ÁREAS DE REFERÊNCIA DOS PROJETOS DE EXTENSÃO DO IFSC CAMPUS CANOINHAS NOS ANOS 2016 A 2025

  • Autor
  • Andressa Cassias Pereira
  • Co-autores
  • Fátima Peres Zago de Oliveira , Daiane de Souza Carvalho
  • Resumo
  •  

    Grupo de Trabalho (GT 7): GT 7 – Educação Profissional e Tecnológica

     

    Modalidade do trabalho: comunicação oral

     

    Formato de apresentação: presencial

     

    ÁREAS DE REFERÊNCIA DOS PROJETOS DE EXTENSÃO DO IFSC CAMPUS CANOINHAS NOS ANOS 2016 A 2025

     

    Andressa Cassias Pereira

    Fátima Peres Zago de Oliveira

    Daiane de Souza Carvalho


     

    PALAVRAS-CHAVE: Extensão;  IFSC;  área de referência; formação integral.

     

    1 INTRODUÇÃO

    A presente pesquisa tem como tema as áreas de referência dos projetos de extensão do IFSC Campus Canoinhas, com delimitação temporal de 2016 a 2025.estudo busca responder à seguinte questão-problema: Quais são as áreas de referência dos projetos de extensão do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) Campus Canoinhas no período de 2016 a 2025? 

    Como busca de resposta para o problema tem-se como objetivo geral identificar as áreas de referência dos projetos de extensão desenvolvidos no IFSC - Campus Canoinhas no período de 2016-2025.

    A escolha deste tema se justifica pela relevância institucional e social da extensão como prática formativa e de aproximação com a comunidade. Além disso, não há estudos que sistematizem dados sobre as áreas de referência no contexto do IFSC - Campus Canoinhas, de acordo com a confirmação no Observatório Proept bem como no Portal EduCapes, o que confere a importância deste estudo. O 

     

    produto resultante, a sistematização e análise dos projetos de extensão de quase 

    uma década, oferece subsídios para planejamento, transparência e fortalecimento das políticas de extensão institucional.

    Por fim, o objeto de análise compreende os projetos de extensão desenvolvidos entre 2016 e 2025, e o método utilizado baseia-se em uma pesquisa documental de abordagem qualitativa e caráter descritivo, contemplando a produção e a análise dos dados registrados no Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) do IFSC Campus Canoinhas.

     

    2. Instituto Federal de Santa Catarina - Campus Canoinhas

    O IFSC é uma instituição pública federal de educação profissional, científica e tecnológica que integra a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. Sua missão é promover a formação cidadã e o desenvolvimento regional por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, com foco na inclusão social e na inovação tecnológica (IFSC, 2025). Como complemento dessa missão, um elemento estruturante do projeto pedagógico dessa instituição é a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão como princípio epistemológico quanto à sua concepção e identidade.

    Tendo como base o Projeto de Desenvolvimento Institucional (IFSC, 2025), os campus buscam desempenhar papel estratégico no desenvolvimento regional no que tange a identidade cultural, científica e tecnológica. 

    Destarte, o Campus Canoinhas, foi criado com o objetivo de atender à região do Planalto Norte Catarinense, e atua em sintonia com as demandas locais e regionais, promovendo a inclusão e a formação cidadã para a transformação social, por meio da educação profissional, científica e tecnológica (PDI 2025-2029). 

    Oferece cursos técnicos, de graduação e pós-graduação, e desenvolve ações de extensão voltadas à geração e difusão de conhecimento e inovação, contribuindo para o desenvolvimento social, econômico e cultural da região.

    Nesse campus, as atividades de extensão têm se consolidado como um espaço que envolve estudantes, servidores e comunidade externa. Assim, permite-se que o conhecimento científico produzido no ambiente acadêmico seja aplicado em benefício da sociedade, ao mesmo tempo em que os saberes populares e as realidades locais contribuem para a formação integral dos estudantes e para a busca dessas soluções.

