Grupo de Trabalho (GT): GT 11 – Educação Superior
Modalidade do trabalho: comunicação
Formato de apresentação: presencial
ATIVIDADES?EXTRACLASSE NA FORMAÇÃO ACADÊMICA E ATENÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS DOS TRABALHADORES
Luiza Barão Otero de Abreu[1]
Johanna Budag Carvalho[2]
Laiane Gabrieli Petry [3]
Eloysa Nezello[4]
PALAVRAS-CHAVE: Trabalhadores, Educação, Alimentação
A participação em atividades extraclasse promovidas pela instituição de ensino superior, quando voltada para a atenção aos direitos humanos, revela-se um importante caminho de formação para os acadêmicos. A educação vai muito além dos limites da sala aula, de forma que as atividades em campo ampliam o aprendizado para além do conteúdo técnico, permitindo vivencias voltadas a promoção de dignidade, autonomia e equidade social, valores dos direitos humanos.
Atividades educativas no ambiente de trabalho emerge como espaço estratégico para a efetivação desses direitos, uma vez que o tempo e o espaço ocupados pelos trabalhadores oferecem possibilidade real de impactar hábitos cotidianos, fortalecer a saúde coletiva e reduzir vulnerabilidades sociais. Assim, ao desenvolverem projetos voltados a essa população, os acadêmicos exercem um papel formativo que integra teoria e prática, educação e cidadania.
A intervenção alimentar e nutricional voltado aos trabalhadores, tem grande relevância a fim de reduzir os riscos do desenvolvimento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), com relevante papel para promoção da alimentação adequada e saudável, no controle das carências nutricionais (Ruthsatz; Candeias 2020). O ambiente de trabalho representa um espaço estratégico para a aplicação de ações de educação alimentar e nutricional (EAN), considerando o tempo que os indivíduos passam nesses locais e o potencial de influência sobre seus hábitos alimentares (BRASIL, 2022).
A atuação prática de acadêmicos do ensino superior em atividades extraclasse junto a trabalhadores de uma empresa destaca-se enriquecedor tanto para sua formação quanto para a promoção dos direitos humanos no ambiente laboral. Ao desenvolver ações voltadas a EAN, os estudantes transformam seu aprendizado em prática social. Paralelamente, os trabalhadores beneficiados com essas iniciativas concretizam o acesso ao direito humano.
O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de uma ação de EAN desenvolvida em uma empresa alimentícia, visando estimular a conscientização e aquisição de hábitos alimentares saudáveis entre os funcionários. Portanto, o trabalho relata a experiência de uma ação educativa em alimentação e nutrição desenvolvida em uma empresa do ramo alimentício, com o intuito de promover hábitos alimentares saudáveis entre os trabalhadores e fortalecer a prática acadêmica de estudantes do ensino superior.
Trata-se de uma metodologia ativa, realizada em uma empresa do ramo alimentício, com a participação dos funcionários da empresa, totalizando 118 pessoas. A intervenção teve duração de duas horas, ocorrendo no turno vespertino (14h às 16h).
A oficina foi conduzida por estagiárias do curso de Nutrição e Enfermagem da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), sob supervisão docente. No primeiro momento, os funcionários passaram por triagem com aferição de pressão arterial e glicemia capilar, realizada pelos estudantes de enfermagem. Em seguida, foram encaminhados às estagiárias de nutrição para avaliação antropométrica (peso e estatura), permitindo o cálculo do índice de massa corporal (IMC).
Com base nos resultados da triagem e da avaliação, foram realizadas orientações nutricionais personalizadas, abordando temas como controle de hipertensão, diabetes, consumo reduzido de ultraprocessados e substituição do sal comum por sal de ervas. Durante a atividade, utilizou-se o Prato Saudável como recurso visual para reforçar a proporção equilibrada dos grupos alimentares nas refeições. Os materiais utilizados incluíram balança, estadiômetro, alimentos exemplificativos, prato saudável, amostras de ultraprocessados e folheto com receita de sal de ervas.
A atividade apresentou resultados positivos, com ampla participação e envolvimento dos trabalhadores. A maioria dos participantes demonstrou interesse em conhecer seu Índice de Massa Corporal (IMC) e a recomendação hídrica diária, além de buscar informações sobre hábitos de vida mais saudáveis, relacionados à alimentação. Essa receptividade evidenciou que ações práticas e interativas de EAN são eficazes para despertar o interesse e a reflexão sobre o autocuidado, reforçando a importância de intervenções educativas em ambientes corporativos.
Além disso, a vivência de atividades extraclasse é enriquecedora para a formação dos acadêmicos do ensino superior, pois elas transcendem o ambiente tradicional da sala de aula e se vinculam a práticas sociais reais (Tenorio; Costa; Dos Santos, 2020). Ao atuarem junto aos trabalhadores de uma empresa, aplicando projetos de EAN, as acadêmicas não apenas consolidam seus conhecimentos técnicos, mas também desenvolvem competências como empatia, responsabilidade social e reflexão ética. Esse tipo de ação fortalece a educação superior como agente de transformação, preparando profissionais que compreendem a complexidade da realidade e que estão aptos a articular teoria com prática comunitária (Meneghetti; Da Costa; Lopes, 2022).
De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2022), promover reflexões sobre escolhas alimentares no ambiente de trabalho amplia o alcance da educação em saúde e fortalece a autonomia dos indivíduos. Simultaneamente, essa intervenção evidencia a importância de assegurar o direito humano à alimentação adequada para os trabalhadores, princípio reconhecido que inclui a alimentação entre os direitos sociais garantidos pela Emenda Constitucional nº 64. Ao fomentar a EAN, a universidade contribui para que esses trabalhadores possam exercer o direito à alimentação digna, autônoma e saudável, reforçando a dimensão de justiça social da educação e da saúde coletiva.
A participação em atividades extraclasse demonstra-se enriquecedora para a formação acadêmica, ao possibilitar a aplicação prática dos conhecimentos e o desenvolvimento de competências éticas e sociais. Ao intervir junto aos trabalhadores por meio de ações de EAN, as estudantes consolidam saberes e ampliam sua compreensão sobre a realidade comunitária. Paralelamente, tais iniciativas reafirmam o compromisso da universidade com a promoção do direito humano à alimentação adequada, contribuindo para a construção de profissionais socialmente responsáveis e alinhados aos princípios da saúde coletiva e da justiça social.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Emenda Constitucional nº 64, de 4 de fevereiro de 2010. Altera o art. 6º da Constituição Federal, para introduzir a alimentação como direito social. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2010
BRASIL. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022.
BRASIL. Marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.
MENEGHETTI, M. R.; DA COSTA, L. B.; LOPES, M. M. A relevância do estágio supervisionado no processo de formação do enfermeiro na graduação e o papel do docente. Revista Interdisciplinar de Saúde e Educação, v. 3, n. 1, p. 91-111, 2022.
RUTHSATZ, M.; CANDEIAS, V. Non-communicable disease prevention, nutrition and aging. Acta Bio Medica: Atenei Parmensis, v. 91, n. 2, p. 379, 2020.
TENORIO, J. S.; COSTA, C. J. A.; DOS SANTOS, G. O. O uso de vídeos como recurso avaliativo para aprendizagem: uma experiência na educação do Ensino Superior. Interdisciplinary Journal of Applied Science, v. 6, n. 10, p. 37-43, 2022.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Healthy workplaces: a model for action. Geneva: World Health Organization, 2023.