CALÇADAS ECOLÓGICAS COMO ESPAÇOS EDUCATIVOS, SUSTENTABILIDADE E CONVIVÊNCIA URBANA NA FORMAÇÃO CIDADÃ

  • Autor
  • Rosely Yavorski
  • Resumo
  •  

    CALÇADAS ECOLÓGICAS COMO ESPAÇOS EDUCATIVOS, SUSTENTABILIDADE E CONVIVÊNCIA URBANA NA FORMAÇÃO CIDADÃ

     

                                                                                         

    PALAVRAS-CHAVE: Sustentabilidade, calçadas ecológicas, mudanças climáticas, educação ambiental, bem-estar social.

     

    1 INTRODUÇÃO

    Nas últimas décadas, as mudanças climáticas têm se intensificado provocando impactos significativos nos ecossistemas, na saúde humana e na qualidade de vida. Diante deste cenário é fundamental repensar as formas de ocupar e usar os espaços urbanos, buscando alternativas que possam promover a sustentabilidade e tornar a convivência, entre sociedade e meio ambiente, harmônica. Neste contexto, as calçadas ecológicas são uma solução inovadora e acessível, capaz de contribuir para diminuir os efeitos das mudanças climáticas. As calçadas ecológicas podem favorecer diminuindo o calor, enchentes, melhorando a mobilidade urbana e o bem-estar da comunidade.

    No contexto educacional, as calçadas ecológicas podem auxiliar, como espaço pedagógico, estimulando a reflexão crítica do papel do cidadão na construção de

     

     

     

    cidades mais adequadas a vida humana, e a educação ambiental, neste sentido, tem a intensão de promover o engajamento de estudantes e comunidade em práticas sustentáveis e fortalecendo valores (responsabilidade, solidariedade e respeito à diversidade ambiental) importantes para a convivência em comunidade.

    O artigo tem como objetivo analisar o importante papel das calçadas ecológicas como instrumento pedagógico da educação ambiental e convivência urbana, destacando suas contribuições para ajudar a diminuir os efeitos das mudanças climáticas e para a formação cidadã nos diversos contextos.

    A escolha da temática se justifica pela necessidade de ampliar o debate sobre soluções sustentáveis para os espaços urbanos e que possam ser integradas aos processos educativos. As calçadas ecológicas como espaço de aprendizagem e convivência evidência a relevância em construir uma cultura ambiental crítica e participativa estruturada dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e das diretrizes da Educação Ambiental (EA). A pesquisa busca contribuir com prática pedagógicas que valorizem o território como campo de conhecimento e transformação social.

     

    2 REFERENCIAL TEÓRICO

    As calçadas ecológicas são alternativas para diminuir os impactos do desenvolvimento urbano na vida das pessoas e no meio ambiente, assim, as infraestruturas das calçadas ecológicas emergem como espaço verde, ecológico e sustentável buscando promover desenvolvimento urbano alinhado as questões ambientais e socioculturais do entorno (SCHUH e BARBOSA, 2025).

    Schuh e Barbosa (2025) destacam que espaços verdes como as calçadas ecológicas trazem benefícios para as cidades melhorando o clima e ajudando a diminuir os efeitos das ilhas de calor, reduzindo os níveis de carbono, aumentando a absorção das águas e reduzindo o risco de enchentes, proteção e conservação da biodiversidade da fauna e flora, e ainda, melhorando a qualidade de vida dos indivíduos do entorno.

    A adoção de calçadas ecológicas está alinhada com os princípios da infraestrutura verde que procura interconectar estrategicamente áreas naturais, rurais e outras áreas aos valores e funções dos ecossistemas gerando um leque de benefícios para o homem e para a vida silvestre. Essa abordagem corrobora com a ideia de que o espaço público planejado atende as necessidades humanas e ecológicas equilibrando a convivência entre sociedade e natureza (JESUS, 2021).

    A implantação de calçadas ecológicas colabora com a prática de atividades como caminhada e ciclismo valorizando a saúde e a qualidade de vida do pedestre e tornando a mesma acessível e segura, neste sentido, os benefícios proporcionados pelas calçadas ecológicas são inúmeros além de minimizar os impactos da industrialização proporcionam conforto e lazer para a população (SOARES; PELLIZZARO, 2019).

