UMA PRÁTICA DE LEITURA PARA A DESCONSTRUÇÃO DE PADRÕES DE MASCULINIDADE – EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL I

  • Autor
  • Aline Oliveira Malato
  • Co-autores
  • Ana Laura Domiciano Silvestre Vilhena , Flávia Maria de Campos Vivaldi , Larissa de Miguel Labat
  • Resumo
  • Este trabalho apresenta uma proposta de leitura literária voltada à desconstrução de padrões de masculinidade no contexto da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. A intervenção pedagógica foi estruturada a partir da obra Homens choram, de João Turu, cuja narrativa possibilita discutir expectativas sociais dirigidas aos meninos, expressão emocional e diversidade de modos de ser. A escolha da obra fundamenta-se tanto na pertinência temática quanto na qualidade estética do texto, que favorece a aproximação das crianças de questões identitárias de forma sensível.

    A literatura, quando mediada de maneira intencional, constitui um recurso formativo que ultrapassa o uso instrumental e amplia o repertório cultural das crianças. Como afirma Candido (2004, p. 82), a literatura “humaniza na medida em que faz viver”, permitindo ao leitor entrar em contato com experiências humanas diversas. Essa compreensão dialoga com Becker (1993), para quem o conhecimento se constitui por meio do confronto de ideias e da reorganização cognitiva promovida pelas interações sociais. Assim, a leitura compartilhada oferece oportunidades de tensionamento de significados e de desenvolvimento de competências socioemocionais.

    O referencial teórico também se apoia nas contribuições de Puig (1998), que propõe práticas morais procedimentais pautadas em diálogo, argumentação, escuta, deliberação e participação ativa. Segundo o autor, a formação moral ocorre em contextos nos quais as crianças podem tomar decisões, justificar posições e coordenar diferentes pontos de vista. Na prática analisada, tais princípios orientam a mediação docente, que conduz as discussões sobre modelos de masculinidade, seus efeitos e possibilidades mais amplas de vivência.

    A metodologia organiza-se em uma sequência didática composta por quatro etapas: sensibilização, leitura mediada, reconto coletivo e compartilhamento. Na etapa inicial, as crianças são convidadas a refletir sobre o significado de “ser homem”, registrando suas concepções. Em seguida, a leitura da obra promove debates sobre sentimentos, comportamentos e padrões de gênero presentes na narrativa. O reconto coletivo permite a criação de novas versões da história, favorecendo a criatividade, a expressão de ideias e o trabalho colaborativo. Por fim, o compartilhamento com a comunidade escolar reforça o protagonismo infantil e valoriza o processo formativo.

    Os resultados observados evidenciam que a sequência contribuiu para o desenvolvimento de empatia, sensibilidade estética, modulação dos sentimentos e descentração cognitiva. Piaget (1977) discute a importância da coordenação de perspectivas no desenvolvimento moral, afirmando que a interação entre pares favorece a passagem de uma moral heterônoma para uma moral autônoma. As atividades propostas, ao estimularem a cooperação e a argumentação, criaram condições para que as crianças refletissem sobre regras, valores e papéis sociais.

     

    A proposta demonstra que práticas de leitura planejadas com intencionalidade podem atuar na desconstrução de estereótipos de gênero e ampliar as possibilidades de expressão emocional entre meninos e meninas. Evidencia-se, assim, o papel da literatura como espaço de formação humana e a relevância de práticas pedagógicas que promovam reflexão crítica, participação democrática e convivência ética no ambiente escolar.

  • Palavras-chave
  • Comportamentos disruptivos; padrões de masculinidade; práticas de leitura; educação infantil; anos iniciais ensino fundamental 1
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
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