Programa Bolsa Formação - Escola Pública e Universidade: estudantes universitários e sua relação com a escola da educação básica.

  • Autor
  • Christiane Jacqueline Magaly Ramos
  • Co-autores
  • Marilene Proença Rebello de Souza
  • Resumo
  •  

     Programa Bolsa Formação - Escola Pública e Universidade: estudantes universitários e sua relação com a escola da educação básica.

      

    Christiane Jacqueline Magaly Ramos

    Centro de Ciência para o Desenvolvimento da Educação Básica: aprendizagens e convivência escolar e Universidade Presbiteriana Mackenzie

    São Paulo, SP, Brasil

    e-mail: christianeramos@alumni.usp.br

     

    Marilene Proença Rebello de Souza

    Instituto de Psicologia – Universidade de São Paulo

    Centro de Ciência para o Desenvolvimento da Educação Básica: aprendizagens e convivência escolar

    e-mail: mprdsouz@usp.br

                                                                                       

    PALAVRAS-CHAVE: formação inicial de professores, psicologia escolar e educacional, políticas públicas.

     

    1 INTRODUÇÃO

     

    Este trabalho é fruto da tese de doutorado que teve como objeto de estudo a formação inicial de professores, que buscou investigar um dos modelos formativos para a profissionalização de professores, intitulado: Programa Bolsa Formação - Escola Pública e Universidade, implantado entre 2007 e 2016 pelo Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria do Estado da Educação de São Paulo.  (Ramos, 2020).

    Entendemos que a pesquisa que desenvolvemos tem como foco um tema central na área da Educação: a formação inicial de professores, reconhecida como uma importante política pública educacional. A formação de docentes para a atuação na Educação Básica constitui um tema de grande relevância para a Psicologia Escolar e Educacional e nesse sentido, pode-se afirmar que há um número expressivo de pesquisas, tanto no campo da Educação quanto no da Psicologia Escolar e Educacional, dedicadas a investigar e a contribuir para a melhoria da qualidade dessa formação.

    A pesquisa possibilitou conhecer o contexto político, econômico e social em que o Programa foi implantado, assim como as particularidades e as contribuições para a formação inicial de professores. Faremos um recorte da pesquisa no que se refere a participação dos estudantes universitários e sua relação com a escola da educação básica.

    Importante resgatar uma breve síntese das particularidades do Programa Bolsa Formação - Escola Pública e Universidade. Trata-se de um modelo formativo que envolveu a articulação das instâncias dos setores público e privado, a saber: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo - SEE-SP, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE, Conselho Estadual de Educação de São Paulo - CEE-SP, Diretorias Regionais de Ensino - DREs, Instituições de Ensino Superior -  ISEs e as Escolas da Rede Pública Estadual.

    A participação destas instâncias revelou a possibilidade de promover uma integração mais efetiva entre as esferas formadoras e a realidade da escola. Essa aproximação favorece a construção de práticas formativas mais contextualizadas, que considerem os desafios concretos vivenciados no cotidiano escolar. André (2012), Maldonado (2002), Nóvoa (2019), Souza (2011) e Zeichner (2010) reiteram a importância de fortalecer a articulação entre a universidade e a escola no âmbito da formação inicial de professores, destacando a parceria entre a escola e a universidade contribui para a superação da fragmentação entre teoria e prática e para o desenvolvimento de uma identidade docente mais crítica e reflexiva.

    Nesse sentido, esse movimento de trazer para a escola o que se produz na academia e retornar o que se produz na escola para a academia, é dialético, gera conhecimento e transformação da realidade, portanto deve ser considerado de fundamental importância, pois possibilita a integração entre teoria e prática bem como a relação entre professores e estudantes (Ramos, 2020).

     

     

     

     

     

     

    2 REFERENCIAL TEÓRICO

     

    A escolha metodológica, constitui um dos passos iniciais e nesta investigação, optou-se por uma abordagem qualitativa. Conforme afirmam Denzin e Lincoln (2006, p. 15), a pesquisa qualitativa tem sido amplamente utilizada em diversas áreas das ciências sociais, humanas, políticas e da educação, entre outras. Assim, é legítimo considerá-la um campo de investigação que permite situar o observador no mundo e conferir visibilidade ao objeto de estudo. Ainda segundo os autores (Denzin & Lincoln, 2006, p. 17), o pesquisador tem a oportunidade de analisar os objetos em seus contextos naturais, buscando compreender e interpretar os fenômenos a partir dos significados que as pessoas lhes atribuem.

     

     

    3 METODOLOGIA

     

    A pesquisa foi desenvolvida a partir de duas dimensões: documental e empírica. Na dimensão documental, foram compilados doze documentos oficiais que normatizam o Programa, expedidos pelo governador e pelos secretários da Educação do Estado de São Paulo. Esses documentos foram organizados com base em uma linha do tempo, fichas analíticas e fichas-síntese, o que possibilitou apresentar um panorama do Programa, sua constituição e seus desdobramentos. Além disso, foi realizada uma revisão bibliográfica que permitiu aprofundar a compreensão sobre o Programa sob diferentes perspectivas.

    Do ponto de vista empírico, foi realizado um trabalho de campo com o objetivo de conhecer aspectos do Programa relatados por profissionais que acompanharam sua implementação e execução.