    2. Sobre a extensão

    Extensão é um dos pilares que sustentam uma instituição de ensino. Ela está indissociada ao ensino e à pesquisa. Sendo assim, ao tratar sobre “extensão”, temos a imprescindibilidade de tê-la indissociada do ensino e da pesquisa. Da mesma maneira, a concepção de extensão do IFSC coaduna com Freire (2020) de que extensão é comunicação e deve gerar transformação, devendo ocorrer de forma dialógica entre os sujeitos envolvidos, portanto, ao se falar em “extensão” estamos também tratando sobre ensino e pesquisa, numa atividade  interativa e comunicativa.

     A resolução 61 do Conselho Superior (CONSUP) (IFSC, 2016), regulamenta as Atividades de Extensão no Instituto Federal de Santa Catarina, em seu artigo 1º, “a extensão é entendida como um processo educativo, cultural, político, social, científico e tecnológico que promove a interação dialógica e transformadora entre o IFSC e a sociedade de forma indissociável ao ensino e à pesquisa” . 

    As atividades de extensão consistem no compartilhamento mútuo de conhecimento produzido ou desenvolvido na instituição que, numa relação de diálogo, promove a interação dialógica, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, interdisciplinaridade, interprofissionalidade, impacto na formação do estudante e impacto e transformação social. Essa perspectiva, que visa a formação integral dos estudantes, envolve servidores e discentes em diversos formatos como programas, projetos, cursos, eventos ou produtos. Segundo o IFSC (2016), é considerado extensionista todo servidor, discente ou cidadão da comunidade externa com vínculo oficial em atividades de extensão do IFSC. As atividades e projetos de extensão abrangem algumas áreas temáticas, as quais falaremos neste estudo.

     

    3 METODOLOGIA

    O estudo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa fundamentada em análise documental.

    Os dados foram obtidos a partir do levantamento dos projetos de extensão cadastrados no SIGAA, do IFSC Campus Canoinhas, entre os anos de 2016 e 2025 (setembro), disponíveis nos registros institucionais públicos.

    Na produção dos dados foram identificados o total de 170 projetos de extensão. Cada projeto foi classificado de acordo com sua área de referência, conforme a categorização utilizada pelo IFSC: Comunicação, Cultura, Educação, Meio Ambiente, Saúde, Trabalho, Direitos Humanos e Tecnologia e Produção. 

    As áreas de referência (ou temáticas) são categorias que organizam e classificam as ações de extensão, facilitando o acompanhamento, a avaliação e a formulação de políticas institucionais. Conforme o Plano Nacional de Extensão Universitária (FORPROEX, 2012), são reconhecidas oito grandes áreas temáticas: Comunicação, Cultura, Direitos Humanos e Justiça, Educação, Meio Ambiente, Saúde,  Tecnologia e Produção e  Trabalho.

    A análise das áreas de referência permite, portanto, identificar tendências, lacunas e oportunidades de melhoria, servindo como ferramenta de gestão e de planejamento para a consolidação das políticas de extensão institucional.

    Nesse contexto a articulação da Extensão com as áreas de referência, é crucial e visa direcionar e fortalecer o leque de interações com a sociedade. Nesse contexto, essa interação dialógica, deve nortear o compromisso institucional com o enfrentamento da exclusão e da vulnerabilidade sociais, bem como o combate a todas as formas de desigualdade e discriminação. 

    Os dados foram organizados e tabulados em planilha eletrônica, permitindo a quantificação anual e a análise da distribuição percentual por área de referência. Já a análise dos dados foi feita de forma descritiva e interpretativa, com uso de estatísticas simples (frequência e porcentagem), através de filtros das planilhas de Excel, apresentadas em tabelas e gráficos, a fim de facilitar a visualização da evolução temporal das áreas de referência dos projetos de extensão.

