RACISMO OBSTÉTRICO: HERANÇA HISTÓRICA E EPIDEMIA SOCIAL DA DESIGUALDADE NO BRASIL

  • Autor
  • Rayssa Marques Ponte
  • Co-autores
  • Camila Maria de Oliveira Ramos
  • Resumo
  • INTRODUÇÃO: O racismo obstétrico configura-se como uma forma específica de violência obstétrica que atinge, de maneira desproporcional, mulheres negras no Brasil. Essa prática reflete a intersecção entre racismo estrutural, desigualdade de gênero e classe social, evidenciando um padrão histórico de negligência e desumanização na assistência à saúde reprodutiva. Desde o período colonial, as práticas obstétricas foram construídas sob bases racistas e patriarcais, que ainda influenciam o tratamento destinado a corpos negros. Essa herança histórica perpetua desigualdades expressas em indicadores de saúde alarmantes, possibilitando compreender esse fenômeno como uma epidemia social e histórica, sustentada por estruturas institucionais que negam o direito à equidade no parto. Por isso, essa temática possui relevância social e científica por evidenciar desigualdades raciais na assistência reprodutiva, que resultam em maior risco de mortalidade materna e experiências de desumanização vividas por mulheres negras. OBJETIVO: Discutir a manifestação do racismo estrutural nas práticas obstétricas brasileiras e seus impactos na perpetuação das desigualdades raciais e na violação dos direitos reprodutivos das mulheres negras. MÉTODO: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, onde foram explorados, de forma isolada, os descritores “Racismo Obstétrico” e “Epidemia Social”, em bases de dados como: Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Como critério de inclusão, utilizou-se apenas artigos publicados nos últimos cinco anos (2020-2025) e escritos em língua portuguesa. Após consulta, destaca-se que quatro artigos foram selecionados para a revisão, onde apresentaram relação com os descritores selecionados para a pesquisa. RESULTADOS: Os resultados evidenciam que o racismo obstétrico é uma expressão do racismo estrutural e institucional que atravessa o sistema de saúde brasileiro, configurando-se como uma epidemia social que afeta mulheres negras no ciclo gravídico-puerperal. As experiências relatadas demonstram que essa violência se manifesta na negligência durante o parto, ausência de anestesia em procedimentos invasivos, falta de acolhimento, recusa de acompanhantes e peregrinação por unidades de saúde em busca de atendimento. Tais práticas refletem a naturalização da dor e do sofrimento das mulheres negras, sustentada por estereótipos históricos que associam o corpo negro à resistência física e à inferioridade social. A literatura reforça que a intersecção entre raça, gênero e classe agrava esse cenário, tornando essas mulheres mais vulneráveis a complicações e à mortalidade materna evitável. Além dos danos físicos, observa-se impactos emocionais, como medo e perda de autonomia, reforçando a desumanização e a invisibilidade desses corpos nas instituições médicas. Dessa forma, compreender o racismo obstétrico sob a perspectiva da epidemiologia crítica permite reconhecê-lo como uma questão coletiva e sistemática, e não como episódios isolados. CONCLUSÃO: Portanto, o racismo obstétrico revela-se como um fenômeno estrutural que compromete a equidade da assistência à saúde reprodutiva no Brasil. Reconhecer essa realidade é essencial para romper com práticas discriminatórias e promover um cuidado baseado na dignidade e na justiça social. A transformação desse cenário requer o fortalecimento de políticas públicas efetivas e compromisso ético dos profissionais com uma atuação antirracista e humanizada, reconhecendo o racismo como um determinante social de saúde, garantindo equidade para todas as mulheres.

  • Palavras-chave
  • Racismo Obstétrico, Epidemia Social, Desigualdade no Brasil.
  • Área Temática
  • Políticas Públicas e Vigilância em Saúde
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O Simpósio de Epidemiologia Hospitalar, realizado no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Sobral, constituiu-se como um importante espaço de atualização científica, troca de experiências e fortalecimento das práticas em saúde voltadas à vigilância, prevenção e controle de agravos no ambiente hospitalar.

O evento reuniu profissionais da saúde, gestores, docentes e estudantes interessados na temática da epidemiologia hospitalar, promovendo debates qualificados sobre estratégias de monitoramento de indicadores, segurança do paciente e a importância da atuação multiprofissional na melhoria da qualidade dos serviços.

Por meio de palestras, debates e atividades científicas, o simpósio buscou estimular a reflexão crítica e a disseminação do conhecimento técnico-científico, contribuindo para o aprimoramento das práticas assistenciais e para o fortalecimento da cultura de vigilância epidemiológica no contexto hospitalar. A realização do evento reafirma o compromisso da Santa Casa de Misericórdia de Sobral com a promoção de uma assistência segura e baseada em evidências.

Normas para a confecção dos Resumos Simples

O resumo deve ser configurado em fonte Times New Roman, tamanho 12, margens esquerda e superior: 3cm e direita e inferior: 2 cm; corpo do resumo com alinhamento justificado, em espaçamento simples com texto corrido. O documento deve possuir, em sua primeira linha, o Eixo Temático no qual está sendo submetido o resumo, centralizado e em negrito. 

Abaixo do Eixo Temático, deve ser inserido o título do Resumo. O título deve ser breve e informativo com, no máximo, 15 palavras, estar em letras maiúsculas, centralizado e em negrito. Evitar a utilização de siglas e abreviaturas no título. Não empregar ponto final em título de estudo científico.

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O corpo do resumo deve conter, no mínimo, 400 palavras e, no máximo, 500 palavras (não incluídos o eixo temático, o título, os nomes dos autores, as afiliações institucionais, as palavras-chave e as referências), sendo consideradas somente as palavras do corpo do texto (a partir da palavra “INTRODUÇÃO” até a última palavra da conclusão/considerações finais). 

O resumo do trabalho deverá conter obrigatoriamente a sequência abaixo:
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da pesquisa; 

Abaixo do corpo do resumo devem conter as PALAVRAS-CHAVE: Inserir de três 3 (três) a 5 (cinco) palavras-chave, separadas por vírgula. As palavras-chave poderão ser selecionadas de acordo com Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) (http://decs.bvs.br/ ) ou Medical Subject Headings (MeSH) (https://www.nlm.nih.gov/mesh/). 

Não deve ser empregada citação de referências no corpo do resumo, exceto em casos de referenciais metodológicos. As referências devem ser inseridas ao final do resumo. 

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  • Epidemiologia Clínica e Saúde Pública
  • Saúde do Trabalhador
  • Sistemas de Informação em Saúde
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  • Políticas Públicas e Vigilância em Saúde
  • Educação em Saúde e Promoção da Qualidade de Vida

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