TECNOLOGIAS DO VÍDEO NA CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO NO ENSINO DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA

  • Autor
  • Rafael José Bona
  • Co-autores
  • Leandro Werner Ribeiro , Maria Vitória Setter
  • Resumo
  • TECNOLOGIAS DO VÍDEO NA CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO NO ENSINO DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA

    Rafael José Bona[1]

    Leandro Werner Ribeiro[2]

    Maria Vitória Setter[3]

     

    PALAVRAS-CHAVE: Extensão, Tecnologias, Vídeo, Publicidade, Educação.

     

    1 INTRODUÇÃO

    A extensão universitária integra as três funções básicas da universidade, junto ao ensino e à pesquisa, e tem como propósito aproximar o conhecimento acadêmico das demandas sociais. Por meio dela, ocorre uma troca entre saberes científicos e populares, fortalecendo tanto a formação cidadã dos estudantes quanto o desenvolvimento social, cultural e econômico das comunidades. Conforme destacam Carborani e Pereira (2007), a extensão promove a inserção da universidade em seu contexto regional, articulando ensino e pesquisa às necessidades da sociedade e estimulando o exercício da cidadania.

    A curricularização da extensão, que consiste em incluir as ações extensionistas na estrutura curricular dos cursos de graduação, representa um avanço importante na educação superior. Ao torná-la parte obrigatória da formação, garante-se que os estudantes vivenciem experiências reais e contribuam com transformações sociais, ampliando sua consciência crítica e compromisso profissional. Nesse sentido, a Resolução nº 7/2018 do Conselho Nacional de Educação estabelece que pelo menos 10% da carga horária dos cursos de graduação seja destinada à extensão, de forma integrada ao ensino e à pesquisa. O documento entende a extensão como processo educativo e interdisciplinar voltado à formação cidadã e à interação transformadora entre universidade e sociedade (Brasil, 2018).

    Na Universidade Regional de Blumenau (Furb), em Blumenau/SC, Brasil, o curso de Publicidade e Propaganda, criado em 1991, realiza atividades extensionistas desde os anos de 2000. Entre elas, destaca-se o projeto Comunica Furb, criado em 2018, cujo objetivo é divulgar, por meio de vídeos, ações de ensino, pesquisa e extensão da universidade. Vinculado à disciplina Produção e Linguagem Audiovisual Publicitária, o projeto integra a curricularização da extensão prevista no Projeto Pedagógico do Curso aprovado em 2023, em execução desde 2024/1.

    O Comunica Furb produz conteúdos audiovisuais com fins educativos e publicitários, publicados no YouTube, promovendo a visibilidade dos cursos e projetos da universidade. A iniciativa estimula o trabalho interdisciplinar e o aprendizado prático dos estudantes, que participam de todas as etapas de produção com tecnologias de vídeo acessíveis. O presente relato aborda a experiência de curricularização da extensão realizada no segundo semestre de 2024, na disciplina Produção e Linguagem Audiovisual Publicitária, por meio da produção de vídeos educativos sobre doação de sangue em Blumenau. A proposta teve como base dados do projeto de extensão Focus (2023/2) e integra as ações do Comunica Furb.

     

    2 REVISÃO DE LITERATURA

    A realização de uma produção audiovisual depende diretamente do cumprimento do que foi definido na etapa de pré-produção. Como destaca Kellison (2012), o audiovisual exerce influência significativa na cultura, moldando comportamentos, disseminando ideias e afetando a forma como as pessoas percebem o mundo. Por isso, o planejamento cuidadoso de uma produção não se restringe à sua organização técnica, mas envolve também a responsabilidade sobre o impacto cultural e social que pode gerar.

    Na área da publicidade, os vídeos publicitários têm passado por transformações constantes em sua linguagem e formato. De acordo com Elin e Lapides (2006), esse tipo de produção se caracteriza pela brevidade e pelo caráter persuasivo, podendo ser dividido em três categorias principais: vídeos voltados à venda, à construção de imagem e à utilidade pública. Apesar das diferenças, todos compartilham o propósito de informar, convencer e motivar o espectador à ação, seja pela compra de um produto ou pela adesão a uma causa.