    Por outro lado, as calçadas ecológicas podem ser um recurso pedagógico utilizado pela Educação ambiental para entender as interrelações da sociedade com o território demonstrando o importante papel que o território exerce sobre a vida do indivíduo, e uma ferramenta eficaz na promoção da cidadania, autonomia, senso crítico, capacidade de tomar decisões levando o sujeito a olhar para a preservação da vida e compreender a realidade do entorno (Santos, et al., s.d). Ao observar, estudar e participar da construção de espaços ecológicos, o aluno desenvolve consciência ambiental e responsabilidade cidadã. A EA abordada de forma interdisciplinar, envolvendo todas as disciplinas escolares pode proporcionar uma compreensão holística das interações entre os seres humanos e o meio ambiente contribuindo, portanto, para mudanças de valores e cuidados com o meio ambiente (Vestena, et al., s.d). A EA deve estar presente em todas as etapas da educação integrando disciplinas e promovendo o diálogo entre os saberes científicos, culturais e comunitários.

    O ensino além das salas de aula, têm se tornado relevante para o contexto educacional, pois proporciona experiencias enriquecedoras, as quais complementam e expandem o aprendizado formal, e oferecem oportunidades únicas e especiais de aprendizado (Vestena, et al., s.d).

    De acordo com Almeida, et al. (2023) a importância da EA está em discutir questões que contribuam para a compreensão do social e da política, fortalecendo vínculos entre escola, território e comunidade baseados em uma convivência de respeito, empatia e corresponsabilidade. Para alcançar as capacidades exigidas para um cidadão, este deve compreender segundo Almeida e Ferreira (2008) que o espaço ideal é aquele que oferece condições de um caminhar seguro e confortável, respeitando a liberdade de cada um, e principalmente, aumentando as práticas sustentáveis, assim, a atenção e proteção a vegetação assegura qualidade de vida a população (SANDRI, et al, 2021).

     

    3 METODOLOGIA

    O estudo considerou a abordagem qualitativa, com foco na observação e análise interpretativa de calçadas ecológicas em três municípios do estado do Paraná: Maringá, Sarandi e Marialva. A escolha dessas cidades se deu pela presença de iniciativas voltadas a sustentabilidade urbana.

    Foram realizadas visitas técnicas a diferentes bairros das cidades, procedendo ao registro fotográfico e anotações de elementos estruturais, funcionais e educativos presentes nas calçadas ecológicas. Entre os critérios de avaliação e análise das calçadas ecológicas, observou-se:

     

    - Presença de vegetação nativa ou adaptada;

    - Uso de materiais permeáveis;

    - Acessibilidade e integração com o entorno;

    - Elementos educativos, tais como: sinalizações, hortas, espaços de convivência;

    - Participação comunitária na manutenção ou concepção do espaço.

    As informações coletadas foram organizadas em fichas descritivas, permitindo identificar boas práticas e comparar estas entre os municípios.

    4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

    Observando as calçadas ecológicas nos três municípios (Maringá, Sarandi e Marialva) alguns aspectos importantes foram revelados tais como a integração entre infraestrutura urbana e sustentabilidade ambiental.

     

    1-    Diversidade e presença vegetal: todas as calçadas apresentam vegetação nativa e ornamental, destacando espécies locais que contribuem para a biodiversidade. Observou-se a presença de árvores e arbustos como ipês (principalmente na cidade de Maringá) e em Sarandi e Marialva encontrou-se ipês e arvores frutíferas como amoras, abacateiro, acerolas e pitangas. A presença destas árvores e arbustos promovem sombra melhorando o conforto térmico além de abrigar a fauna urbana composta por pássaros de várias espécies e saguis.

    2-    Elementos de permeabilidade: o uso de áreas de solo exposto e gramados demonstra a preocupação em reduzir o escoamento superficial e favorecer a recarga do lençol freático, em algumas calçadas observou-se a presença de pisos com espaçamento para a infiltração de água e pavers.

    3-    Engajamento comunitário e educativo: em alguns locais (Maringá, próximo ao Parque do Ingá) observou-se placas educativas indicando o nome das plantas, estas indicam a participação e envolvimento da comunidade e das escolas para promover a conscientização ambiental.

    4-    Acessibilidade e segurança: a presença de rampas, pisos táteis e iluminação adequada demonstra o compromisso com a pessoa deficiente e idosa dando-lhe condições de acesso aos diversos espaços comunitários, bem como a segurança dos usuários, porém não são em todos os espaços que existe esta segurança.

