Nos últimos quinze anos, a produção científica brasileira passou por uma expansão expressiva, tornando a compreensão desse ecossistema um desafio estratégico para a soberania informacional do país. Este estudo analisa o que poderia chamar de Estrutura da Ciência Brasileira, período de 2010 a 2025 utilizando dados da plataforma OpenAlex, confrontando o volume produtivo com o impacto citacional real por áreas do saber. Por meio do processamento de quase 1,5 milhão de registros, os resultados revelam uma estrutura de caráter assimétrico: enquanto as Ciências Sociais lideram em volume de produção (373.871 artigos), a Medicina concentra o maior prestígio acadêmico, com 4.508.453 citações totais (29,1% do impacto analisado). A Física e Astronomia, embora com menor produção, apresenta a maior eficiência de impacto, com 28,8 citações por trabalho. A infraestrutura de dados abertos do OpenAlex permitiu um diagnóstico mais transparente, abrangente e soberano da produção nacional. Conclui-se que o avanço numérico de publicações não garante reconhecimento uniforme entre os campos, reforçando a necessidade de métricas de avaliação sensíveis às dinâmicas específicas de cada área.
Comissão Organizadora
Gabriel Felipe Cotta Cirino
Francisco Paletta
Victoria Siqueira Pereira
Mariane Alves Antunes
Rodrigo Garcia
Victor Barros
Karina Satie kawashita
Comissão Científica