    Entre esses formatos, o anúncio de utilidade pública tem papel relevante ao abordar questões de interesse coletivo. Conforme Saldanha e Bastos (2019), ele busca comunicar de forma clara e direta temas que promovam a conscientização social, incentivando atitudes que beneficiem o indivíduo e a comunidade. Trata-se de uma modalidade de comunicação pública, voltada à educação, à orientação e à mobilização da sociedade em torno de causas sociais.

    Campanhas audiovisuais sobre doação de sangue exploram emoções como empatia e solidariedade, contando histórias de pessoas que dependem das doações e despertando o engajamento do espectador. A difusão desses conteúdos em plataformas digitais, como o YouTube, amplia o alcance das mensagens e facilita o envolvimento dos usuários. Ao destacar o impacto positivo da doação e valorizar o gesto solidário, essas campanhas contribuem para a continuidade do ato de doar e inspiram novos participantes, reforçando o papel do audiovisual como ferramenta de mobilização social e transformação de atitudes (Carbornar; Oliveira, 2014).

     

    3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

    O estudo apresenta uma pesquisa documental de abordagem qualitativa, que descreve uma experiência de extensão universitária no campo da publicidade. A atividade foi realizada no segundo semestre de 2024 com 57 estudantes, divididos em duas turmas da disciplina de Produção e Linguagem Audiovisual Publicitária, organizados em equipes de quatro a cinco integrantes. Cada grupo produziu um vídeo de até cinco minutos sobre a doação de sangue, baseado nos dados do projeto de extensão Focus, desenvolvido em 2023/2 com o tema “Pulso coletivo: o que você pensa sobre doação de sangue?”. Os vídeos deveriam incluir depoimentos de moradores de Blumenau e incentivar a doação.

    Criado em 2003, o Focus é um projeto de extensão do curso de Publicidade e Propaganda da Furb que realiza pesquisas sobre consumo e comportamento na cidade, abordando temas diversos como religiosidade, segurança e Oktoberfest Blumenau. Em 2023, investigou as motivações e barreiras relacionadas à doação de sangue no Vale do Itajaí. O estudo envolveu professores e alunos dos cursos de Publicidade e Propaganda e de Jornalismo, com apoio de bolsistas do Uniedu, e coletou cerca de 600 entrevistas (Jornalismo Furb, 2023).

    A atividade prática foi desenvolvida ao longo de três encontros, totalizando 12 horas-aula. Na primeira etapa, os dados do Focus foram apresentados, e as equipes elaboraram roteiros baseados nas informações da pesquisa, que foram avaliados e discutidos em painéis criativos. Na segunda, os alunos realizaram as gravações em estúdio e em locações externas, muitas vezes fora do horário de aula utilizando seus próprios smartphones ou câmeras do laboratório de vídeo. Na terceira, dedicaram-se à edição dos vídeos no software DaVinci Resolve, finalizando e publicando o material no canal Comunica Furb, no YouTube. A escolha da plataforma reforça seu papel como meio de divulgação científica e educativa, pela ampla difusão e acessibilidade de seus conteúdos (Fontes, 2021).

     

    4 RESULTADOS

    A turma foi dividida em 14 grupos, cada um responsável por criar um vídeo sobre doação de sangue, explorando diferentes linguagens e estratégias de comunicação. Essa diversidade de abordagens permitiu aos estudantes experimentar formatos variados e compreender como adaptar mensagens a públicos e objetivos distintos.

    As produções resultaram em 14 vídeos com estilos próprios, que variaram entre documentários, informativos e conceituais. As narrativas combinaram depoimentos, dados estatísticos e elementos visuais capazes de informar e sensibilizar o espectador sobre a importância da doação. Muitos vídeos iniciam com cenas de Blumenau, como a Prefeitura, a Praça Victor Konder e a Rua XV de Novembro, estabelecendo vínculo com a comunidade local e reforçando o caráter regional das produções. Alunos atuaram como apresentadores, conduzindo entrevistas e transições narrativas.

