Os avanços das infraestruturas digitais e a crescente incorporação de sistemas de inteligência artificial (IA) em diferentes esferas da vida social têm produzido transformações significativas nos modos de acesso, produção, validação e uso do conhecimento. Em ambientes marcados pela hiperconectividade e pela intensa mediação algorítmica, os processos de conhecer passam a ser constituídos por complexos sistemas sociotécnicos nos quais interagem sujeitos, algoritmos, plataformas digitais, instituições e infraestruturas informacionais. Nesse contexto, a responsabilidade pelos processos de conhecimento não pode ser atribuída exclusivamente aos indivíduos, demandando abordagens capazes de considerar sua natureza distribuída. O objetivo deste trabalho é contribuir para uma compreensão ampliada das responsabilidades epistêmicas em contextos mediados por tecnologias de IA, articulando os conceitos de responsabilidade epistêmica, responsabilidade epistêmica distribuída e infraética. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter teórico-reflexivo, fundamentada em revisão crítica de literatura interdisciplinar oriunda da Filosofia da Informação, da Ética da Informação, da epistemologia social e dos estudos sobre inteligência artificial. Os resultados da discussão evidenciam que a promoção de práticas epistemicamente responsáveis depende não apenas das capacidades cognitivas dos indivíduos, mas também das condições estruturais, institucionais e tecnológicas que configuram os ambientes informacionais. Conclui-se que a articulação entre responsabilidade epistêmica e infraética oferece um referencial relevante para compreender os desafios éticos e epistemológicos dos processos contemporâneos de conhecer mediados por sistemas de inteligência artificial.
Comissão Organizadora
Gabriel Felipe Cotta Cirino
Francisco Paletta
Victoria Siqueira Pereira
Mariane Alves Antunes
Rodrigo Garcia
Victor Barros
Karina Satie kawashita
Comissão Científica