A presente análise investiga a relação entre infraestrutura de saneamento, especificamente abastecimento de água e manejo de resíduos sólidos, e a incidência de dengue e chikungunya nas 27 unidades federativas brasileiras, com base em dados oficiais de 2024 [1, 2] e em abordagem descritiva comparativa. Os resultados indicam padrões contraintuitivos: estados com melhores indicadores de saneamento apresentaram, em diversos casos, incidências mais elevadas das arboviroses analisadas. À luz da literatura, esse fenômeno é compatível com o caráter multifatorial e não linear da transmissão de arboviroses, influenciada por clima, mobilidade humana, urbanização, densidade vetorial e diferenças na sensibilidade dos sistemas de vigilância epidemiológica [3, 4, 5, 6, 7]. Conclui-se que interpretações unidimensionais não capturam adequadamente a complexidade epidemiológica observada. Recomenda-se, portanto, que análises sobre arboviroses incorporem fatores estruturais, como subnotificação, capacidade diagnóstica, mudanças nos sistemas de vigilância e variáveis ambientais, de modo a qualificar a interpretação dos indicadores e orientar políticas públicas mais integradas e territorialidades [3, 4, 5, 6, 7].
Comissão Organizadora
Gabriel Felipe Cotta Cirino
Francisco Paletta
Victoria Siqueira Pereira
Mariane Alves Antunes
Rodrigo Garcia
Victor Barros
Karina Satie kawashita
Comissão Científica