    Os vídeos reuniram relatos de doadores e beneficiários, destacando emoções e impactos pessoais. Em alguns casos, os dados do projeto Focus foram integrados às falas por meio de animações e letterings, intensificando o conteúdo informativo. Diferentes recursos narrativos também foram explorados, como o uso de perguntas provocativas ou contrastes geracionais, por exemplo, o medo do HIV nas décadas de 1980 e 1990 em comparação às dificuldades de tempo enfrentadas pelos jovens de hoje.

    Cada produção encerrou-se com uma chamada à ação, incentivando o engajamento e ressaltando que qualquer pessoa pode salvar vidas. Esses vídeos se enquadram na categoria de anúncios de utilidade pública, conforme Elin e Lapides (2006), ao promoverem causas sociais por meio de produções sem fins lucrativos.

    A experiência reforçou a formação prática dos estudantes e sua capacidade de trabalhar em equipe, integrando criatividade e responsabilidade social. A curricularização da extensão, por meio do projeto Comunica Furb, fortaleceu o vínculo entre universidade e comunidade, ampliando o aprendizado e a consciência sobre o papel transformador da publicidade. Essa vivência contribui para a formação de profissionais mais sensíveis, críticos e comprometidos com o impacto social de sua atuação.

     

    5 CONSIDERAÇÕES

    A inserção de práticas audiovisuais no ensino de Publicidade e Propaganda mostra-se fundamental por alinhar a formação acadêmica às exigências do mercado contemporâneo. A realização de produções em vídeo, como as voltadas à doação de sangue, favorece o desenvolvimento de competências técnicas, criativas e comunicacionais em contextos reais, preparando os estudantes para atuar de forma crítica e inovadora na era digital.

    A participação em campanhas de interesse público também se revela uma experiência enriquecedora, ao estimular a reflexão sobre responsabilidades sociais e o potencial transformador da publicidade. Por meio dessas ações, os acadêmicos vivenciam o impacto positivo da comunicação na promoção do bem coletivo, fortalecendo tanto sua formação ética quanto profissional.

    Sugere-se que futuras produções explorem outras temáticas de relevância social, como saúde mental, sustentabilidade e inclusão, bem como experimentem diferentes formatos e meios de difusão. Tais iniciativas podem ampliar o alcance das mensagens e consolidar a integração entre universidade e comunidade, contribuindo para uma prática publicitária mais sensível, participativa e comprometida com a transformação social.

     

    REFERÊNCIAS

     

    BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 dez. 2018.

     

    CARBONARI, M. E. E.; PEREIRA, A. C. A extensão universitária no Brasil, do assistencialismo à sustentabilidade. Revista de Educação, v. 10, n. 10, p. 23-28, 2007.

     

    CARBORNAR, V. M.; OLIVEIRA, E. B. Rolezinho no Hemepar: a publicidade social em favor da doação de sangue. Dito Efeito, v. 5, n. 6, p. 1-13, jan./jun. 2014.

     

    ELIN, L.; LAPIDES, A. O comercial de televisão: planejamento e produção. São Paulo: Bossa Nova, 2006.

     

    FONTES, D. T. M. Uma comparação das visualizações e inscrições em canais brasileiros de divulgação científica e de pseudociência no YouTube. Journal of Science Communication, 4(1), A01, p. 1-22, 2021. 

     

    JORNALISMO FURB. Focus identifica perfil e motivações das pessoas que doam sangue: 60% nunca doaram. [30/11/2023]. Disponível em: https://www.furb.br/pt/noticias/focus-identifica-perfil-e-motivacoes-das-pessoas-que-doam-sangue-60-nunca-doaram#:~:text=O%20estudo%20identificou%20que%2061,confiam%20no%20trabalho%20do%20Hemocentro.Acesso em: 22 set. 2025.


    KELLISON, C. Producing for TV and video: a real-world approach. New York: Routledge, 2012.

     

    SALDANHA, P. G.; BASTOS, P. N. Publicidade social de interesse público (PIP) e o engajamento político, uma antítese à publicidade de utilidade pública (PUP) governamental. Revista Eptic, v. 21, n. 3, p. 25-43, set./dez. 2019.

     

     

     

     

    TECNOLOGIAS DO VÍDEO NA CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO NO ENSINO DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA

    Rafael José Bona[1]

    Leandro Werner Ribeiro[2]

    Maria Vitória Setter[3]

     

    PALAVRAS-CHAVE: Extensão, Tecnologias, Vídeo, Publicidade, Educação.

