MAPEAMENTO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE PRÁTICAS CORPORAIS DE AVENTURA NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

  • Autor
  • Georgia Lorena Mattos da Silva
  • Co-autores
  • Viviane Preichardt Duek , Franciane Maria Araldi
  • Resumo
  • 1 INTRODUÇÃO

    A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) organiza o ensino de Educação Física Escolar em seis unidades temáticas, entre as quais se destacam as Práticas Corporais de Aventura (Brasil, 2017). Essa unidade temática representa uma oportunidade para a ampliação de experiências corporais e pedagógicas na Educação Física escolar. Nesta perspectiva, as Práticas Corporais de Aventura emergem como uma temática com potencial pedagógico, ao integrar movimento, natureza e desafio em contextos educativos. Para tanto, as Práticas Corporais de Aventura estão divididas nas práticas na natureza e urbanas e, apesar de suas diferenças, todas compartilham características comuns, especialmente o uso dos mais diversos ambientes naturais (Almeida, 2009).

    Nesse sentido, as Práticas Corporais de Aventura, quando inseridas na Educação Física escolar, configuram-se como uma possibilidade de vivências pedagógicas inovadoras, que não apenas ampliam o repertório motor das crianças, mas, também, promovem o desenvolvimento de aspectos cognitivos, afetivos e sociais. Tais práticas contribuem para a construção da autonomia, da cooperação e da capacidade de enfrentar desafios, potencializando aprendizagens significativas por meio do corpo em movimento. Assim, as modalidades tradicionais, centradas no ensino de técnicas e regras de esportes clássicos cedem espaço para uma abordagem que valoriza práticas diversificadas e significativas ao longo da educação básica (Paixão, 2017).

    No que se refere aos estudos que analisam a produção científica sobre Práticas Corporais de Aventura, observa-se, na literatura, a existência de investigações que examinaram periódicos científicos em busca de artigos relacionados ao tema (Tahara; Soares; Darido, 2018; França et al., 2023), bem como revisões que se dedicaram especificamente ao estado da arte sobre o skate (Kawashima et al., 2021). Nesse sentido, ressalta-se a importância de realizar um estado de conhecimento que analise os trabalhos que estão sendo realizados nos programas de pós-graduação diante da temática em tela. Diante do exposto, o objetivo deste estudo é analisar a produção científica relacionada às Práticas Corporais de Aventura na área da Educação Física Escolar divulgada em teses e dissertações brasileiras.

     

    2 REFERENCIAL TEÓRICO

    De acordo com Inácio (2021) a BNCC observa que as Práticas Corporais de Aventura sejam diferenciadas em ‘natureza’ e ‘urbanas’, de acordo com o ambiente em que são realizadas. Segundo Marinho (2009), elas envolvem a sensação de experimentar a liberdade, pois as crianças estão diretamente em contato umas com as outras e com a natureza, e isso potencializa sentimentos afetivos, tessitura de laços e momentos de felicidade. Essa distinção entre ambientes também se reflete em estudos que apontam que, nas práticas realizadas na natureza, há maior afetividade, superação de limites e presença no mundo (Marinho; Schwartz, 2005). Além disso, pesquisas recentes situam as Práticas Corporais de Aventura como uma importante interface entre Educação Física, Educação Ambiental e Cultura Corporal, sendo ainda pouco explorada na formação docente (Sousa; Maldonado, 2023). 

    Nesse sentido, a formação docente surge como um dos principais desafios para a efetiva inserção das Práticas Corporais de Aventura no contexto escolar. Ferreira et al. (2023) destacam que, embora as Práticas Corporais de Aventura tenham sido incorporadas como conteúdo obrigatório na Educação Física Escolar, ainda há uma lacuna significativa na sistematização desses saberes e na capacitação dos professores para trabalhá-los de forma crítica e contextualizada. Assim, é fundamental investir em políticas de formação continuada que valorize tais práticas como experiências educativas integradoras, capazes de promover o desenvolvimento físico, emocional e social dos estudantes.

