profissão — pedagógica, esportiva, recreativa e de saúde — em um processo marcado pela interação constante com a comunidade.

    Os resultados apontam para avanços significativos no desenvolvimento de competências técnicas e pedagógicas, mas também em valores sociais e éticos, como cidadania, responsabilidade social e inclusão. Além disso, o diálogo com egressos e a realização de projetos em escolas públicas ampliaram a rede de colaboração universidade-comunidade, fortalecendo o compromisso social da formação acadêmica.

    Do ponto de vista institucional, tais experiências revelam-se estratégicas para o cumprimento das DCNs e da Resolução nº 07/2018, reafirmando o papel das instituições de ensino superior enquanto promotoras de uma educação superior crítica, transformadora e socialmente comprometida. Recomenda-se a continuidade e a expansão dessas práticas, a intensificação de parcerias interinstitucionais e a divulgação dos resultados em periódicos científicos, de modo a consolidar a relevância acadêmica e social da curricularização da extensão na graduação em Educação Física.

     

     

     

    REFERÊNCIAS

    ANAIS DA 8ª Conferência Nacional de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 1986. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/8_conferencia_nacional_saude_relatorio_final.pdf. Acesso em: 20 set. 2025.

    BARTALOTTI, Celina Camargo. Inclusão social das pessoas com deficiência: utopia ou possibilidade? São Paulo: Paulus, 2006.

    BRASIL. Ministério da Educação. Resolução n.º 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: http://mec.gov.br. Acesso em: 4 mar. 2022.

    DEMO, Pedro. Metodologia científica em Ciências Sociais. São Paulo: Atlas, 1995.

    DEWEY, John. Experiência e educação. São Paulo: Editora Nacional, 1959.

    JANTSCH, A. P.; BIANCHETTI, L. (Orgs.). Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. Petrópolis: Vozes, 2002.

    KIRK, David; MACPHAIL, Ann. Teaching games for understanding and situated learning: rethinking the Bunker-Thorpe model. Journal of Teaching in Physical Education, Champaign, v. 21, n. 2, p. 177-192, 2002. DOI: 10.1123/jtpe.21.2.177.

    LE BOTERF, Guy. Pesquisa participante: propostas e reflexões metodológicas. In: BRANDÃO, C. R. (Org.). Repensando a pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense, 1984. p. 15-45.

    MOSSTON, Muska; ASHWORTH, Sara. Teaching physical education: a guide for teachers. San Francisco: Benjamin Cummings, 2002.

    RAMOS, Valmor; GRAÇA, Amândio Braga; NASCIMENTO, Juarez Vieira do. O conhecimento pedagógico do conteúdo: estrutura e implicações à formação em Educação Física. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 22, n. 2, p. 161-171, 2008.

    SCHÖN, Donald A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    UNESCO. Quality Physical Education: Guidelines for Policy-Makers. Paris: UNESCO, 2021. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000374260. Acesso em: 20 set. 2025.

  • Palavras-chave
  • Educação Física; Formação profissional; Curricularização da Extensão; Aprendizagem experiencial.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 4 - Educação Física e Esporte
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