     

    1 INTRODUÇÃO

    A extensão universitária integra as três funções básicas da universidade, junto ao ensino e à pesquisa, e tem como propósito aproximar o conhecimento acadêmico das demandas sociais. Por meio dela, ocorre uma troca entre saberes científicos e populares, fortalecendo tanto a formação cidadã dos estudantes quanto o desenvolvimento social, cultural e econômico das comunidades. Conforme destacam Carborani e Pereira (2007), a extensão promove a inserção da universidade em seu contexto regional, articulando ensino e pesquisa às necessidades da sociedade e estimulando o exercício da cidadania.

    A curricularização da extensão, que consiste em incluir as ações extensionistas na estrutura curricular dos cursos de graduação, representa um avanço importante na educação superior. Ao torná-la parte obrigatória da formação, garante-se que os estudantes vivenciem experiências reais e contribuam com transformações sociais, ampliando sua consciência crítica e compromisso profissional. Nesse sentido, a Resolução nº 7/2018 do Conselho Nacional de Educação estabelece que pelo menos 10% da carga horária dos cursos de graduação seja destinada à extensão, de forma integrada ao ensino e à pesquisa. O documento entende a extensão como processo educativo e interdisciplinar voltado à formação cidadã e à interação transformadora entre universidade e sociedade (Brasil, 2018).

    Na Universidade Regional de Blumenau (Furb), em Blumenau/SC, Brasil, o curso de Publicidade e Propaganda, criado em 1991, realiza atividades extensionistas desde os anos de 2000. Entre elas, destaca-se o projeto Comunica Furb, criado em 2018, cujo objetivo é divulgar, por meio de vídeos, ações de ensino, pesquisa e extensão da universidade. Vinculado à disciplina Produção e Linguagem Audiovisual Publicitária, o projeto integra a curricularização da extensão prevista no Projeto Pedagógico do Curso aprovado em 2023, em execução desde 2024/1.

    O Comunica Furb produz conteúdos audiovisuais com fins educativos e publicitários, publicados no YouTube, promovendo a visibilidade dos cursos e projetos da universidade. A iniciativa estimula o trabalho interdisciplinar e o aprendizado prático dos estudantes, que participam de todas as etapas de produção com tecnologias de vídeo acessíveis. O presente relato aborda a experiência de curricularização da extensão realizada no segundo semestre de 2024, na disciplina Produção e Linguagem Audiovisual Publicitária, por meio da produção de vídeos educativos sobre doação de sangue em Blumenau. A proposta teve como base dados do projeto de extensão Focus (2023/2) e integra as ações do Comunica Furb.

     

    2 REVISÃO DE LITERATURA

    A realização de uma produção audiovisual depende diretamente do cumprimento do que foi definido na etapa de pré-produção. Como destaca Kellison (2012), o audiovisual exerce influência significativa na cultura, moldando comportamentos, disseminando ideias e afetando a forma como as pessoas percebem o mundo. Por isso, o planejamento cuidadoso de uma produção não se restringe à sua organização técnica, mas envolve também a responsabilidade sobre o impacto cultural e social que pode gerar.

    Na área da publicidade, os vídeos publicitários têm passado por transformações constantes em sua linguagem e formato. De acordo com Elin e Lapides (2006), esse tipo de produção se caracteriza pela brevidade e pelo caráter persuasivo, podendo ser dividido em três categorias principais: vídeos voltados à venda, à construção de imagem e à utilidade pública. Apesar das diferenças, todos compartilham o propósito de informar, convencer e motivar o espectador à ação, seja pela compra de um produto ou pela adesão a uma causa.

    Entre esses formatos, o anúncio de utilidade pública tem papel relevante ao abordar questões de interesse coletivo. Conforme Saldanha e Bastos (2019), ele busca comunicar de forma clara e direta temas que promovam a conscientização social, incentivando atitudes que beneficiem o indivíduo e a comunidade. Trata-se de uma modalidade de comunicação pública, voltada à educação, à orientação e à mobilização da sociedade em torno de causas sociais.

