A ascensão dos criptoativos desafia profundamente a capacidade de arrecadação do Estado brasileiro em um contexto de crise fiscal. Embora todas as transações fiquem registradas em blockchain, o pseudoanonimato impede a vinculação direta entre endereços digitais e identidades reais, favorecendo a evasão fiscal e agravando a crise arrecadatória (Moura; Trevisanuto, 2023). Estudos recentes estimam que o Brasil deixou de arrecadar, apenas em 2023, cerca de R$ 1,91 bilhão em impostos relacionados a operações com criptoativos, o que corresponde a 68% do potencial tributável (Instituto Brasileiro de Economia Digital, 2023).
Este trabalho tem por objetivo analisar como o pseudoanonimato impacta a arrecadação tributária no Brasil e discutir respostas jurídicas que conciliem a proteção da privacidade com a necessidade de justiça fiscal. A metodologia adotada é qualitativa, a partir de revisão bibliográfica, análise documental e comparação com experiências internacionais, além da utilização de dados oficiais da Receita Federal e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico – OCDE sobre o “gap arrecadatório” (OECD, 2023).
Os resultados evidenciam que a atual dependência de autodeclaração voluntária, prevista na Instrução Normativa RFB nº 1.888/2019 (Brasil, 2019), é insuficiente, sobretudo diante de transações em exchanges estrangeiras e operações peer-to-peer. Enquanto a União Europeia e os Estados Unidos avançam em modelos de reporte obrigatório e auditorias preservadoras de privacidade, o Brasil permanece com limitações estruturais que comprometem sua capacidade fiscal (Nunes; Oliveira, 2024).
Conclui-se que a tributação de criptoativos exige soluções inovadoras, como regimes híbridos de compliance – que combinem transparência fiscal com mecanismos técnicos de preservação de dados, como provas de conhecimento zero e disclosure seletivo. Apenas com tais medidas será possível reduzir significativamente a evasão, preservar direitos fundamentais e garantir sustentabilidade às finanças públicas em um mundo em crise.
Comissão Organizadora
TIAGO SOARES VICENTE
MARYNY DYELLEN BARBOSA ALVES
Comissão Científica
TIAGO SOARES VICENTE
MARYNY DYELLEN BARBOSA ALVES
JULIO GOMES DUARTE NETO
JOSÉ INALDO VALÕES
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