A transformação digital no setor público tem reconfigurado as formas de organização estatal, impactando processos administrativos, estruturas institucionais e a prestação de serviços públicos. Nesse contexto, o governo digital emerge como um fenômeno estratégico e institucional, cuja implementação ocorre de maneira heterogênea entre governos locais. Este estudo tem como objetivo analisar como práticas de governo digital são institucionalizadas nos municípios brasileiros, a partir das informações divulgadas em seus sites oficiais, e classificar as capitais estaduais em clusters de adoção e maturidade digital. Adota-se como lente teórica o Neoinstitucionalismo Sociológico, que permite compreender a influência de normas, lógicas e arranjos institucionais na adoção de práticas organizacionais. Metodologicamente, realizou-se análise documental dos portais institucionais de 26 capitais brasileiras, operacionalizando quatro dimensões analíticas: estrutura organizacional, regulamentação normativa, oferta de serviços digitais e cooperação federativa. Os dados foram codificados em variáveis binárias e submetidos à análise de cluster. Os resultados evidenciam padrões diferenciados de institucionalização do governo digital, permitindo a construção de uma matriz tipológica composta por cinco perfis. Conclui-se que a institucionalização do governo digital depende da articulação entre múltiplas dimensões institucionais, e não apenas da presença isolada de serviços digitais, revelando heterogeneidades estruturais no contexto federativo brasileiro.
Comissão Organizadora
Gabriel Felipe Cotta Cirino
Francisco Paletta
Victoria Siqueira Pereira
Mariane Alves Antunes
Rodrigo Garcia
Victor Barros
Karina Satie kawashita
Comissão Científica