    Campanhas audiovisuais sobre doação de sangue exploram emoções como empatia e solidariedade, contando histórias de pessoas que dependem das doações e despertando o engajamento do espectador. A difusão desses conteúdos em plataformas digitais, como o YouTube, amplia o alcance das mensagens e facilita o envolvimento dos usuários. Ao destacar o impacto positivo da doação e valorizar o gesto solidário, essas campanhas contribuem para a continuidade do ato de doar e inspiram novos participantes, reforçando o papel do audiovisual como ferramenta de mobilização social e transformação de atitudes (Carbornar; Oliveira, 2014).

     

    3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

    O estudo apresenta uma pesquisa documental de abordagem qualitativa, que descreve uma experiência de extensão universitária no campo da publicidade. A atividade foi realizada no segundo semestre de 2024 com 57 estudantes, divididos em duas turmas da disciplina de Produção e Linguagem Audiovisual Publicitária, organizados em equipes de quatro a cinco integrantes. Cada grupo produziu um vídeo de até cinco minutos sobre a doação de sangue, baseado nos dados do projeto de extensão Focus, desenvolvido em 2023/2 com o tema “Pulso coletivo: o que você pensa sobre doação de sangue?”. Os vídeos deveriam incluir depoimentos de moradores de Blumenau e incentivar a doação.

    Criado em 2003, o Focus é um projeto de extensão do curso de Publicidade e Propaganda da Furb que realiza pesquisas sobre consumo e comportamento na cidade, abordando temas diversos como religiosidade, segurança e Oktoberfest Blumenau. Em 2023, investigou as motivações e barreiras relacionadas à doação de sangue no Vale do Itajaí. O estudo envolveu professores e alunos dos cursos de Publicidade e Propaganda e de Jornalismo, com apoio de bolsistas do Uniedu, e coletou cerca de 600 entrevistas (Jornalismo Furb, 2023).

    A atividade prática foi desenvolvida ao longo de três encontros, totalizando 12 horas-aula. Na primeira etapa, os dados do Focus foram apresentados, e as equipes elaboraram roteiros baseados nas informações da pesquisa, que foram avaliados e discutidos em painéis criativos. Na segunda, os alunos realizaram as gravações em estúdio e em locações externas, muitas vezes fora do horário de aula utilizando seus próprios smartphones ou câmeras do laboratório de vídeo. Na terceira, dedicaram-se à edição dos vídeos no software DaVinci Resolve, finalizando e publicando o material no canal Comunica Furb, no YouTube. A escolha da plataforma reforça seu papel como meio de divulgação científica e educativa, pela ampla difusão e acessibilidade de seus conteúdos (Fontes, 2021).

     

    4 RESULTADOS

    A turma foi dividida em 14 grupos, cada um responsável por criar um vídeo sobre doação de sangue, explorando diferentes linguagens e estratégias de comunicação. Essa diversidade de abordagens permitiu aos estudantes experimentar formatos variados e compreender como adaptar mensagens a públicos e objetivos distintos.

    As produções resultaram em 14 vídeos com estilos próprios, que variaram entre documentários, informativos e conceituais. As narrativas combinaram depoimentos, dados estatísticos e elementos visuais capazes de informar e sensibilizar o espectador sobre a importância da doação. Muitos vídeos iniciam com cenas de Blumenau, como a Prefeitura, a Praça Victor Konder e a Rua XV de Novembro, estabelecendo vínculo com a comunidade local e reforçando o caráter regional das produções. Alunos atuaram como apresentadores, conduzindo entrevistas e transições narrativas.

    Os vídeos reuniram relatos de doadores e beneficiários, destacando emoções e impactos pessoais. Em alguns casos, os dados do projeto Focus foram integrados às falas por meio de animações e letterings, intensificando o conteúdo informativo. Diferentes recursos narrativos também foram explorados, como o uso de perguntas provocativas ou contrastes geracionais, por exemplo, o medo do HIV nas décadas de 1980 e 1990 em comparação às dificuldades de tempo enfrentadas pelos jovens de hoje.

    Cada produção encerrou-se com uma chamada à ação, incentivando o engajamento e ressaltando que qualquer pessoa pode salvar vidas. Esses vídeos se enquadram na categoria de anúncios de utilidade pública, conforme Elin e Lapides (2006), ao promoverem causas sociais por meio de produções sem fins lucrativos.

