UM ESTADO DO CONHECIMENTO: A PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA ESCOLAR EM TESES E DISSERTAÇÕES BRASILEIRAS
PALAVRAS-CHAVE: violência escolar; prevenção; estado do conhecimento; produção acadêmica; políticas educacionais; CIPAVE.
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho se insere nas ações do Observatório Universitário da PUCRS sobre Violência Escolar (OUVE-PUCRS), iniciativa vinculada ao Laboratório das Infâncias (LabInf/PUCRS). Esse é um espaço interdisciplinar de pesquisa e extensão voltado à produção de conhecimento sobre as múltiplas expressões da violência no contexto educacional, que tem como proposta escutar o cotidiano das escolas, mapear diferentes formas de violência e transformar esses dados em ações concretas de enfrentamento. A partir das atividades desenvolvidas pelo OUVE, delineou-se o interesse em investigar temas acerca da prevenção da violência escolar. Diante desse contexto, é necessário compreender como a produção científica brasileira aborda a prevenção da violência escolar e figura como essencial para subsidiar políticas públicas e práticas pedagógicas mais eficazes.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A violência escolar é um fenômeno complexo e multifacetado que envolve toda a comunidade escolar de forma direta e indireta (Cunha et al., 2023). Suas manifestações variam conforme os contextos históricos e sociais nos quais as instituições de ensino estão inseridas (Abramovay, 2006). Embora não haja consenso em torno de uma definição única, é possível reconhecer elementos comuns às diversas concepções, como o uso da força, a coerção, o dano físico ou simbólico e a violação de direitos humanos (Abramovay, 2006). Nos últimos anos, a violência em ambientes escolares tem ganhado grande visibilidade midiática e acadêmica, impulsionando debates sobre o papel da escola e a necessidade de estratégias de prevenção. Dados do Observatório Nacional de Desenvolvimento Humano (ObservaDH) apontam um aumento significativo nos ataques a escolas, com média de dois episódios anuais a partir de 2019 e picos de 10 ataques em 2022 e 15 em 2023, resultando em nove mortes e 29 feridos apenas em 2023 (OBSERVADH, 2024).
3 METODOLOGIA
A pesquisa utilizou-se da metodologia do Estado do Conhecimento. De acordo com Morosini e Fernandes (2014, p. 102) essa técnica consiste na “[...] identificação, registro, categorização que levem à reflexão e síntese sobre a produção científica de uma determinada área, em um determinado espaço de tempo”. As buscas foram realizadas nas plataformas Banco Digital de Teses e Dissertações (BDTD) e Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES, utilizando os descritores “violência escolar” e “prevenção” conectados pelo operador booleano AND. O recorte temporal abrangeu o período de 2016 a 2025, visando a atualidade das produções. Ao total foram identificados 134 trabalhos, dos quais 60 (48 dissertações e 12 teses) foram selecionados após leitura exploratória e exclusão de duplicatas e pesquisas não aderentes ao tema. As produções foram organizadas em cinco categorias analíticas.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise das categorias revela que a produção acadêmica brasileira sobre prevenção da violência escolar concentra-se em dois eixos principais: programas de intervenção em escolas e análise de políticas públicas de prevenção. Isso indica um campo dividido entre práticas pedagógicas e ações institucionais. Embora em menor número, os estudos sobre formação docente e propostas de novos modelos preventivos apontam a importância da capacitação de professores. As revisões de literatura, apesar de menos frequentes, têm papel estratégico na sistematização do conhecimento e identificação de lacunas.
Figura 1 – Distribuição dos trabalhos por categoria
Fonte: elaboração própria
Já a análise temporal mostra que a produção acadêmica sobre prevenção da violência escolar acompanha acontecimentos sociais e históricos. O pico de publicações em 2019 coincide com o ataque à Escola Raul Brasil, em Suzano (SP), o que possivelmente impulsionou o interesse pelo tema. Em 2020, há uma queda significativa, possivelmente devido à pandemia de covid-19, com retomada gradual em 2021 e novo crescimento em 2023, ano marcado por ataques a escolas, como o ocorrido em Blumenau (SC). Esses eventos tendem a gerar maior mobilização científica e política, evidenciando que o debate sobre prevenção da violência escolar se intensifica em resposta a crises e acontecimentos críticos.
Figura 2 – Evolução dos trabalhos por ano
Palavras-chave