PROPOSTAS DE EDUCAÇÃO SOCIOEMOCIONAL NA ESCOLA COMO ESTRATÉGIA DE PREVENÇÃO ÀS VIOLÊNCIAS E AO BULLYING

  • Autor
  • Chazana Talita Jasper Loffi
  • Co-autores
  • Maria Teresa Ceron Trevisol
  • Resumo
  •  

         Casos de bullying, cyberbullying e violências têm sido recorrentes no ambiente escolar. Em decorrência desses problemas, episódios de crises de ansiedade e depressão entre os estudantes, de diferentes faixas de idade, têm se acentuado. Diante desse cenário, como agir em relação a esses problemas? Que estratégias poderiam ser utilizadas? Considerando esses aspectos, a questão orientadora deste trabalho se volta a analisar o potencial de propostas de educação socioemocional como uma estratégia de prevenção e enfrentamento às violências, ao bullying no ambiente escolar.

         A educação socioemocional está diretamente relacionada ao papel da escola, que não se limita à transmissão de conteúdos instrutivos e cognitivos, mas busca contribuir para a formação integral dos estudantes. Os aspectos emocionais, sociais e intelectuais tornam-se fundamentais diante dos dilemas e desafios sociais enfrentados cotidianamente (Malta, 2023).

         Nesse sentido, de que forma a escola pode organizar o trabalho pedagógico voltado à educação socioemocional? Para organizar algumas respostas a esse questionamento efetuamos uma pesquisa bibliográfica, realizada no Portal de Periódicos CAPES e na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), objetivando verificar como a produção acadêmico-científica tem compreendido a educação socioemocional e que propostas têm sido planejadas e implementadas no cotidiano escolar visando o seu alcance.

         O embasamento da discussão proposta neste trabalho está sustentado em uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo exploratória e bibliográfica (Oliveira, 2016).

         Nas duas bases de dados, foram identificados 532 trabalhos, dos quais 15 eram duplicados, resultando em 517 estudos selecionados para análise inicial. Em seguida, aplicaram-se critérios de inclusão: a) Trabalhos que abordem propostas de educação socioemocional, como forma de prevenção às práticas de bullying, desenvolvidas em escolas públicas e/ou privadas, do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A seleção desse período se deve ao tempo da adolescência em que estudos (Trevisol; Uberti, 2016; Pigozi; Machado, 2015, entre outros) evidenciam manifestações de conflitos relacionados a diferentes fatores, questões relacionadas à identidade, gênero, entre outros.

         E, como critérios de exclusão: a) Trabalhos que não apresentem propostas de educação socioemocional, ou que descrevam iniciativas desenvolvidas com estudantes da Educação Infantil, dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, do Ensino Médio ou do Ensino Superior, em escolas públicas ou privadas. b) Trabalhos que não abordam a temáticas de pesquisa.

         Após a aplicação dos critérios, selecionamos duas propostas de educação socioemocional que têm por finalidade o enfrentamento das práticas de bullying no ambiente escolar.

         Considerando a pesquisa bibliográfica realizada, cujo objetivo foi identificar propostas de educação socioemocional planejadas e implementadas com a intenção de prevenir práticas de bullying, foram localizadas duas experiências relevantes. Em âmbito internacional, identificou-se no Portal de Periódicos da CAPES, o Programa Cyberprogram 2.0, descrito em artigo científico, e, em nível nacional, a dissertação intitulada “Projeto de Aprendizagem Socioemocional para o Contexto Escolar no Ensino Fundamental: estudos, intervenção professoral e análise”, desenvolvida por Souza (2023), na Universidade Estadual Paulista, UNESP, Bauru (SP).

         O Cyberprogram 2.0, tem como objetivo “avaliar experimentalmente os efeitos de um programa antibullying para prevenir ou reduzir o abuso entre pares, em termos de cognição, emoções, condutas associadas ao desenvolvimento socioemocional e à prevenção da violência” (Garaigordobil et al., 2015, p. 36). A amostra contou com 176 estudantes, de 13 a 15 anos, de três escolas de Gipuzkoa, na Espanha, divididos em grupos experimental e controle. 

         A intervenção teve 19 sessões de 1 hora, realizadas ao longo de um ano letivo. Nessas sessões, desenvolveram-se dinâmicas de grupo, debates com dramatização, técnicas de discurso em grupo, estudos de caso. Seguindo um manual metodológico com descrição detalhada das ações. No final, aplicou-se o questionário de avaliação CEP-Cyberprogram-2.0, os resultados apontaram melhoras significativas no gerenciamento das emoções e redução dos índices de violência e bullying entre os adolescentes (Garaigordobil et al., 2015).

         A dissertação de Souza (2023) teve como objetivo analisar as perspectivas de um projeto de educação socioemocional voltado a alunos do 6º ano, por meio de intervenções pedagógicas que contribuíssem para a aprendizagem e para a melhoria das relações interpessoais em um contexto marcado por conflitos. O projeto surgiu a partir das constantes queixas dos docentes relacionadas a xingamentos, desrespeito e práticas de bullying.

         Aconteceu em uma escola estadual da periferia de uma cidade do interior paulista, com a participação de 12 estudantes, de três turmas do 6º ano, de 11 a 13 anos. Teve duração de quatro meses, no 1º mês, ocorreu o levantamento das queixas dos professores; no 2º, a preparação das ações, com o convite aos participantes e a organização do calendário; e no 3º e 4º mês, a execução das atividades.

         Realizam-se seis encontros de 50 minutos com foco no desenvolvimento de competências socioemocionais que envolveram temas como valores morais, proatividade, respeito, autocrítica, autocontrole e empatia. Os resultados evidenciaram engajamento e participação dos alunos, com destaque para relatos e atitudes que demonstraram crescimento emocional e empatia. Como produto, elaborou-se um e-book intitulado “Crescer para Transformar”, disponibilizado para uso de outras escolas e docentes.

         Essas duas propostas, desenvolvidas em contextos territoriais e culturais distintos, demonstram a relevância e o potencial da educação socioemocional, como instrumento de prevenção e enfrentamento ao bullying e às violências escolares. 

         O presente trabalho teve como objetivo analisar o potencial de propostas de educação socioemocional como estratégia de prevenção das práticas de bullying no ambiente escolar. A partir do levantamento bibliográfico realizado, destacaram-se duas iniciativas que demonstraram efetividade em contextos distintos: o Cyberprogram 2.0, em âmbito internacional, e o projeto de intervenção de Souza (2023), em contexto nacional. Ambas reafirmam o potencial transformador da educação socioemocional na prevenção e enfrentamento do bullying, das atitudes de desrespeito e das violências escolares, durante a fase da adolescência.

         Estratégias como essas promovem o bem-estar, fortalecem as relações interpessoais e estimulam a confiança mútua entre os pares, contribuindo para a construção de uma cultura de paz nas escolas. Os resultados observados nas duas pesquisas evidenciam melhorias comportamentais e emocionais nos estudantes participantes das ações educativas. 

         Portanto, propostas de educação socioemocional devem ser integradas às práticas pedagógicas cotidianas, de modo a contribuir para a formação integral dos indivíduos, favorecendo o desenvolvimento de competências emocionais e sociais essenciais à convivência e ao aprendizado no ambiente escolar.

     

  • Palavras-chave
  • Violências na escola, Bullying, Propostas de Educação Socioemocional, Base Nacional Comum Curricular, Ensino Fundamental.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
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