    A experiência reforçou a formação prática dos estudantes e sua capacidade de trabalhar em equipe, integrando criatividade e responsabilidade social. A curricularização da extensão, por meio do projeto Comunica Furb, fortaleceu o vínculo entre universidade e comunidade, ampliando o aprendizado e a consciência sobre o papel transformador da publicidade. Essa vivência contribui para a formação de profissionais mais sensíveis, críticos e comprometidos com o impacto social de sua atuação.

     

    5 CONSIDERAÇÕES

    A inserção de práticas audiovisuais no ensino de Publicidade e Propaganda mostra-se fundamental por alinhar a formação acadêmica às exigências do mercado contemporâneo. A realização de produções em vídeo, como as voltadas à doação de sangue, favorece o desenvolvimento de competências técnicas, criativas e comunicacionais em contextos reais, preparando os estudantes para atuar de forma crítica e inovadora na era digital.

    A participação em campanhas de interesse público também se revela uma experiência enriquecedora, ao estimular a reflexão sobre responsabilidades sociais e o potencial transformador da publicidade. Por meio dessas ações, os acadêmicos vivenciam o impacto positivo da comunicação na promoção do bem coletivo, fortalecendo tanto sua formação ética quanto profissional.

    Sugere-se que futuras produções explorem outras temáticas de relevância social, como saúde mental, sustentabilidade e inclusão, bem como experimentem diferentes formatos e meios de difusão. Tais iniciativas podem ampliar o alcance das mensagens e consolidar a integração entre universidade e comunidade, contribuindo para uma prática publicitária mais sensível, participativa e comprometida com a transformação social.

     

    REFERÊNCIAS

     

    BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 dez. 2018.

     

    CARBONARI, M. E. E.; PEREIRA, A. C. A extensão universitária no Brasil, do assistencialismo à sustentabilidade. Revista de Educação, v. 10, n. 10, p. 23-28, 2007.

     

    CARBORNAR, V. M.; OLIVEIRA, E. B. Rolezinho no Hemepar: a publicidade social em favor da doação de sangue. Dito Efeito, v. 5, n. 6, p. 1-13, jan./jun. 2014.

     

    ELIN, L.; LAPIDES, A. O comercial de televisão: planejamento e produção. São Paulo: Bossa Nova, 2006.

     

    FONTES, D. T. M. Uma comparação das visualizações e inscrições em canais brasileiros de divulgação científica e de pseudociência no YouTube. Journal of Science Communication, 4(1), A01, p. 1-22, 2021. 

     

    JORNALISMO FURB. Focus identifica perfil e motivações das pessoas que doam sangue: 60% nunca doaram. [30/11/2023]. Disponível em: https://www.furb.br/pt/noticias/focus-identifica-perfil-e-motivacoes-das-pessoas-que-doam-sangue-60-nunca-doaram#:~:text=O%20estudo%20identificou%20que%2061,confiam%20no%20trabalho%20do%20Hemocentro.Acesso em: 22 set. 2025.


    KELLISON, C. Producing for TV and video: a real-world approach. New York: Routledge, 2012.

     

    SALDANHA, P. G.; BASTOS, P. N. Publicidade social de interesse público (PIP) e o engajamento político, uma antítese à publicidade de utilidade pública (PUP) governamental. Revista Eptic, v. 21, n. 3, p. 25-43, set./dez. 2019.

     

     

     

     

     

    [1]  Doutor em Comunicação e Linguagens (UTP), Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil, rbona@furb.br

    [2]  Doutor em Design e Expressão Gráfica (UFSC), Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil, lwribeiro@furb.br

    [3]  Graduanda em Publicidade e Propaganda (Furb), Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil, mvsetter@furb.br


    [1]  Doutor em Comunicação e Linguagens (UTP), Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil, rbona@furb.br

    [2]  Doutor em Design e Expressão Gráfica (UFSC), Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil, lwribeiro@furb.br

    [3]  Graduanda em Publicidade e Propaganda (Furb), Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil, mvsetter@furb.br

  • Palavras-chave
  • Extensão, Tecnologias, Vídeo, Publicidade, Educação
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
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