O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul, possui distribuição geográfica abrangente, tendo o Brasil como sua maior área de ocorrência. Grandes canídeos tendem a ter complicações clínicas específicas, como a Síndrome da Cauda Equina (SCE), doença que afeta as raízes nervosas, podendo causar dor lombar, paralisia, disfunção sexual e incontinências intestinal e urinária. O presente trabalho relata as observações comportamentais de um espécime de lobo-guará, para avaliar a evolução dos sinais clínicos característicos da doença. No Zoológico do Parque Estadual de Dois Irmãos (Recife-PE), reside um indivíduo macho, adulto, de 12 anos, que possui diagnóstico sugestivo para síndrome da cauda equina. Inicialmente foi realizada observação através do método “Ad libitum" - com duração de 20 horas, no período de duas semanas, sendo 4 horas por dia, no período da tarde para identificação de comportamentos que se relacionam com os sintomas da síndrome (urinar, defecar, coçar, alongar, repousar e demarcar). Posteriormente foram realizadas 15 horas de animal focal, a fim de estimar as frequências dos comportamentos alvos. Após as observações, foram notadas mudanças nos padrões urinários e intestinais, sugeridas pelos diferentes períodos de tempo dedicados a urinar e a defecar, que podem indicar disfunções na região da cauda. A observação do aumento de comportamentos instintivos, como a demarcação de território, também oferece insights sobre adaptações comportamentais em resposta à condição. Também houve aumento no tempo dedicado ao repouso, que pode ser um indicativo de desconforto ou desafios relacionados à mobilidade. Esses resultados destacam a complexidade da doença e ressaltam a importância de uma abordagem holística para o acompanhamento e desenvolvimento de medidas de mitigação personalizadas. Compreender a interconexão entre os comportamentos observados e a evolução dos possíveis sinais clínicos é crucial para fornecer cuidados eficazes e melhorar a qualidade de vida do animal.
Uma da partes mais ricas de um evento é ter a oportunidade de apresentar seus trabalhos para colegas cientistas e interagir com os pares. Um Encontro pressupõe várias pessoas e foi fundamental ter a contribuição de tantos cientistas para o nosso encontro. Graduandos e pós-graduandos apresentaram suas descobertas e testaram a receptividade da comunidade científica a suas ideias. Isso não apenas enriqueceu os seus currículos, mas os ajudou a construir sua imagem como pesquisador, contribuiu para sua capacidade de argumentação e criou uma rede de contatos com colegas de área.
Nos simpósios vimos a interação entre cientistas de diferentes instituições que estão produzindo pesquisa numa mesma área. Foi uma forma rica de construir colaborações e de sintetizar descobertas.
Comissão Organizadora
Eduardo Bessa
Comissão Científica