A anatomia do segundo molar inferior apresenta variações anatômicas em comparação a outras classes dentárias, sendo o canal em “C” uma das mais complexas. Essa anatomia é resultante de uma fenda que conecta os canais mesiolingual, mesiovestibular e distal, formando um ângulo de 180°. Em vista disso, sua estrutura possui áreas estreitas, irregulares e desafiadoras para limpeza, dificultando a remoção de microrganismos e restos orgânicos gerados durante a instrumentação. O objetivo deste trabalho é relatar um caso clínico de um tratamento endodôntico realizado em um segundo molar inferior com o canal em forma de “C”, com presença de um pólipo pulpar, utilizando limas Easy M na instrumentação. O paciente, do sexo masculino, 30 anos, melanoderma, chegou à policlínica da UEA com um dente fraturado, apresentando dor e sangramento. No exame intraoral, constatou-se a presença de um tecido avermelhado, arredondado e endurecido no segundo molar inferior esquerdo. Logo, mediante os testes clínicos realizados, diagnosticou-se necrose pulpar e periodontite apical assintomática. Após a remoção completa desse tecido, foi constatado um canal em formato de “C”. Assim, foi realizado o acesso coronário e a instrumentação com as limas Easy M, utilizando hipoclorito de sódio a 2,5% como substância química auxiliar, bem como a ativação da solução irrigadora. Na obturação, realizou-se a técnica híbrida de Tagger, com cone de guta-percha e Sealer 26, finalizando o procedimento com cimento de ionômero de vidro como restauração provisória. Após o tratamento, o paciente não relatou sintomatologia e segue em proservação. Diante do exposto, a instrumentação com as limas Easy M, por apresentar maior elasticidade e memória de forma em comparação às limas manuais convencionais, resultando em resistência a fraturas de torção, é uma excelente opção de tratamento endodôntico em canais em forma de “C”, oferecendo segurança ao profissional ou graduando em odontologia que realiza a instrumentação.