    5-    Uso e percepção social: as calçadas ecológicas valorizam e integram os espaços públicos. O fluxo constante de pedestres e ciclistas demonstram que os moradores percebem como positiva a iniciativa, e esta gera bem-estar a comunidade geral.

    6-    Desafios e oportunidades: as calçadas ecológicas precisam de manutenção constante, e para que esta iniciativa tenha impacto positivo é importante ampliar as áreas verdes e divulgar os benefícios ambientais conquistados.

    Em resumo, chegou-se à conclusão de que as calçadas ecológicas são espaços públicos saudáveis, inclusivos e ambientalmente responsáveis demonstrando que a combinação de técnicas sustentáveis e planejamento urbano beneficiam as cidades e a comunidade, que adquirem maior qualidade de vida.

    5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Entende-se que diante de tantas mudanças, que vem ocorrendo, no ambiente são necessárias mudanças no planejamento de nossas cidades, a fim de proporcionar qualidade de vida às pessoas sem que haja prejuízos para a natureza e o meio ambiente. As calçadas ecológicas ajudam a equilibrar os problemas relacionados ao clima, pois drenam as águas superficiais ajudando na manutenção dos rios e lençóis freáticos, neste contexto, as calçadas ecológicas representam uma estratégia urbana para minimizar os impactos do desmatamento e das mudanças climáticas.

    Outro aspecto importante, é o de contribuir com a educação utilizando as calçadas ecológicas como estratégias de ensino-aprendizagem como ferramenta para uma educação significativa criando comportamentos adequados à pessoa cidadã. Este tipo de calçada pode ser utilizado como laboratório, reforçando a importância da preservação ambiental e da convivência coletiva dando oportunidade para as pessoas interagirem com elementos naturais.

    A calçada ecológica é um espaço que além de embelezar as ruas deve preocupar-se com a proteção do meio ambiente educando a comunidade para um o desenvolvimento sustentável. Diante de tantos desafios sociais relacionados ao meio ambiente, investir em cidades saudáveis é um grande passo para a construção de um futuro mais sustentável.

     

    REFERÊNCIAS

    ALMEIDA, E.C.S., et al. A trilha interpretativa em escolas do campo como recurso pedagógico da Educação Ambiental. Revista Tempos Espaços em Educação, 16(25): 1-13, e18899. 2023. E-ISSN: 2358-1425.

    ALMEIDA, R.B.; FERREIRA, O.M. Calçadas ecológicas: construção e benefícios sócio-ambientais. 2008.

    JESUS, B.N. Infraestrutura verde: diretrizes para amenizar os danos das enchentes e dos alagamentos através do uso dos espaços livres. Monografia de Graduação. Instituto Federal do Espírito Santo, Coordenadoria de Arquitetura e Urbanismo, Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo. 2021.

    SANDRI, L.M., et al. Áreas permeáveis e o uso sustentável de recursos hídricos em Cascavel, Paraná, Brasil. Revista Internacional Resiliência Ambiental Pesquisa e Ciência Sociedade 5.0 Resiliência Ambiental, 3(2): 1-16. 2021. ISSN: 2675-3456.

    SANTOS, I.C., et al. Revisitando o sentido de território, os princípios e práticas da Educação Ambiental em documentos educacionais de uma escola municipal do Jardim Niceia (Bauru, SP). Educação-VIII CBE – Congresso Brasileiro de Educação. (s.d).

    SCHUH, A.L.; BARBOSA, L.C. Infraestrutura verde, conceitos e aplicações: uma revisão bibliográfica para o desenvolvimento de espaços verdes. Revista Thêma et Scientia, 15(1E): 213-231. 2025. ISSN: 2237-843X.

    SOARES, J.; PELLIZZARO, L. Inventário da arborização urbana do município de Ampére (Paraná-Brasil). Revista Brasileira de Meio Ambiente, 5(1): 111-127. 2019.

    VESTENA, R.F., et al. Turismo pedagógico e geoparque quarta colônia: Educação Ambiental na formação docente. CONEDU – IX Congresso Nacional de Educação. (s.d). ISSN: 2358-8829.

     

     

  • Palavras-chave
  • Sustentabilidade, calçadas ecológicas, mudanças climáticas, educação ambiental, bem-estar social.
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