     

    4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

     

    Os resultados desta pesquisa revelam que se trata de um Programa que deve ser entendido como estratégia de enfrentamento para a melhoria da qualidade da formação inicial de professores, com reflexos importantes para a alfabetização nos anos iniciais da educação básica.

    Destacamos que o fato de o estudante universitário ter permanecido, participado e acompanhado, por um período prolongado, uma mesma turma do 2º ano do Ensino Fundamental, constituiu-se em um aspecto relevante que contribuiu significativamente para sua formação inicial e para sua futura atuação profissional.

    A escola é o espaço onde se encontram as diferenças expressas nas mais diversas variáveis: gênero, idade, raça, religião, cultura, crenças, valores etc. Nesse sentido, há no espaço escolar o recorte da diversidade existente na sociedade. A função social da escola é também devolver para a sociedade seres humanos mais justos, críticos e capazes de conviver com e na diversidade, de maneira responsável e respeitosa buscando atuar para minimizar as desigualdades. (UNICEF, 2025,p.14).

     

    Essa experiência favoreceu o acompanhamento sistemático do trabalho docente e proporcionou um conhecimento aprofundado acerca do funcionamento de uma escola da rede pública estadual e das práticas pedagógicas desenvolvidas nos anos iniciais da Educação Básica.

     

    5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

     

    Consideramos que os participantes denominados alunos-pesquisadores, a partir das discussões e reflexões que ocorreram a respeito da realidade do cotidiano escolar, puderam propor ações e intervenções junto ao professor regente com a finalidade de superar os desafios enfrentados em busca de experiências bem sucedidas na classe de alfabetização.

    Sendo assim, a convivência na escola pressupõe aprendizagens diárias mediadas por atitudes, ações, estratégias e procedimentos intencionalmente planejados e que garantam o exercício e a vivência dos valores necessários para qualificar a convivência como ética e democrática, tais como o respeito, a justiça, o diálogo, a solidariedade dentre outros (UNICEF, 2025,p.14).

     

    Entendemos que esse Programa contribuiu de forma significativa para a futura atuação profissional, pois permitiu discussões e reflexões acerca da realidade do cotidiano da rede pública estadual desde o início da formação e contribuiu para uma convivência com os estudantes da sala de aula do 2º Ano do Ensino Fundamental e com os profissionais da escola.

    Do mesmo modo, os estudantes universitários tiveram a oportunidade de assumir o protagonismo, propondo ações e intervenções com o professor regente e supervisionados pelo professor orientador, com a finalidade de superar os desafios da sala de aula, além de desenvolver uma investigação didática.

     

    REFERÊNCIAS

     

    ANDRÉ, M. E. D. A. Políticas e programas de apoio aos professores iniciantes no Brasil. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 42, n. 145, p.112-129, abr. 2012. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0100 15742012000100008.

    Denzin, N. K.; LINCOLN, Y. S. Introdução: a disciplina e a prática da pesquisa qualitativa. In: ______. (Orgs.). O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens. 2. ed. Porto Alegre: Artmed e Bookman, 2006. p.15-41 Tradução de: Sandra Regina Netz.

     

    MALDONADO, R. M. Los saberes docentes como construcción social: la enseñanza centrada en los niños. México: Fondo de Cultural Econômica, 2002. 231p.

     

    NÓVOA, A. Os professores e a sua formação num tempo de metamorfose da escola. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 44, n. 3, p. 1-15, e84910, 2019. doi: http://dx.doi.org/10.1590/2175 623684910.

     

    RAMOS, C. J. M. Programa Bolsa Formação – Escola Pública e Universidade: implicações e contribuições para a política educacional de formação inicial de professores. 2020. 256f. Tese (Doutorado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020.


    ___________; SOUZA, M. P. R. . A Formação Inicial de Professores: contribuições e desafios a partir da perspectiva crítica em Psicologia Escolar e Educacional. In: Veiga, C. G.; Carvalho, A. F. de; Rocha, M. S. P. de M. da.. (Org.). Nas Asas da Liberdade: a pesquisa na área de fundamentos da educação como possibilidades de reinventar os processos educadores. 1ed.Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2022, v. , p. 163-173.

     

    SOUZA, M. P. R. Políticas Públicas e Educação: desafios, dilemas e possibilidades. In: ASBAHR, F. S. F. et al. (Orgs.). Políticas públicas em educação: uma análise crítica a partir da psicologia escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011. p.229-243. ISBN 978-85-7396-492-9.

     

    UNICEF. Violência extrema contra as escolas: orientações para preparação e resposta. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/media/32591/file/ViolenciaEscolas_protocoloUNICEF_marco2025.pdf.pdf. Acesso em 25 out. 2025.

     

     

    ZEICHNER, K. Repensando as conexões entre a formação na universidade e as experiências de campo na formação de professores em faculdades e universidades. Educação (UFSM), Santa Maria, v. 35, n. 3, p.479-504, set.-dez. 2010. doi: http://dx.doi.org/10.5902/198464442357.

     

  • Palavras-chave
  • formação inicial de professores, psicologia escolar e educacional, políticas públicas.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
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