TECNOLOGIAS ASSISTIVAS: UMA FERRAMENTA DE INCLUSÃO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

  • Autor
  • Eleandra Katarina Barbieri
  • Co-autores
  • Gabriela Murara Junckes , Luciane Coutinho de Azevedo , Carlos Roberto de Oliveira Nunes
  • Resumo
  •  

    1 INTRODUÇÃO

    As Tecnologias Assistivas (TA) são fundamentais na promoção de maior autonomia de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida (Brasil, 2015). Produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência são possibilidades que contribuem para eliminar ou minimizar barreiras de comunicação, facilitar a aprendizagem, ampliar as possibilidades de mobilidade, além de favorecer o desenvolvimento de habilidades para o trabalho (Bastos et al., 2023; Cardozo et al., 2019). Segundo Berberi e Fracaro (2022), as TA apresentam possibilitam inclusão social e a autonomia do indivíduo visando maior independência e qualidade de vida.

    As TA abrangem tanto recursos de alta quanto de baixa tecnologia, podendo incluir dispositivos modernos e pré-fabricados, assim como soluções personalizadas, desenvolvidas de acordo com as necessidades de cada indivíduo (Bersch, 2017 citada por Freire et al. 2022), fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, medicina, arquitetura, engenharia, entre outras áreas (Freire et al., 2022; Sartoretto e Bersch, 2025). Esses recursos não são somente tecnológicos, são metodologias, práticas inclusivas que promovem a possibilidade do exercício de tarefas por pessoas com deficiência, proporcionando o desenvolvimento de habilidades, autoconfiança e independência (Souza et al. 2023).

    Estudos mostram que apesar do acesso ao recurso, a taxa de abandono das TA é por volta de 20% no Brasil (Sugawara, et al., 2018, citado por Freire et al., 2022). Para que a implementação de TA seja exitosa, além da visão multiprofissional é necessário que o usuário e a família sejam os protagonistas do processo (Freire, et al., 2022). No âmbito escolar, mesmo tendo ciência dos seus benefícios, percebe-se obstáculos que necessitam ser ultrapassados por toda comunidade escolar (Ribeiro, et al., 2024).

    Entende-se que as TA devem ser apresentadas à população para que todos tenham ciência da sua aplicabilidade e da sua importância para acessibilidade social, educacional e no mercado de trabalho das pessoas com deficiência. Diante disso, este trabalho tem como objetivo descrever uma estratégia metodológica utilizada na pós-graduação que tinha como objetivo desenvolver produtos técnicos acessíveis, de fácil vinculação e que fossem desenvolvidos com temas atuais e de interesse em saúde pública.

    2 REFERENCIAL TEÓRICO

    Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Brasil, 2023) indicaram que a população com deficiência no Brasil é estimada em 18,6 milhões de pessoas com dois anos ou mais de idade, o que corresponde a cerca de 8,9% da população nessa faixa etária.

    A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas (2007, p.16) conceitua a deficiência como: “o resultado da interação entre as pessoas que apresentam impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, com as diversas barreiras, comportamentais ou ambientais”. Esse conceito marca uma mudança de paradigma: saímos de uma abordagem biomédica, centrada apenas nas limitações do indivíduo, para uma perspectiva social, que reconhece que é o ambiente, com suas barreiras físicas e sociais, o principal fator que dificulta a plena inclusão dessas pessoas na sociedade (Berberi e Fracaro, 2022 e Freire et al., 2022).

    De acordo com Berberi e Fracaro (2022) perante essa nova compreensão, a deficiência adquire um caráter sociológico e político. Nesse contexto, tanto o Estado quanto a sociedade tornam-se agentes igualmente responsáveis pelo processo de inclusão, com o objetivo de promover cidadania, igualdade e dignidade. Assim, a pessoa com deficiência passa a assumir o protagonismo sobre sua própria vida, ainda que em uma dinâmica de interdependência.

    Pessoas com deficiência podem apresentar habilidades reduzidas de natureza física, sensorial ou cognitiva, o que pode impactar tanto a realização de atividades cotidianas quanto sua interação com a sociedade. Nesse contexto, as TA desempenham um papel fundamental ao ampliar essas habilidades e promover maior autonomia. Esses recursos contribuem para eliminar ou minimizar barreiras, facilitando a aprendizagem, ampliando as possibilidades de comunicação e mobilidade, além de favorecerem o desenvolvimento de habilidades para o trabalho (Bastos et al., 2023; Cardozo et al., 2019).

    Visando a melhoria da qualidade de vida do usuário, a TA é definida como um conjunto de dispositivos, estratégias, metodologias e práticas inclusivas. Seu propósito é promover um resultado funcional, que fomenta o exercício de tarefas, a mobilidade e o desenvolvimento de habilidades, autoconfiança e independência (Souza, et al. 2023; Sebold e Pedrosa, 2020).

    3 METODOLOGIA

    O presente trabalho descreve o processo de elaboração de um vídeo educativo a respeito do conceito, tipos e formas de uso das TA.  A elaboração do vídeo ocorreu durante a disciplina “Produção Técnica e Científica I do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Regional de Blumenau (FURB) e tinha como objetivo principal desenvolver um produto técnico-científico que pudesse ser utilizado em atividades de Educação em Saúde em unidades de Saúde e comunidade. Primeiramente, foram definidos o tema central do vídeo e o público-alvo. Na sequência, elaborou-se uma revisão narrativa sobre o tema. Decidiu-se pela elaboração de um vídeo em formato de apresentação com narração em áudio pelas mestrandas responsáveis pelo produto. Após o aprofundamento teórico no tema, elaborou-se um roteiro detalhado, contemplando as falas e o material visual que seria apresentado. Subsequentemente, realizaram-se a captação de imagens no Centro Especializado em Reabilitação (CER II) da Policlínica Universitária da FURB, e a gravação das falas. O conteúdo visual foi composto por imagens e por materiais complementares cedidos pelos familiares dos pacientes do CER II. Esse apresentava pessoas com deficiência utilizando TA em diferentes contextos, como atividades básicas, instrumentais da vida diária e lazer. Tradução simultânea em Libras e legendas foram incluídas após a finalização do vídeo, em respeito à acessibilidade comunicacional.  

    4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

    Como resultado do processo de trabalho, obteve-se um vídeo educativo sobre TA que foi publicado no YouTube e disponibilizado em redes sociais do programa. As TA representam instrumentos fundamentais para autonomia, inclusão e participação social plena, assegurando o direito à equidade e à dignidade humana. Apresentar essas ferramentas à população, de forma didática e clara, ajuda a quebrar paradigmas sociais e a promover a multiplicação do conhecimento sobre esse tema. A equanimidade assegura acesso às mesmas oportunidades, respeitando a individualidade e as necessidades de cada pessoa. Respeita o cumprimento de políticas públicas e as práticas de cuidado integral, expressando a diversidade e o respeito em sua experiência coletiva.

    5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Almeja-se que o vídeo produzido sobre as TA amplie o conhecimento das pessoas com deficiência, seus familiares e população em geral. O conhecimento traz independência, autonomia nas decisões e, nesse caso, pode ajudar as pessoas com deficiência e sua rede de apoio no processo de implantação das TA.

     

     

  • Palavras-chave
  • tecnologias assistivas, PcD, autonomia, acessibilidade
  • Modalidade
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