REVISÃO INTEGRATIVA SOBRE A EDUCAÇÃO PLURILÍNGUE NA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES

  • Autor
  • Diogo Fernando da Silva
  • Co-autores
  • Ria Buzzi Rausch
  • Resumo
  •  

    1 INTRODUÇÃO

    Esta revisão integrativa, vinculada ao Grupo de Pesquisa sobre Trabalho e Formação Docente – GETRAFOR” do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), objetiva analisar proposições para a formação continuada de professores em educação plurilíngue.

    A contemporaneidade, marcada pela intensa circulação global de pessoas, ideias e culturas, torna a diversidade linguística uma realidade cada vez mais evidente na educação. Nela, coexistem línguas indígenas, afro-brasileiras, de imigração e de sinais, entre outras, frequentemente subalternizadas por um sistema norte/eurocêntrico[1], hegemônico, monocultural e monolíngue (Galante et al., 2024).

    Nesse contexto, a Educação Plurilíngue emerge como uma contraproposta ao modelo tradicional, reconhecendo a complexidade dos repertórios linguísticos dos estudantes e a importância de um ensino que promova o acolhimento e o diálogo entre diferentes saberes e culturas (García, 2009). No entanto, para que o plurilinguismo não se limite a uma abordagem tecnicista, é crucial articulá-lo nas perspectivas "outras" ou críticas, capazes de superar esse paradigma colonial hegemônico norte/eurocêntrico.

    A formação continuada de professores representa um espaço estratégico para a implementação dessas perspectivas. É fundamental refletir sobre a formação docente para que os professores possam atuar como mediadores plurilíngues e agentes do plurilinguismo. Diante disso, essa revisão se propõe a responder à seguinte questão: quais proposições à formação continuada de professores sobre educação plurilíngue?

    Embora, a pesquisa propõe apresentar sua metodologia delineada ao objetivo de estudo, através de uma revisão integrativa da literatura com foco no plurilinguismo.

     

    2 REFERENCIAL TEÓRICO

    O cenário da diversidade linguística e cultural no Brasil é, em parte, um reflexo da modernidade e do Estado-Nação, cujo sistema colonial buscou homogeneizar identidades e apagar diferenças (Quijano, 2005). A hegemonia norte/eurocêntrica, monocultural e monolíngue subalterniza línguas indígenas, afro-brasileiras e de imigração. O desafio é garantir que o plurilinguismo vá além de uma abordagem tecnicista, articulando-se em perspectivas "outras" ou críticas, capazes de superar esse paradigma colonial.

    A Educação Plurilíngue, como contraproposta, enfatiza o acolhimento e o diálogo entre saberes e culturas, reconhecendo a complexidade do repertório linguístico dos estudantes (García, 2009). Para isso, é crucial a formação docente, capacitando os professores para atuarem como mediadores plurilíngues e agentes do plurilinguismo na prática.

     

    3 METODOLOGIA

    Esta pesquisa utiliza a revisão integrativa da literatura como metodologia. Baseando-se em Vosgerau e Romanowski (2014), o objetivo foi buscar, sintetizar e analisar criticamente a produção científica da Educação publicada no Brasil sobre educação plurilíngue entre 2020 e 2024. Este processo visa: i) identificar trabalhos sobre formação continuada de professores em educação plurilíngue nos últimos cinco anos; ii) analisar temas, convertendo-os em problematizações; e iii) enunciar proposições que visam despertar interesses para futuras pesquisas.

    As etapas foram adaptadas das orientações de Botelho, Cunha e Macedo (2011, p. 127), conforme o Quadro 1:

    Quadro 1. Relação entre etapas e delimitações da pesquisa.

    ETAPAS

    DELMITAÇÕES DA PESQUISA

    Estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão

    Teses e dissertações publicados nos últimos 10 anos (2015-2025); Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); Trabalhos que abordassem explicitamente a articulação entre formação continuada de professores, educação plurilíngue e plurilinguismo.

    Identificação dos estudos pré-selecionados e selecionados

    Com descritores como "formação continuada", "professores" e "plurilinguismo".

    Categorização dos estudos selecionados

    Trabalhos serão agrupados em categorias, facilitando a síntese e a análise.

    Análise e interpretação dos resultados

    Discussão crítica dos achados, identificando convergências, divergências e lacunas na literatura.

    Apresentação da revisão/síntese do conhecimento

    Elaboração do texto da revisão, apresentando o percurso metodológico e os resultados da análise, culminando na apresentação das proposições.

    Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

     

    Após aplicar os critérios e descritores nas bases científicas, foram selecionados 08 (oito) trabalhos para leitura completa: (07) sete dissertações e 01 (uma) tese. Este resultado indica a necessidade de mais estudos científicos que dialoguem sobre esta temática crucial no cenário global do século XXI.

     

    3.1 Conceitualizações e Políticas da Educação Plurilíngue no Brasil

    Os trabalhos de Soares, (2021); Viana, (2023); Buonocore, (2023); Saviolli, (2022); Gomes, (2024) convergem ao considerar que a educação plurilíngue no Brasil é um campo em construção e expansão. Há debates sobre as terminologias (bilíngue, multilíngue, plurilíngue) e suas implicações.

    As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Plurilíngue são um marco importante, mas sua implementação enfrenta desafios, como a necessidade de formação docente, investimentos, planejamento pedagógico e organização curricular condizente.

    Viana (2023) e Buonocore (2023) apontam lacunas e "certa desarmonia" conceitual nos documentos oficiais. Observa-se a tensão entre visões monoglóssica e heteroglóssica da linguagem, com defesas por abordagens mais fluidas e inclusivas, como a translinguagem e as abordagens plurais. Diante dessas tensões e conceitos, os trabalhos resgatam o papel crucial da formação e da atuação dos professores como sujeitos ativos e transformadores.

     

    3.2. Formação de Professores para Contextos e Práticas Plurilíngues

    Há um consenso entre os trabalhos sobre a crítica à formação inicial de professores (Letras e Pedagogia), considerada insuficiente de preparar docentes para as especificidades da educação plurilíngue. Moura (2022) e Saviolli (2022) enfatizam os desafios enfrentados, como a falta de formação inicial, de diretrizes e políticas de valorização, de tempo para formação/planejamento e de recursos pedagógicos.

    Os "saberes docentes" (Saviolli, 2022) para a educação plurilíngue são amplos, englobando conhecimentos disciplinares, curriculares, domínio linguístico, conhecimentos sobre aquisição de segunda língua, metodologias de Ensino Integrado de Língua e Conteúdo (CLIL) e competências plurilíngues.

     

    3.3. Plurilinguismo e Inclusão da Diversidade em Contexto Escolar

    A crescente presença de estudantes imigrantes nas escolas brasileiras intensifica a necessidade de abordagens plurilíngues, como destaca Gomes (2024). O plurilinguismo é apresentado como um "exercício ético-político da docência", fundamental para promover acolhimento, respeito às diferenças linguísticas e o diálogo entre os saberes culturais, criando ambientes acolhedores e democráticos.

    Cavalheiro (2020) destaca como a formação multicultural levou professoras a uma maior conscientização e aproximação com a comunidade indígena local. A valorização de todas as línguas e culturas é um princípio chave para uma educação equitativa.

    A escola refle a cultura, a história e as relações de poder, não sendo neutra, monolíngue e monocultural. É um espaço plural que precisa promover à diversidade linguística e cultural dos estudantes. Para isso, é preciso promover métodos e práticas plurilíngues para acolher e prevenir discriminações em contextos hegemonicamente norte/eurocêntricos.

     

    3.4. Metodologias e Práticas em Salas de Aula Plurilíngues

    Diversas abordagens metodológicas são mencionadas, com destaque o Content and Language Integrated Learning (Aprendizagem Integrada de Conteúdo e Linguagem – CLIL) que integra o ensino de conteúdos curriculares de língua social com a língua nativa dos estudantes. Gomes (2024) evidencia como professoras mobilizaram a intercompreensão entre línguas e atividades plurilíngues para facilitar a integração de estudantes migrantes e refugiados de Venezuela.

    Saviolli (2022) discute a importância da linguagem acadêmica e da “biliteracia”. A translinguagem também é apontada como um conceito relevante para repensar as práticas pedagógicas menos compartimentalizadas e estereotipadas.

    Os trabalhos analisados permitiram sintetizar as seguintes proposições, que trazem uma sinergia crítica para futuros pesquisadores, conforme os resultados da revisão.

     

    4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

    Os trabalhos permitiram sintetizar temas emergentes que trazem uma sinergia crítica e aprofundada com premência para os futuros pesquisadores. No quadro a seguir, apresentam-se de maneira sucintamente as proposições da revisão.

    Quadro 2. As proposições da revisão integrativa.

    Palavras-chave

  • Formação Continuada, Educação Plurilíngue, Revisão Integrativa, Docência.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 15 - Plurilinguismo na Educação
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