     

    4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

    No período de 2016 e 2025 , dos projetos de extensão identificados no IFSC Campus Canoinhas, houve variações das áreas de referência ao longo dos anos, refletindo mudanças nas demandas sociais e nas linhas de atuação institucional. No 

    quadro a seguir temos as principais áreas dos projetos de extensão.

     

    Quadro 01 - Projetos de extensão do IFSC-Campus Canoinhas - 2016-2025 por área de referência

    Área de referência

    Nº de projetos

    Percentual

    Tecnologia e Produção

    64

    37,7%

    Educação

    39

    22,9

    Meio Ambiente

    32

    18,9

    Cultura

    10

    5,9

    Direitos Humanos e Justiça

    7

    4,1

    Comunicação

    6

    3,5

    Saúde

    6

    3,5

    Trabalho

    6

    3,5

    Fonte: Dados da pesquisa

    A área de Tecnologia e Produção foi a mais expressiva, com 64 projetos representando 38% dos projetos analisados. Educação foi a segunda mais contemplada, com 39 projetos, correspondendo a aproximadamente 23% do total, em seguida, destaca-se a área de Meio Ambiente, com 32 projetos (19%). 

    Esses dados evidenciam o alinhamento curricular do campus, a demanda local por modernização e a vocação agrícola regional. A área de Tecnologia e Produção está relacionada aos conhecimentos desenvolvidos nos cursos na área de tecnologia da informação, aliado aos conhecimentos construídos pelo curso na área de agrárias, traz, na extensão, a interdisciplinaridade e juntamente com os projetos na área em Educação, o compromisso do campus com a formação cidadã, a inclusão e o desenvolvimento regional sustentável. Sendo de suma importância para a região, pois na sociedade contemporânea marcada pelas mudanças aceleradas pela tecnologia (Postman, e Weigartner, 1971), essa é uma área relevante e necessária para trabalhar a extensão em todas as suas dimensões: Interação dialógica, Interdisciplinaridade e interprofissionalidade, Indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, Impacto na formação do estudante e Impacto e transformação social (CNE/2018).

    A área de Cultura aparece em quarto lugar, com 10 projetos (6%), Direitos Humanos com 7 projetos (4%), seguido das áreas de Saúde (6 projetos), Trabalho (6 projetos),  e Comunicação (6 projetos), todas representando entre 3% a 4% cada.

    Ao longo do período, observa-se um crescimento significativo no número de 

    projetos entre 2018 e 2022, chegando ao pico de 33 projetos em 2019 e 22 projetos em 2022. 

    A diversificação temática indica que o campus tem atuado de forma ampla, embora ainda se perceba uma concentração maior nas áreas de tecnologia e produção, educacional e ambiental, o que reflete tanto a vocação institucional quanto às demandas regionais da comunidade de Canoinhas e entorno.

    Esses resultados reforçam o papel da extensão como prática interdisciplinar e transformadora, capaz de integrar ensino, pesquisa e ação social. Além disso, apontam caminhos para o planejamento estratégico futuro, especialmente no incentivo a áreas menos exploradas, como Comunicação e Direitos Humanos.

     

    5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

    O presente estudo teve como objetivo identificar e analisar as áreas de referência dos projetos de extensão desenvolvidos no IFSC Campus Canoinhas entre 2016 e 2025. A partir da análise documental dos registros institucionais públicos, foi possível observar a relevância e a diversidade das ações extensionistas realizadas ao longo do período.

    Os resultados demonstram que a área de Tecnologia e Produção se destacou como a mais recorrente, revelando a forte presença de iniciativas voltadas à ciência e tecnologia com o fortalecimento dos vínculos entre o IFSC e a comunidade. As áreas de Educação e Meio Ambiente também apresentaram grande representatividade, refletindo a preocupação institucional com a sociedade, a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental.

    As demais áreas — Cultura, Saúde, Comunicação, Trabalho e Direitos Humanos, embora com menor número de projetos, evidenciam a amplitude e o caráter interdisciplinar da extensão, reforçando seu papel como espaço de experimentação, inovação e transformação social.

