A cartografia escolar configura-se como elemento importante para o desenvolvimento do raciocínio espacial e do pensamento geográfico na educação básica, constituindo ferramenta indispensável para a compreensão das espacialidades e territorialidades que caracterizam os fenômenos sociais contemporâneos. Este estudo investiga as práticas pedagógicas relacionadas à alfabetização e letramento cartográfico no ensino de Geografia, questionando como esses processos cognitivos distintos, porém complementares, contribuem para a formação de estudantes capazes de ler, interpretar e compreender criticamente o espaço geográfico em suas múltiplas dimensões. O problema central emerge da necessidade de distinguir teoricamente alfabetização cartográfica, entendida como domínio técnico dos elementos cartográficos (legenda, escala, orientação, coordenadas), do letramento cartográfico, compreendido como capacidade de utilizar os conhecimentos cartográficos para interpretar e transformar o espaço vivido. A fundamentação teórica ancora-se nas contribuições de Castellar (2005) sobre ensino de cartografia e desenvolvimento do pensamento espacial, Almeida (2001) sobre didática da Geografia e formação de conceitos espaciais, e Callai (2005) sobre lugar e ensino de Geografia. Complementam o referencial as reflexões de Simielli (2007) sobre cartografia no ensino fundamental e os estudos de Passini (1994) sobre alfabetização cartográfica como processo de construção do conhecimento geográfico. A metodologia empregada caracteriza-se como pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica e documental, fundamentada na análise sistemática da literatura especializada em ensino de Geografia e cartografia escolar. Utiliza-se análise de conteúdo conforme Bardin (2016) para examinar práticas pedagógicas descritas em artigos científicos, dissertações e teses da década de 2014-2024, complementada pela análise documental de diretrizes curriculares e livros didáticos de Geografia. O corpus investigativo compreende 20 produções acadêmicas selecionadas nas bases SciELO, CAPES e repositórios institucionais, focalizando experiências de alfabetização e letramento cartográfico em diferentes níveis de ensino. Os resultados evidenciam que a alfabetização cartográfica, embora necessária, não garante automaticamente o desenvolvimento do letramento cartográfico, exigindo estratégias pedagógicas específicas que articulem conhecimento técnico e reflexão crítica sobre o espaço. Identifica-se que práticas pedagógicas exitosas integram mapeamento participativo, uso de tecnologias geoespaciais (GPS, SIG) e análise comparativa de representações cartográficas de diferentes épocas e escalas. A pesquisa revela ainda que o letramento cartográfico se desenvolve mediante atividades que conectam representação cartográfica e realidade vivenciada pelos estudantes, possibilitando compreensão crítica das desigualdades socioespaciais, conflitos territoriais e transformações ambientais. Conclui-se que alfabetização e letramento cartográfico constituem processos complementares e indissociáveis para formação de cidadãos geograficamente alfabetizados, capazes de compreender as complexidades do mundo contemporâneo. A cartografia escolar emerge como linguagem fundamental para desenvolvimento do pensamento espacial crítico, contribuindo para formação de sujeitos aptos a interpretar e intervir conscientemente no espaço geográfico. A pesquisa oferece subsídios teórico-metodológicos para aprimoramento das práticas pedagógicas em Geografia, evidenciando a necessidade de formação continuada de professores e desenvolvimento de recursos didáticos que articulem efetivamente alfabetização e letramento cartográfico no cotidiano escolar.
Palavras-chave: Alfabetização cartográfica; Letramento cartográfico; Ensino de Geografia; Raciocínio espacial; Cartografia escolar.