O presente estudo teve como objetivo identificar as variedades ativas e não ativas de mandioca cultivadas na comunidade quilombola Baixo Itacuruçá zonal rural do município de abaetetuba, pará, direcionado especificamente aos agricultores familiares. A investigação foi conduzida no próprio território da comunidade, reconhecendo a importância do contexto local para a compreensão da agrobiodiversidade. Como estratégia metodológica complementar ao questionário semiestruturado, empregou-se a técnica de turnê guiada, conforme preconizado por Albuquerque et al. (2010), onde os próprios agricultores atuaram como guias, conduzindo os pesquisadores por suas áreas de cultivo e compartilhando seu conhecimento técnico e íntimo sobre as variedades. Os resultados da pesquisa revelaram um rico repertório genético de mandioca, totalizando 33 variedades locais. Dentre estas, 21 foram classificadas como ativas, ou seja, ainda são cultivadas nos sistemas produtivos atuais da comunidade. Essas variedades ativas, que incluem nomes como 'taxi-folha fina', 'taxi-vovó', 'pescada', 'taxizinho', 'cardosa', 'santo antônio', 'caramujo', 'moleca seca', 'miriti', 'seis meses', 'saracura', 'angelim', 'manteiguinha', 'camarão', 'tucumãnzinho', 'madolha', 'taxi-branca', 'pariri', 'zolhuda', 'pacajá' e 'taxi-açú', representam a base da produção contemporânea e a resiliência do conhecimento tradicional, evidenciando o esforço contínuo dos agricultores na conservação in situ e na seleção de materiais adaptados. Em contrapartida, identificou-se um preocupante processo de erosão genética, com 12 variedades consideradas não ativas, que deixaram de ser plantadas. Entre as variedades não cultivadas estão 'maruim', 'roxinha', 'mangosalo', 'olhuda', 'caraene', 'tucumã', 'bolão', 'josé', 'torrão', 'peixe-boi', 'pretinha' e 'mangãozinho'. O abandono dessas cultivares pode ser atribuído a múltiplos fatores, como a introdução de variedades mais produtivas, mudanças nos padrões de consumo, maior suscetibilidade a pragas ou a interrupção da transmissão de manivas entre gerações. Conclui-se que a coexistência de uma ampla base ativa e um número considerável de perdas genéticas sublinha a urgência de ações de salvaguarda da agrobiodiversidade local.
Palavras-chave: agricultura familiar, conhecimento tradicional, soberania alimentar
O IV SEMINÁRIO SOCIOAMBIENTAL ANGOLA - BRASIL: EDUCAÇÃO, MEIO AMBIENTE, TECNOLOGIAS E SAÚDE é uma iniciativa de pesquisadores de diversas Instituições de Ensino Superior (IES) do Brasil e de Angola que integram a Rede Internacional de Extensão Universitária – RIEU. Nesta quarta edição, que ocorreu no Instituto Superior de Ciências de Educação do Sumbe (ISCED-Sumbe), fizeram parte da equipe as seguintes instituições brasileiras: UTFPR, UEMS, USP, UFTM, UFBA, UENF, IFRJ em parceria com IES angolanas: Universidade do Namibe (UNINBE), Instituto Superior Politécnico do Cuanza Sul (ISPCS), Instituto Superior de Ciências da Educação do Sumbe (ISCED) e Instituto Superior Politécnico Independente (ISPI) - por meio de seus docentes e discentes de graduação e pós-graduação, inclusive da área interdisciplinar.
INSTRUÇÕES GERAIS PARA SUBMISSÃO DE TRABALHOS
Foram aceitos apenas trabalhos inéditos, redigidos em língua portuguesa, que estejam em conformidade com o template disponibilizado. Devem ser observadas as seguintes orientações: espaçamento simples; fonte Times New Roman, tamanho 12; extensão entre 200 e 300 palavras. O resumo devia conter, obrigatoriamente, os seguintes elementos: objetivo, metodologia (tipo de estudo, local, público-alvo), resultados e conclusão, os quais devem ser apresentados de forma clara e precisa. O texto deverá ser digitado de modo a não desconfigurar o template. Serão aceitos até cinco autores por trabalho (incluindo o autor principal), sendo obrigatório que o autor principal esteja inscrito no evento. Cada autor poderá submeter até 2 trabalhos como apresentador. Os trabalhos poderão ser apresentados na modalidade apresentação oral ou pôster. Foram aceitos apenas trabalhos submetidos via plataforma Doity.
COMISSÃO ORGANIZADORA
Comissão Científica
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