    Assim, conclui-se que o IFSC Campus Canoinhas tem desenvolvido ações extensionistas que acompanham as demandas locais e regionais, promovendo a interação entre o saber científico e o saber popular. 

    Também, os dados levantados oferecem subsídios importantes para o planejamento futuro de políticas institucionais de extensão, especialmente no estímulo à diversificação de áreas e ao fortalecimento de parcerias externas.

    Como continuidade, recomenda-se a ampliação das análises qualitativas sobre o impacto social dos projetos e a avaliação das contribuições formativas para os estudantes envolvidos, de modo a aprofundar a compreensão sobre os efeitos da extensão na comunidade e no processo educacional.

     

    REFERÊNCIAS 

    BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). eduCAPES. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/. Acesso em: 08 jun. 2025.

    BRASIL. Resolução CNE/CES nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira e regimenta o disposto na Meta 12.7 da Lei nº 13.005/201 que aprova o Plano Nacional de Educação - PNE 2024 - 2024 e dá outras providências. Disponível em: <https://encurtador.com.br/MckP>. Acesso em: 10 0ut. 2025.

    FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? Tradução de Rosisca Darcy de Oliveira,l 22a ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2020.

    FOPROEX. Política Nacional de Extensão Universitária. 2012. Disponível em: <https://proexc.ufu.br/sites/proexc.ufu.br/files/media/document/Politica_Nacional_de_Extensao_Universitaria_-FORPROEX-_2012.pdf>. Acesso em: 10 out. 2025.

    IFTM. Observatório ProfEPT. Disponível em:< https://obsprofept.midi.upt.iftm.edu.br/>. Acesso em: 10 out. 2025.

    IFSC. Histórico do Câmpus Canoinhas. Disponível em: <https://www.ifsc.edu.br/web/campus-canoinhas/historico>. Acesso em: 01 jul. 2025.

    IFSC. Plano de Desenvolvimento Institucional 2025–2029. Florianópolis: IFSC, 2025. Disponível em: <https://www.ifsc.edu.br/pdi-2025-2029>. Acesso em: 11 out. 2025.

    IFSC. Resolução CONSUP nº 61, de 12 de dezembro de 2016. Regulamenta as Atividades de Extensão no IFSC. Disponível em: <https://curricularizacaodaextensao.ifsc.edu.br/>. Acesso em 10 out 2025.

     

    POSTMAN, N.; WEINGARTNER, C. Contestação: nova fórmula de ensino. Tradução de Álvaro Cabral. Editora Expressão e Cultura: Rio de Janeiro, 1971.

     
  • Palavras-chave
  • Extensão; IFSC; área de referência; formação integral
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 7 - Educação Profissional e Tecnológica
Voltar Download
  • GT 1 - Convivência escolar e enfrentamento à violência: práticas que desenvolvemos para a melhoria da qualidade da escolarização
  • GT 2 - Filosofia e Epistemologia da Educação
  • GT 3 - Mudanças Climáticas: educação ambiental, saúde e produção de alimentos
  • GT 4 - Educação Física e Esporte
  • GT 5 - Divulgação científica/Ensino de Ciência
  • GT 6 - Arte e Educação
  • GT 7 - Educação Profissional e Tecnológica
  • GT 8 - Novas Tecnologias na Educação
  • GT 9 - Questões Étnico-Raciais na Educação
  • GT 10 - Agricultura, Sociedade e Educação
  • GT 11 - Educação Superior
  • GT 12 - Educação Comparada
  • GT 13 - Desafios, tendências e impactos das políticas públicas na educação: qualidade, equidade e gestão em perspectiva nacional e internacional
  • GT 14 - Educação Inclusiva
  • GT 15 - Plurilinguismo na Educação
  • GT 16 - Linguagens e letramentos na Educação