Discute a integração de acervos digitais do patrimônio cultural a partir de uma perspectiva sociotécnica, articulando interoperabilidade, infraestruturas semânticas e políticas públicas no contexto brasileiro. Parte-se do argumento de que a digitalização não deve ser entendida como mera conversão técnica, uma vez que os objetos digitais passam a integrar ambientes informacionais complexos, condicionados por padrões de metadados, arquiteturas tecnológicas, decisões institucionais, práticas profissionais e processos de mediação. Com base na literatura especializada e em indicadores da TIC Cultura 2024, o texto evidencia que o desafio central não está apenas em digitalizar acervos, mas em garantir sua organização, descrição, disponibilização e integração por meio de dados abertos e reutilizáveis. Os resultados apontam assimetrias entre equipamentos culturais e reforçam a necessidade de financiamento continuado, governança distribuída, diretrizes comuns, redes de colaboração na Web e investimento permanente em capacidades humanas relacionadas a metadados, curadoria digital, Linked Data e organização do conhecimento. Conclui-se que a interoperabilidade deve ser tratada como questão informacional, tecnológica e política, essencial ao fortalecimento do direito à memória, à informação e à construção de ecossistemas culturais mais abertos, conectados e socialmente relevantes.
Comissão Organizadora
Gabriel Felipe Cotta Cirino
Francisco Paletta
Victoria Siqueira Pereira
Mariane Alves Antunes
Rodrigo Garcia
Victor Barros
Karina Satie kawashita
Comissão Científica