     

    3 METODOLOGIA

    O procedimento metodológico baseou-se em um levantamento bibliográfico, sustentado nos pressupostos do Estado do Conhecimento, que se configura como um procedimento metodológico fundamental para a consolidação de pesquisas científicas, por possibilitar a identificação, o mapeamento e a sistematização das produções existentes acerca de uma temática específica (Morosini et al., 2021).

    Os critérios de inclusão das teses e dissertações foram: a) teses e dissertações defendidas em Programas de Pós-Graduação brasileiros; b) relacionadas a Educação Física Escolar. Os critérios de exclusão resumiram-se em: a) impossibilidade de acesso à tese ou à dissertação na íntegra.

    As teses e dissertações foram localizadas na base de dados eletrônica Banco de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Essas bases foram selecionadas por constituir os principais repositórios científicos do país, reunindo exclusivamente produções de pós-graduação stricto sensu. Na estratégia de busca foi utilizada a seguinte equação: “Práticas corporais de aventura” AND “Educação Física”. A análise dos dados foi realizada a partir de uma abordagem quali-quantitativa (Santos Filho; Gamboa, 2009).

     

    4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

    A distribuição temporal das publicações indica um crescimento gradual da produção científica sobre o tema. Nos anos iniciais (2016 a 2018), observou-se baixa produção, com apenas uma publicação por ano. Em 2020, o número de trabalhos aumentou para quatro, seguido de estabilidade em 2021 e 2022, com duas publicações anuais. Já em 2023 e 2024, registrou-se um salto significativo, com nove estudos em cada ano, enquanto em 2025 identificou-se apenas uma publicação, sugerindo uma possível redução momentânea ou início de um novo ciclo de produção. Observa-se que a produção científica sobre o tema apresenta tendência de crescimento a partir de 2016, padrão semelhante ao identificado por França et al. (2023), que verificou um aumento nas publicações sobre o tema, impulsionado, talvez, pelas discussões sobre a inclusão das Práticas Corporais de Aventura na BNCC.

    No que se refere à origem dos trabalhos em termos de nível de pós-graduação, observa-se uma predominância de dissertações de mestrado, totalizando 27 estudos publicados no contexto brasileiro. Quanto às teses de doutorado, evidencia-se uma incipiência na produção, com apenas três trabalhos identificados. Tal cenário evidencia a necessidade de um maior aprofundamento teórico no campo, conforme discutem Sousa e Maldonado (2023) ao abordarem a formação docente.

    Por sua vez, os dados da figura 1 revelam a origem dos estudos analisados.

    Figura 1 – Região de defesa das teses e dissertações.

          Fonte: Elaborada pelas autoras (2025).

     

    Com base na figura 1, nota-se a presença equilibrada entre as regiões Sul e Centro-Oeste, com oito estudos cada, seguidas pela região Nordeste, com sete trabalhos e pela região Sudeste, que reúne seis publicações. A região Norte apresenta apenas um estudo. Esse panorama evidencia uma ampliação da distribuição geográfica das pesquisas, com destaque para o fortalecimento de polos de investigação nas regiões Sul e Centro-Oeste, tradicionalmente menos concentradores da produção acadêmica nacional, o que sugere um movimento de descentralização e diversificação dos espaços de pesquisa no campo. A presença equilibrada entre Sul e Centro-Oeste indica a expansão da pesquisa para além dos grandes centros, como apontam França et al. (2023). A baixa produção no Norte reforça que ainda há desafios na formação docente e na difusão dessas práticas em todo o país (Sousa; Maldonado, 2023).

    No que se refere à etapa educacional abordada nas teses e dissertações analisadas, observa-se uma predominância de investigações voltadas aos anos finais do Ensino Fundamental (n=18), seguidas pelo Ensino Médio (n=7), e pelos anos iniciais do Ensino Fundamental (n=5). Verifica-se, ainda, a incipiência de pesquisas voltadas à Educação Infantil, indicando uma lacuna na produção científica referente a essa etapa da educação básica (Figura 2).

    Figura 2 – Etapa de ensino de defesa das teses e dissertações.

    Palavras-chave

  • práticas corporais de aventura; educação física; estado do conhecimento.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
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